A desinformação tornou-se um dos maiores riscos globais, impactando diretamente a confiança nas instituições, a qualidade do debate público e a estabilidade democrática. De acordo com o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, a disseminação de informações falsas figura entre as principais ameaças de curto prazo à sociedade e à economia, potencializando crises e dificultando respostas coordenadas a desafios complexos. 

No ambiente empresarial, esse fenômeno compromete a reputação, afeta cadeias de valor e mina a credibilidade de práticas sustentáveis e responsáveis. Em um contexto marcado por transformações tecnológicas aceleradas, tensões geopolíticas e crescente fragmentação social, a integridade da informação torna-se um ativo estratégico essencial para a previsibilidade dos negócios e para a construção de confiança duradoura. 

A desinformação não atua de forma isolada. Ela amplifica riscos existentes, distorce percepções, influencia decisões econômicas e sociais e fragiliza a capacidade de resposta coletiva diante de crises. Seus efeitos são sistêmicos e exigem uma abordagem igualmente sistêmica, baseada em cooperação, responsabilidade e ação coordenada. 

Diante desse cenário, o Instituto Ethos, em conjunto com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) propõe a construção de uma Coalizão Empresarial Contra a Desinformação, com o objetivo de engajar o setor privado na promoção da integridade informacional, da responsabilidade na comunicação e do fortalecimento da confiança pública. Reconhecemos que empresas não são apenas impactadas por esse fenômeno, mas também agentes fundamentais na sua prevenção e mitigação. 

Assumimos o compromisso de incorporar a integridade da informação como critério efetivo de decisão, influenciando o que produzimos, financiamos, patrocinamos e amplificamos. Isso implica revisar práticas, alinhar incentivos e estabelecer mecanismos de governança capazes de prevenir, identificar e responder à desinformação nos nossos contextos de atuação. 

Acreditamos que o combate à desinformação é uma responsabilidade compartilhada e inadiável. Exige colaboração entre empresas, sociedade civil e poder público, bem como o desenvolvimento contínuo de padrões, ferramentas e práticas que acompanhem a complexidade do ambiente informacional contemporâneo. 

Proteger a integridade da informação é proteger a confiança, elemento fundamental para o funcionamento dos mercados, das instituições e da própria sociedade. 

A desinformação é um dos grandes desafios do nosso tempo. A resposta deve ser conjunta, consistente e permanente.