No dia 27 de outubro, o Instituto Ethos realizou mais uma edição do ASG na Prática, dedicada à devida diligência em direitos humanos. O encontro reuniu representantes de empresas para discutir como tirar o tema do papel e incorporá-lo à gestão do negócio e da cadeia de valor.
A programação combinou apresentação conceitual, análise de dados dos Indicadores Ethos ASG, dinâmica interativa e o compartilhamento de um caso empresarial.
Mais do que uma auditoria pontual
A consultora em sustentabilidade, Dilma Pimentel abriu o encontro com os conceitos centrais da devida diligência. Ela explicou que o processo não é uma avaliação pontual, mas uma prática contínua, que precisa dialogar com outras áreas da empresa e considerar tanto riscos quanto impactos. Para unificar a linguagem entre as áreas, a apresentação tratou de definições como risco, impacto, dano e escopo, com referência à norma ISO 31000.
Dilma defendeu ainda que a avaliação considere os objetivos das partes interessadas, e não apenas os da empresa, e que o propósito vá além do cumprimento das exigências legais. Entre os desafios, citou a falta de orçamento, a cultura organizacional e a eficácia dos controles. Ressaltou a importância de mecanismos de escuta ativa, auditorias e das “Linhas de Defesa” para identificar riscos operacionais. Também recomendou avaliar o “apetite de risco” da organização em relação aos direitos humanos, com uma abordagem que inclua questões trabalhistas, ambientais e territoriais.
Maturidade e dados dos Indicadores
Durante o evento, Edrini da Silva, analista de Projetos e Serviços do Instituto Ethos, apresentou a metodologia dos Indicadores Ethos ASG e os cinco níveis de maturidade que evoluem do estágio inicial de gestão até o protagonismo na cadeia de valor, com foco na integração dos direitos humanos à estratégia do negócio e no monitoramento contínuo dos impactos gerados pelas atividades empresariais.
A partir da análise de desempenho de preenchimento das empresas, foi possivel observar que os resultados do Indicadores Ethos ASG 2024/2025, em especial do Indicador 14 – Monitoramento de Impactos dos Negócios nos Direitos Humanos, demonstram avanços significativos na adoção de mecanismos de prevenção, monitoramento e remediação de violações.
Os dados revelam maior maturidade em práticas relacionadas ao tratamento de casos, à correção de impactos identificados e ao acompanhamento de riscos em suas operações e relações comerciais. Por outro lado, permanecem desafios importantes relacionados à disseminação do tema entre colaboradores, ao fortalecimento da governança corporativa e à ampliação das práticas de devida diligência ao longo de toda a cadeia de valor.
O caso da Neoenergia
Adriana Nascentes, representante da Neoenergia, apresentou os avanços da companhia na gestão de riscos de direitos humanos: integração entre áreas, avaliação prévia de investimentos e gestão de fornecedores. Entre os desafios, mencionou a integração organizacional e o monitoramento contínuo. A empresa está implementando uma nova plataforma de gestão social, alinhada à diretiva europeia sobre devida diligência.
Os compromissos da Neoenergia sobre o tema estão em instrumentos como a Política de Respeito aos Direitos Humanos, a Política de Relacionamento com Grupos de Interesse, as políticas de Desenvolvimento Sustentável, Gestão do Capital Humano e Prevenção do Assédio, e o Marco Normativo dos Direitos Humanos.
Fique de olho nas próximas atividades do ASG na Prática e participe dos encontros voltados às empresas associadas ao Instituto Ethos.












