Diante do avanço da desinformação como um dos principais riscos globais, organizações empresariais brasileiras se unem para lançar a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação, uma iniciativa inédita que posiciona o setor privado como agente estratégico na promoção de um ambiente informacional mais íntegro, seguro e responsável.

Liderada pelo Instituto Ethos, em parceria com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e com apoio técnico do NetLab UFRJ, a iniciativa busca mobilizar empresas e entidades empresariais para uma atuação coordenada no enfrentamento ao fenômeno.

A cerimônia de lançamento aconteceu nesta segunda-feira, 13, na Unibes Cultural, com a presença das entidades responsáveis. O evento contou com a fala de abertura de Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, a respeito da desinformação como um problema sistêmico, que demanda ação multissetorial.

“Não haverá resposta consistente para esse desafio sem cooperação entre sociedade civil, setor privado, poder público, academia e meios de comunicação. Por isso, a resposta a esse problema precisa ser coletiva. Ela passa por mais transparência das plataformas, por mais responsabilidade no desenvolvimento e na circulação de sistemas de IA, por políticas públicas de formação crítica e por um compromisso institucional com a integridade da informação. O desafio não é apenas tecnológico. É social, político e ético”, aponta Caio Magri.

Márcio Borges, pesquisador do NetLab, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ, levou um panorama sobre o funcionamento da desinformação no Brasil e no mundo, e abordou temas como a indústria da desinformação, junk news e o papel da publicidade nos mecanismos de disseminação de notícias falsas.

O especialista apresentou dados referentes aos fluxos de informação e desinformação em diversas redes sociais e trouxe um número alarmante: o Brasil tem a maior dificuldade entre 21 países em identificar notícias falsas nas redes sociais, ocupando o último lugar no ranking. Mais de 80% dos brasileiros utilizam essas plataformas como fonte de informação, mas a taxa de identificação de fake news é baixa, segundo pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A cerimônia também contou com um painel sobre o papel das organizações na resposta à desinformação, com Cristiano Lobato Flores, presidente-executivo da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), e Hamilton dos Santos, diretor executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). A moderação do bate-papo foi realizada por Andréa Álvares, presidenta do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. Os participantes abordaram como a crise da confiança, acentuada pela desinformação, afeta negócios de diversos segmentos e qual é o papel do setor de comunicação empresarial e do jornalismo no enfrentamento desse cenário.

Os desafios da desinformação

A desinformação deixou de ser um desafio restrito à comunicação digital e passou a configurar um risco sistêmico, com impactos diretos sobre a democracia, a confiança institucional e o ambiente de negócios. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, no relatório Global Risks Report 2026, temas como desinformação e polarização social figuram entre os principais fatores de instabilidade global no curto e no longo prazo, em um cenário em que 40% dos especialistas projetam instabilidade nos próximos dois anos.

Nesse contexto, a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação surge para apoiar empresas na construção de respostas estruturadas, com base em evidências e alinhadas às melhores práticas de governança e responsabilidade corporativa. A iniciativa atuará com a produção de conhecimento técnico, o desenvolvimento de diretrizes orientadoras e a promoção de espaços de diálogo entre lideranças empresariais, especialistas e sociedade civil.

A Coalizão também propõe ampliar o papel das empresas no ecossistema informacional, reconhecendo sua capacidade de influenciar padrões de comunicação, mitigar riscos reputacionais e contribuir para a construção de um ambiente mais transparente e confiável.

A desinformação impacta diretamente a confiança, um ativo fundamental para qualquer organização. Trata-se de um desafio complexo, que exige uma resposta coordenada e multissetorial, envolvendo empresas, sociedade civil, entre outros agentes. Ao lançar essa Coalizão, reforçamos o papel do setor empresarial como agente ativo na construção de um ambiente informacional mais íntegro”, conclui Andréa Álvares, presidenta do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.