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A presença feminina nas empresas

06/03/2015

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Algumas reivindicações das feministas do século passado não se concretizaram até hoje, entre as quais a paridade de gêneros nas empresas.      

Por Jorge Abrahão*

Em 8 de março de 1917, em meio ao turbulento cenário político e social no qual a Rússia estava inserida – a fome assolava comunidades camponesas, greves eclodiam por todo o país e a insatisfação com o governo do czar Nicolau II era generalizada –, um grupo de aproximadamente 90 mil operárias saiu às ruas para reivindicar melhores condições trabalhistas. As industriárias eram submetidas a jornadas de 14 horas de trabalho e seu salário chegava a ser três vezes menor do que o dos homens, apesar de exercerem funções semelhantes nas indústrias. O protesto ficou conhecido como “Pão e Paz” e o 8 de Março foi eternizado anos mais tarde como o Dia Internacional da Mulher.

No Brasil, a principal frente de luta pelos direitos da mulher, nas décadas de 1920 e 1930, foi o Partido Republicano Feminino, cuja pauta central era o direito ao voto. As sufragistas tiveram parte de suas reivindicações atendidas com a promulgação do Código Eleitoral Provisório, em 24 de fevereiro de 1932, que estabeleceu os novos requisitos para ser eleitor no Brasil: cidadãos maiores de 21 anos, sem distinção de sexo.

Foi apenas em 1945 que a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que promovia princípios de igualdade entre homens e mulheres.

Com o passar dos anos, as condições de trabalho melhoraram para muitas mulheres. Contudo, algumas reivindicações das feministas do século 20 não se concretizaram até hoje, entre as quais a paridade de gêneros nas empresas.

Em setembro de 2014, um discurso de Emma Watson, atriz da saga infanto-juvenil Harry Potter e embaixadora da ONU Mulheres, foi massivamente compartilhado nas redes sociais. Ela tratou da desigualdade entre os sexos e lançou a campanha HeForShe, que tem como objetivo conscientizar os homens sobre os problemas decorrentes dessa questão. Mais recentemente, na edição do Oscar de 2015, Patricia Arquette, vencedora do prêmio na categoria de melhor atriz coadjuvante pelo filme Boyhood, convocou todas as mulheres americanas a lutar pela igualdade de direitos e equiparação salarial.

O contraste dos rendimentos de homens e mulheres

A 2010 da pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, realizada pelo Instituto Ethos com funcionários e dirigentes das 500 maiores empresas do país em faturamento, evidenciou a disparidade entre homens e mulheres na composição do quadro de funcionários das organizações entrevistadas: a maioria esmagadora era do sexo masculino. No nível executivo e sênior, dos 1.506 funcionários, 86,3% eram homens e apenas 13,7% eram mulheres. No nível de gerência, dos 13.892 empregados, 77,9% eram homens e 22,1%, mulheres. No nível de supervisão, 73,2% dos 26.034 cargos eram preenchidos por homens e 26,8%, por mulheres. O abismo é grande e pode-se concluir que, nos postos mais altos, a desproporção é ainda maior.

A disparidade também pode ser facilmente observada no contexto empresarial pelos contrastes salariais. Em outubro de 2014, o IBGE divulgou o estudo Estatísticas de Gênero: Uma Análise dos Resultados do Censo Demográfico 2010, realizado em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário. De acordo com os dados, o rendimento das mulheres constitui 74% do que os homens recebem mensalmente.

A desigualdade é ainda maior ao levar em consideração a raça delas: a mulher negra ganha, em média, apenas 41% do salário do homem branco. Além disso, o percentual de indivíduos do sexo feminino e maiores de 16 anos sem rendimentos chega à casa dos 30%, sendo que a maior parte reside na região Norte e a menor, no Sul. Apesar de o número de mulheres economicamente ativas ter crescido – em comparação com a taxa de atividade dos homens, a diferença diminuiu cerca de 21 pontos percentuais em 2010 –, o contraste de renda continua grande.

As empresas e os programas de inclusão

Diante desse cenário, muitas empresas vêm implantando medidas para tornar mais efetiva a inserção da mulher no mercado formal de trabalho. A Coca-Cola é uma delas. Muhtar Kent, CEO da companhia, afirma que um dos motivos da criação do programa de recrutamento de mulheres para cargos seniores é que elas têm o poder de decisão em 70% das compras dos produtos da marca. Os resultados são substanciais. Na Coca-Cola Brasil, a participação de mulheres em cargos de gerência, por exemplo, cresceu com a implantação do programa e equiparou-se com a dos homens. Ou seja, elas representam hoje aproximadamente 50% dos gerentes da companhia.

A Alcoa é outro exemplo. A falta de profissionais mulheres na indústria de alumínio fez com que a companhia implantasse a iniciativa chamada Building Opportunities for Women in a Hard Hat Company. Entre 2008 e 2012, a taxa de representação feminina cresceu de 15,8% para 18,8%, em cargos executivos, e de 22,6% para 25,1%, em cargos de gerência.

Na Unilever, foram estabelecidas metas para o preenchimento de postos de liderança visando a igualdade de gêneros. O CEO Paul Polman preside o conselho de diversidade global da empresa e investe esforços para aumentar a participação das executivas no quadro de funcionários, como a implementação de um programa de mentoring. De 2009 a 2012, a taxa de mulheres nos cargos de vice-presidente executivo e vice-presidente aumentou de 16% para 21%. O número de diretoras também subiu, de 27% para 32%. E elas também estão mais presentes na gerência – o índice era de 40% e foi para 43%.

* Jorge Abrahão é diretor-presidente do Instituto Ethos.

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