Como as empresas podem promover ambientes de trabalho mais saudáveis, inclusivos e alinhados aos direitos humanos? Essa foi uma das reflexões centrais do encontro do Grupo de Trabalho de Empresas e Direitos Humanos do Instituto Ethos, realizado em abril, com o tema “Trabalho Decente e Saúde Mental”.
O encontro reuniu representantes de dezenas de empresas e organizações para discutir os impactos das transformações no mundo do trabalho, o avanço dos riscos psicossociais e o papel das lideranças e das culturas organizacionais na promoção do bem-estar e da dignidade no ambiente corporativo.
Na abertura institucional, Ana Lúcia Melo, diretora-adjunta do Instituto Ethos, destacou que saúde mental deve ser compreendida como uma questão de direitos humanos e de responsabilidade organizacional. Segundo ela, não é possível construir empresas saudáveis em sociedades marcadas pelo aprofundamento das desigualdades.
Ao longo do encontro, especialistas da Ecos, consultoria parceira do GT de Empresas e Direitos Humanos, e da Comsenso Saúde Mental apresentaram dados e análises sobre o cenário atual. Entre os destaques, estiveram os mais de 500 mil afastamentos por transtornos mentais registrados pelo INSS no último ano e os impactos da hiperconectividade, da insegurança econômica, da sobrecarga crônica e das mudanças nas relações de trabalho sobre a saúde mental das pessoas trabalhadoras.
As discussões também abordaram a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incluir fatores de risco psicossociais na gestão ocupacional das empresas. Mais do que uma exigência regulatória, o debate reforçou a necessidade de transformação cultural dentro das organizações.
Durante as apresentações, foi destacado que iniciativas pontuais de autocuidado, embora importantes, não são suficientes para enfrentar desafios estruturais. Temas como segurança psicológica, assédio, metas incompatíveis com a realidade das equipes, baixa autonomia decisória e culturas organizacionais baseadas em urgência constante estiveram no centro das reflexões.
O encontro também trouxe exemplos práticos de atuação empresarial. Representantes do Banco do Brasil compartilharam iniciativas voltadas à prevenção, acolhimento e acompanhamento em saúde mental, além de estratégias de escuta ativa, apoio às lideranças e monitoramento contínuo do clima organizacional.
Além de aprofundar o debate sobre trabalho decente e saúde mental, o GT reafirmou seu papel como espaço de construção coletiva, troca de experiências e desenvolvimento profissional. Ao reunir empresas de diferentes setores para compartilhar desafios, práticas e aprendizados, a iniciativa contribui para fortalecer a atuação de profissionais que estão na linha de frente das agendas de direitos humanos, diversidade, sustentabilidade e gestão de pessoas.
Em um contexto de rápidas transformações no mundo do trabalho, encontros como esse ajudam organizações e lideranças a avançarem de uma lógica de conformidade para uma atuação mais estratégica, humana e comprometida com a promoção de ambientes de trabalho mais justos, seguros e inclusivos.








