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RSE Geral busca avançada

Wilson Santarosa, da Petrobras, fala sobre o papel da RSE no Plano Estratégico 2020 da empresa

No final do mês de agosto, a Petrobras anunciou, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), seu Plano Estratégico 2020 e seu Plano de Negócios 2008. Nesta entrevista ao Notícias da Semana, Wilson Santarosa, gerente-executivo de Comunicação Institucional da Petrobras, fala sobre o papel que a responsabilidade social empresarial assume no novo planejamento da empresa.

Instituto Ethos:
A Petrobras acaba de anunciar seu planejamento estratégico para 2008-2012. Nessa revisão, qual será o papel da responsabilidade social empresarial?
Wilson Santarosa: No último planejamento estratégico da Petrobras, que abrangia o período entre 2004 e 2015, a responsabilidade social ambiental (RSA) era vista do ponto de vista dos negócios. Ou seja, era um valor descrito na missão e na visão da companhia. Ao lado do crescimento e da rentabilidade, formava o tripé  de sustentabilidade da empresa. Nesse período, a RSA foi tratada como um tema transversal da empresa. Era algo que permeava o conjunto de atividades da Petrobras, sem haver um processo para isso. Costumo comparar com os cuidados que temos com um filho. Se nos preocupamos com alimentação, saúde, educação e vestuário, o desenvolvimento se torna uma conseqüência natural. Assim, víamos a questão da sustentabilidade. Recentemente, fizemos uma revisão do nosso plano estratégico e traçamos novas diretrizes para o ano de 2020. Nesse novo planejamento estratégico da Petrobras, a RSA passa a ser uma função da empresa e aparece também em sua missão e visão. Além disso, criamos uma nova política de RSA com metas corporativas.

IE: De que forma os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social estão relacionados com os objetivos estratégicos da empresa?
WS: No planejamento estratégico da Petrobras para 2020, estabelecemos nove metas corporativas, três delas medidas por meio da pontuação dos Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial. A primeira é em relação a Valores, Transparência e Governança. Nossa meta é alcançar nesse item 342 pontos em 2008 e 344 em 2012. Ou seja, apenas um ponto abaixo da pontuação máxima possível, que é de 345 pontos por tema. A outra meta é em relação ao item Comunidade. Queremos fazer 341 pontos em 2008 e 344 em 2012. Por último, temos a meta de melhorar nossa pontuação no tema Governo e Sociedade. A idéia é atingir 339 pontos em 2008 e 344 em 2012. Quanto aos outros itens, vamos procurar melhorá-los também. No entanto, colocar indicadores para determinados temas significa que vamos priorizá-los, pois entendemos que uma empresa com o porte da Petrobras deve pensar especialmente em sua governança, em seus valores e em suas relações com o governo e com a sociedade. Se não dermos prioridade a esses três temas, não haverá avanços nos outros. Além disso, ficou estabelecido que a Petrobras fará 65 mil horas de capacitação em RSA até 2008 e 186 mil horas até 2012. Essas metas corporativas foram decididas após um debate muito complexo entre o nosso Conselho de Administração, a nossa diretoria e gestores de primeira linha do mundo inteiro.

IE: De que forma a adesão ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) impactaram na gestão da Petrobras?
WS: Desde 2003, os princípios do Pacto Global da ONU passaram a fazer parte da nossa gestão, tornando-se fonte de inspiração para todos os nossos eventos e permitindo um grande aprendizado para toda a empresa. O envolvimento da Petrobras com o Pacto Global é tão profundo que sua representação é feita pelo próprio presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, que tem uma trajetória ligada aos direitos humanos e à cidadania. Com relação à GRI, a Petrobras já usa suas diretrizes desde 2003. Em 2004, elegemos como referência para o nosso relatório de sustentabilidade o Communication on Progress (COP - Comunicação de Progresso), documento usado para reportar como a empresa está desenvolvendo os dez princípios do Pacto Global em sua gestão. Por conta disso, a Petrobras passou a lidar com a questão da materialidade em seu relatório. Também já tínhamos o costume de envolver as partes interessadas no processo de elaboração do nosso relatório de sustentabilidade. Normalmente, formamos grupos referentes a nove segmentos, entre os quais a comunidade, organizações não-governamentais, o poder público etc., para dar opinião sobre a maneira como a Petrobras está desempenhando suas atividades. Dessa forma, quando a GRI lançou a G3, terceira geração de suas diretrizes aqui no Brasil, a Petrobras já estava em conformidade com suas exigências. Tanto que fomos um dos grandes parceiros na divulgação dessa nova versão.

IE: A Petrobras foi alvo de críticas por declarar que destina apenas 1% de seu faturamento para pesquisas de mudanças na matriz energética. Na sua opinião, esse seria hoje um grande desafio para a empresa?
WS: É preciso olhar para esse número de outra forma. Quando falamos de 1% da receita da Petrobras, estamos falando de uma porcentagem da maior empresa da América Latina, com um faturamento gigantesco. É preciso olhar esse número de forma relativa e não absoluta. Quando falamos de 1% da Petrobras estamos falando de R$ 1,58 bilhão. Além disso, parte dos tributos pagos pela empresa é direcionada para o Ministério da Ciência e Tecnologia e parte dos royalties recolhidos é investida em pesquisa. Mas mais importante que o valor do investimento em pesquisa é a orientação que se dá a esse trabalho. Em muitas empresas, o objetivo das pesquisas é o aumento do lucro. Em outras, o que se busca é melhorar a qualidade dos produtos. Na Petrobras, porém, as pesquisas são destinadas a promover a sustentabilidade e a RSA. Um exemplo disso é a tecnologia para o fechamento do ciclo de água que estamos implantando em nossas refinarias. Essa tecnologia permite que a água empregada no processo industrial seja captada e armazenada para reutilização. Desse modo, os impactos negativos sobre os recursos hídricos do entorno das refinarias são reduzidos de forma significativa. E isso só foi possível graças ao nosso centro de pesquisas.
Data: 11/09/2007 Fonte: Giselle Paulino / Edição: Benjamin S. Gonçalves
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