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A evolução da gestão para a sustentabilidade

25/06/2014

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Para a empresa, pode ser mais interessante realizar estudos que ofereçam dados além das emissões de gases de efeito estufa ou da pegada hídrica.

Por Roberto Araújo*

Quando falamos em medir a sustentabilidade, algumas perguntas vêm à mente dos executivos: “O que queremos medir exatamente?”; “Com que ‘régua’ ou metodologia devemos medir e avaliar a sustentabilidade?”; “Como extrair valor dessa informação?” Para a maior parte dos gestores, o ideal é que um estudo para medir e avaliar aspectos de sustentabilidade possa ajudá-los a aumentar as vendas, melhorar as margens de lucro ou, na pior hipótese, mitigar riscos e evitar perda de mercado por não disponibilizar para seus clientes as informações sobre os impactos ambientais de seus produtos. Nesse sentido, os estudos mais realizados para ajudar as empresas a reduzir seus impactos ambientais são as pegadas de carbono, hídrica e energética.

As ferramentas, cujas metodologias se baseiam na análise do ciclo de vida (ACV), proporcionam informações mais completas, pois é uma técnica que permite a quantificação dos impactos ambientais de um produto, sistema ou processo durante todo o seu ciclo de vida, ou seja, desde o início (da extração das matérias-primas, por exemplo) até o final da vida (quando o produto deixa de ter uso e é reciclado ou descartado como resíduo), passando por todas as etapas intermediárias (manufatura, transporte e uso). Por isso, essa avaliação é chamada também de “análise do berço ao túmulo” ou “do berço ao berço”.

De acordo com a Associação Brasileira de Análise de Ciclo de Vida (ABCV), o número de especialistas em ACV no Brasil ainda é insuficiente para atender a crescente demanda por estudos. Em sua tese “A utilização da avaliação do ciclo de vida no processo de tomada de decisão em sustentabilidade na indústria da construção, no subsetor de edificações”, a especialista Kelly Alonso Costa, da Universidade Federal Fluminense, afirma que os trabalhos acadêmicos brasileiros contemplam diversos segmentos, tais como o químico, o petroquímico, o da construção civil, o energético, o automobilístico, o agrícola, o metalúrgico e o eletrônico.

Por outro lado, os dados exatos sobre a realização de estudos no Brasil sobre ACV são incertos, mas, segundo a pesquisadora, nos últimos anos dez anos foi possível encontrar, em bancos de dados nacionais e internacionais, cerca de 280 trabalhos entre dissertações, teses e artigos científicos publicados sobre o tema ACV. Com a criação de entidades e a publicação das normas, observa-se uma maior produção nos últimos anos de trabalhos para a consolidação do banco de dados brasileiro.

Cabe então às empresas entenderem – e algumas já têm feito isso, como divulgado pelo Guia Exame de Sustentabilidade 2013 – que o tema ecoeficiência é cada vez mais estratégico para as organizações. Além disso, pode ser mais interessante realizar estudos que ofereçam informações além das emissões de gases de efeito estufa ou apenas da pegada hídrica, pois possibilitam a melhoria de qualidade da gestão e a eficiência operacional.

Ferramentas que avaliam, simultaneamente, os impactos ambientais, sociais e econômicos são as mais avançadas e completas, pois podem analisar mais de uma dezena de categorias, mais de 50 indicadores e mais de uma centena de fatores de avaliação. Aspectos como direitos humanos, consumo de energia e uso do solo, dentre outros, são essenciais para uma análise mais consistente. Os critérios científicos estão passando por constante evolução e o maior desafio para os especialistas em avaliação de sustentabilidade tem sido melhorar a qualidade dos bancos de dados locais.

Entramos na era da gestão sustentável compartilhada, por isso a necessidade de pensar e planejar a sustentabilidade sob a perspectiva de toda a cadeia de valor.

* Roberto Araújo é diretor-presidente da Fundação Espaço ECO.

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