ETHOS INTEGRIDADE

Agenda de integridade é analisada em diferentes painéis da Conferência Ethos em SP


03/10/2019

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Empresas compartilham experiências

Dividir para conquistar – como seremos capazes de resgatar a integridade da democracia? Foi com essa provocação que a Conferência Ethos 360º em São Paulo, ocorrida nos dias 3 e 4 de setembro, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, deu o tom do que seriam as outras 59 atividades que estariam por vir.

Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, questionou em sua fala de abertura: “Do que será que depende o destino da democracia?”. Crise climática, crise econômica e democracia enfraquecida também fizeram parte da abordagem do diretor-presidente do Ethos, que concluiu sua participação nesse painel de forma categórica: “vivemos a urgência de não deixar ninguém para trás”.

Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)​, observou o enfraquecimento social, no atual momento em que a própria política é avaliada de forma negativa. “A política é uma construção coletiva, se não tivermos esse sentimento com relação a ela não vamos avançar e recuperar a importância das políticas públicas”, explicou a professora.

Sob esse aspecto, Esther baseou sua análise quanto ao comportamento das massas. “A gente não está lidando com um fenômeno individual, estamos lidando, desde as eleições de 2018, com um fenômeno de massa. Como a massa se comporta? Estudos de Freud apresentam que o diálogo com a massa é complicado porque ela se movimenta por paixões e por afetos. Atualmente, as massas sociais estão em um momento de raiva e paixões, por isso não conseguimos soluções simples. As condições econômicas e de segurança pública deixam as pessoas angustiadas”, avaliou.

Como alternativa, a professora aponta que “a construção passa por todos nós: ou vamos viver num país movido pela força do ódio ou pelo afeto e pela solidariedade o que, de fato, pode reconstruir o Brasil para alcançarmos o desenvolvimento”.

Ricardo Young, presidente do conselho deliberativo do Instituto Ethos, relembrou a Conferencia Ethos São Paulo de 2018, quando o Manifesto de 20 anos do Instituto foi apresentado e releu alguns pontos propondo a reflexão sobre o quanto conseguimos caminhar de lá para cá. “É preciso frear as ameaças ao modelo democrático para construir uma sociedade justa e solidária”, leu Young em referência ao que se configurou na atual conjuntura.

“Um ano se passou dessa leitura e vimos a piora de muitos dos aspectos que o manifesto trazia. Ele prenunciava os tempos que viriam, na dimensão política, econômica e social”, concluiu o presidente do conselho deliberativo do Instituto Ethos.

A partir dessas induções, um dos painéis que contou com apurada análise foi: Compromisso por um Acordo Setorial de Mineração. Após fortes abalos, o setor da mineração ainda busca mudanças e a retomada da credibilidade.

Ivan Simões, diretor de assuntos corporativos da Anglo American​, sugeriu que é preciso “reimaginar a mineração de forma a melhorar a vida das pessoas”. Segundo ele, um dos aspectos fundamentais para trabalhar de forma mais sustentável passa pelo desenvolvimento regional colaborativo. “É preciso considerar a região e todo o entorno para trabalhar em parcerias com os atores regionais. Se faz necessário trabalhar em conjunto, com o poder público e com as comunidades para que tenhamos uma mineração sustentável”, avaliou.

Marcelo Klein, head da diretoria especial de Reparação e Desenvolvimento da Vale, contou sobre mudanças implementadas na mineradora. “Uma diretoria especial de reparação e desenvolvimento foi criada. Além disso, estamos trabalhando em um esforço de contenção de rejeitos e resíduos que foram espalhados após o desastre. A ação mais efetiva, de fato, é o monitoramento da situação de cada barragem com os níveis corretos de cada operação”, explicou.

Marcelo também falou sobre os cuidados com os familiares das vítimas. “São pequenos detalhes, mas que têm uma simbologia muito importante para os familiares que perderam parentes, para que tenham apoio e alento na caminhada, na retomada da vida após o ocorrido”.

“A mineração não é apenas o minério de ferro, temos: nióbio, ouro, zinco, cobre, titânio, pedras preciosas, areia… a gama de produtos de mineração é muito grande. Então, precisamos criar segurança jurídica para desenvolver o setor da mineração como se deve. A atividade ocupa meio por cento de todo o território nacional, movimenta 4,2% do PIB e gera 2 milhões e 300 mil empregos”, destacou Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, que apontou ainda ser preciso “trazer a cadeia produtiva do setor para mais perto e entender o que é necessário para considerar a segurança operacional”.

Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, concluiu ser “urgente a mudança no modo de operar do setor de mineração do Brasil e que temos a oportunidade de uma construção coletiva para enfrentar essa questão setorial, para mitigar de maneira radical a possibilidade de desastres como o de Brumadinho e de Mariana”.

Mudando de assunto, mas ainda sob o prisma da Integridade, empresas como o Carrefour e Grupo Makro compartilharam experiências no diálogo: Cultura de Integridade – implicações do Programa de Compliance para o RH.

Thais Arruda, superintendente de compliance do Carrefour, explicou que a área de Recursos Humanos precisa ser parceira da área de compliance. “Podem surgir vários métodos e fórmulas, mas se a alta administração não estiver envolvida não surtirá efeito”, e ainda completou explicando que “não adianta ter uma receita de bolo e achar que ela vai funcionar em toda a empresa, respeitar as diferenças é muito importante, principalmente na hora de comunicar os objetivos da ação”.

Na prática, o Carrefour indica “ser oportuno aproveitar o momento de realização de pesquisas de clima para que a área de compliance possa implementar um trabalho preventivo a fim de identificar se alguma área está sofrendo com comportamento transgressor, em detrimento dos valores éticos da companhia”.

Christina Montenegro Bezerra, diretora de ética e compliance do Grupo Makro ​compartilhou a estratégia da empresa. “Criamos a Norma, uma coruja para falar sobre as questões de compliance. Através da hashtag #SeLigaNaNorma viabilizamos uma conexão emocional com o público”. No mais, o grupo investiu em uma parceria fundamental com a área de RH para investigação dos casos que são reportados pelo canal de denúncias. “O modelo ideal, que funcionou para nós, foi envolver a área de negócios junto ao RH para resolver questões comportamentais”.

Seguindo a premissa destacada pela diretora-adjunta do Instituto Ethos, Ana Lúcia de Melo Custódio, a qual dita que “ter uma cultura de integridade vai muito além de ter regras escritas e expressas, pois as pessoas precisam estar convencidas e conscientes do que estão fazendo”, Antonio Carlos Hencsey, diretor de cultura ética de educação da Protiviti Brasil, explicou que tanto o desenho dos valores como a manutenção deles são indispensáveis. “Um programa de compliance requer responsabilidade, sobretudo em como escrever as regras e valores da empresa para que possam ser assimiladas e seguidas”, avaliou.

Por: Rejane Romano, do Instituto Ethos

Fotos: Clovis Fabiano, Mauricio Burim e Thiago Lopes

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