Com a introdução da tecnologia social, houve uma redução no desperdício e ampliação do aproveitamento
Sustentabilidade na exploração do Babaçu é o que a Associação Pro-Desenvolvimento Rural de Guaribas - no Crato, região sul do Ceará - vem buscando há dois anos. Com orientação da Fundação de Formação, Pesquisa e Difusão Tecnológica para uma Convivência Sustentável com o Semi-Árido (Fundação Mussambê) e recursos de insituições parceiras, a comunidade aproveitou uma atividade extrativista realizada há centenas de anos por famílias residentes no Cariri cearense.
Como a exploração ocorria por meio de um modelo tradicional de extrativismo artesanal, com baixo rendimento, muito desperdício, condições precárias de trabalho, sistema de coleta e corte indiscriminado da palmeira de babaçu e falta de organização dos envolvidos diretos, foram necessárias a organização comunitária, criatividade e introdução de novas técnicas de produção e beneficiamento para promover a mudança.
Ana Maria Alves Granjeiro, 32 anos, presidente da Associação, e uma das primeiras a aderir às mudanças, está muito satisfeita com os resultados. Mesmo com o Ensino Médio completo e tendo trabalhado dois anos na área de ensino, era do roçado que tirava o sustento da família antes de começar a trabalhar com o babaçu.
Ela conta que o óleo, principal produto, tem usos que vão desde a alimentação até a fabricação de sabão; que beneficiam, no momento, 12 famílias diretamente. A principal parceria da Associação, além da Fundação Mussambê, está na Brazil Foundation e no Programa Biodiversidade Brasil Itália.
A implantação de agroindústria comunitária, com equipamentos e a adoção da tecnologia social motivaram os produtores, na perspectiva de maior rentabilidade e melhores condições de trabalho.
No processo tradicional de extração do óleo do babaçu - de fundo de quintal - o coco é quebrado na pedra, normalmente por mulheres e crianças. Cada trabalhador extrai de um milheiro de cocos por dia, aproximadamente 13 kg de amêndoa, com grande desperdício e muito acidente de trabalho. Na etapa seguinte, as amêndoas eram trituradas em um pilão, num processo lento e trabalhoso. A amêndoa triturada era, então, cozida por 18 horas e deixada em repouso por 14 horas.
Naquele sistema, 52 quilos de amêndoas rendiam aproximadamente 15 litros de óleo. O que sobrava era vendido como combustível, a preço baixo, para as indústrias locais de cimento, cerâmicas e padarias.
Com as inovações tecnológicas, foi introduzida máquina de corte, que possibilita o processamento de quatro mil cocos de babaçu por dia, resultando em 52 quilos de amêndoas e permitindo um aproveitamento da casca, utilizada não apenas na produção de carvão, mas de adornos artesanais.
Há também a despeliculadeira e o extrator manual de óleo, uma prensa hidráulica que chega a extrair até 100 litros em oito horas de trabalho. Além de aumentar a produção de óleo, a máquina permite o aproveitamento do resíduo do processo de prensagem, uma torta rica em proteínas, como ração animal, principalmente de ovinos, caprinos e suínos.
Os equipamentos, de fácil manuseio e manutenção, permitem um aumento de até 100% na produção, pois o quilo de amêndoa saltou de R$ 0,20 para R$ 1,20 e foi possibilitado o aproveitamento de subprodutos, como a torta, a casca (carvão e artesanato) e, por último, da fibra, para a produção de um xaxim ecológico.
Maristela Crispim Repórter
FIQUE POR DENTRO
Oleaginosa valorizada pelo aproveitamento
Entre as palmeiras utilizadas na indústria extrativista brasileira, o babaçu é considerado o mais rico do ponto de vista econômico, pelo aproveitamento de todos os seus componentes.
Cientificamente chamado de Orbignya martiana, o babaçu é de grande valor industrial e comercial, encontrado em extensas formações naturais, principalmente no Nordeste.
A palmeira chega a alcançar 20 metros de altura. O broto fornece palmito de boa qualidade. Quando maduro, a parte externa do fruto é comestível. Do óleo se produz margarina, sabão e cosméticos. O caule é empregado em construções rurais e as folhas na fabricação doméstica de cestos.
IMAGENS DA PRODUÇÃO
O aproveitamento total do coco babaçu depende de organização e tecnologia 1 antes quebrado manualmente com pedras, a perda de matéria-prima e o índice de acidentes eram enormes 2 hoje, uma prensa manual extrai o principal produto, que é o óleo 3 do mesmo equipamento de onde se extrai o óleo, resulta uma torta, destinada à ração animal 4 a casca, cortada por outro equipamento, tanto pode ser aproveitada como insumo para artesanato quanto como combustível para fornos. |