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Mercado de neutralização busca normas

Não é apenas no Brasil que a preocupação em neutralizar as emissões de carbono está ganhando espaço. Na Europa, principalmente no Reino Unido, já são diversas as empresas que têm iniciativas neste sentido.

Companhias áreas, por exemplo, oferecem, mediante o pagamento de uma taxa extra, o serviço de mitigar as emissões de cada passageiro. Trata-se de um mercado em ascensão, onde existem cada vez mais consultorias especializadas oferecendo os serviços de neutralização.

De acordo com estudo da consultoria ICF International a previsão é que até 2010, as iniciativas de carbono zero sejam capazes de abater 400 milhões de toneladas de carbono, movimentando algo em torno de US$ 5 bilhões. Porém, este mercado ainda carece de regulamentações específicas.

O parlamento britânico recentemente resolveu investigar empresas de neutralização a fim de comprovar se reduções efetivas de carbono estavam ocorrendo. Paralelamente, o Departamento de Meio Ambiente do Reino Unido (Defra) colocou em consulta pública procedimentos e padrões para iniciativas de compensação.

No Brasil, as consultorias que oferecem o serviço de inventariar e neutralizar as emissões de carbono estão se organizando para estabelecer padrões de ação. "Estamos tentando criar um código de melhores práticas", explica o diretor do Instituto Totum, Marco Fujihara.

Segundo Fujihara, a discussão segue a linha do documento que foi levado à consulta pública pelo órgão do governo britânico. Além disso, para tornar o processo de quantificação das emissões mais transparente, as consultorias trabalham de acordo com as normas da ISO 14064, que foram estabelecidas justamente para aferir inventários de produção de gases estufa.

A MaxAmbiental, companhia de finanças e marketing ambiental, tem sido uma das mais atuantes no mercado de carbono zero no país. Será ela que fará um projeto para compensar todas as emissões da Câmara dos Deputados. Flávio Brando, consultor da empresa, garante que no Brasil as iniciativas voluntárias já "têm sido pautadas pelo rigor científico".

Ele observa que as modalidades de mensuração de emissão de gases estufa segue as metodologias permitidas no Tratado de Kyoto. Um dos métodos de mensuração é o Protocolo GHG, criado no âmbito do Conselho Empresarial Mundial de Desenvolvimento Sustentável.

Flávio Brando menciona ainda a importância de se fazer um acompanhamento das iniciativas de neutralização. "Não adianta jogar a semente das árvores na terra e depois nunca mais olhar", ele observa. Hoje, praticamente todos os projetos brasileiros de carbono zero estão sendo feitos em parceria com a organização não-governamental SOS Mata Atlântica.

A compensação é feita através do plantio de árvores nativas. Os procedimentos e as quantidades necessárias para um corte efetivo das emissões são auditadas pela PricewaterhouseCoopers.

O diretor de captação de recursos da SOS Mata Atlântica, Adauto Basílio, afirma que o plantio das árvores é rigorosamente acompanhado para que seja bem sucedido. Nos primeiros 24 meses, técnicos fazem visitas regulares às áreas de plantio. A partir do terceiro ano, o acompanhamento se torna menos constante, mas é só depois de cinco anos que os cuidados são reduzidos.

As árvores podem ser plantadas em uma das cinco bacias hidrográficas onde a organização não-governamental vem trabalhando. São as bacias dos rios Paraíba do Sul (Rio de Janeiro/São Paulo) Das Contas (Bahia) Doce (Espírito Santo/Minas Gerais), Tibagi (Pará) e Alto Tietê (São Paulo). As plantas são nativas e o suprimento é feito por viveiros comunitários, como o de Resende, no Rio, que produz 300 mil mudas. "A importância de plantar nativas é que estamos não apenas lidando com o aquecimento, mas também ajudando a recuperar a biodiversidade e a água", argumenta Basílio.

O diretor da SOS Mata Atlântica explica que a idéia de neutralizar emissões surgiu quando a montadora Volkswagen procurou a organização para apoiar o projeto Florestas do Futuro, que busca reflorestar áreas degradas. Durante as negociações, empresa e ong chegaram à conclusão de que calcular o carbono emitido durante a produção da fábrica de caminhões em Resende poderia ser uma forma de estipular o número de árvores a serem plantadas. Foi um diferencial do projeto e agora os caminhões da Volkswagen produzidos a partir de 2005 já levam um selo de carbono neutro. Foi a primeira iniciativa em muitas.

"Hoje, quatro ou cinco empresas nos procuram todos os dias, interessadas em neutralizar suas emissões", revela Basílio.

Data: 22/02/2007 Fonte: Valor Econômico
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