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As empresas e a biodiversidade em 2013

20/02/2013

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Por Jorge Abrahão*

MEBB realiza sua primeira reunião do ano para apresentar os resultados das respostas aos indicadores de monitoramento dos compromissos e planejar as atividades.

O Movimento Empresarial pela Biodiversidade – Brasil (MEBB) reuniu-se no início de fevereiro, em São Paulo, para discutir suas metas e estabelecer seu plano de ações para 2013. Os objetivos a serem atingidos são, entre outros, a aprovação de um marco legal que garanta a repartição justa dos benefícios gerados pelo uso sustentável dos recursos da biodiversidade, o estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento tecnológico da biodiversidade brasileira e um trabalho para aprimoramento dos Indicadores do MEBB, que monitoram os compromissos assumidos pelas empresas-membros e servem como uma ferramenta de gestão.

Tais objetivos demonstram o comprometimento das empresas com a questão da conservação e uso sustentável da biodiversidade brasileira. Mostram, também, a consciência dessa parte do empresariado a respeito do diferencial que o Brasil possui – a biodiversidade – para avançar no seu próprio modelo de desenvolvimento sustentável.

O que é o MEBB

Esse movimento foi constituído em 2010 por um grupo de empresas, com o objetivo de mobilizar o setor empresarial brasileiro para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e estabelecer um diálogo com o governo, com a academia e com os demais setores da sociedade para dialogar sobre temas como: valoração da biodiversidade e serviços ecossistêmicos, acesso e repartição de benefícios, pagamentos por serviços ambientais, inovação tecnológica, pesquisa e outros que influem na maneira como as empresas podem aprimorar seus negócios na direção de uma nova forma de gerir a economia.

Ao aderir ao MEBB, as empresas assumem os seguintes compromissos:

  • Incorporar nas estratégias corporativas ações voltadas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade;
  • Contribuir para a definição das metas nacionais que o país deve adotar como signatário que é da Convenção pela Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB). A CDB é um tratado internacional sobre conservação da diversidade biológica do planeta e promoção do seu uso sustentável em favor do desenvolvimento sustentável. Essa convenção foi lançada durante a Rio-92 e mais de 180 países se comprometeram com suas diretrizes. Em 2011, o Brasil estabeleceu metas em um Plano de Ações até 2020, com a contribuição das empresas que compõem o MEBB;
  • Criar mecanismos para que as cadeias de valor não contribuam para a degradação ambiental e perda de biodiversidade;
  • Assegurar que suas atividades privilegiem a manutenção e a recuperação dos biomas brasileiros;
  • Recompensar de forma justa e equitativa a contribuição das comunidades tradicionais e dos povos indígenas, por meio da repartição dos benefícios resultantes do desenvolvimento e da comercialização de produtos provenientes da biodiversidade;
  • Sistematizar e compartilhar as boas práticas empresariais de conservação e uso sustentável da biodiversidade;
  • Promover o engajamento do empresariado, da sociedade civil organizada e do Estado num diálogo constante e consistente sobre o aperfeiçoamento do marco regulatório referente ao tema;

Monitorar os compromissos empresariais assumidos na Carta Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade.

Indicadores do MEBB

Em 2012, o MEBB desenvolveu seus próprios indicadores, constituídos por um questionário com 51 perguntas divididas em quatro temas: Política; Boas Práticas; Cadeia de Valor; e Repartição de Benefícios. Os Indicadores do MEBB servem tanto para monitorar o cumprimento dos compromissos pelas empresas que pertencem ao movimento quanto como uma ferramenta que auxilie na gestão da biodiversidade pelas empresas..

Durante 2012, as empresas puderam responder esses indicadores. Os resultados delineiam um retrato sobre o comportamento delas em relação à biodiversidade. Responderam ao questionário 29 empresas, membros do MEBB, representando 41% do movimento.

As respostas, apresentadas durante a reunião do MEBB realizada em São Paulo mostram que:

No tema “Política”:

  • 69% criaram comitês específicos ou estruturaram áreas/equipes para tratar do tema biodiversidade na organização;
  • 76 % consideram a conservação e uso sustentável da biodiversidade na estratégia de negócios da empresa;
  • 79 % mobilizaram recursos da organização (pessoas, orçamento etc.) para desenvolvimento de ações não compulsórias relacionadas à conservação e uso sustentável da biodiversidade.

Em “Boas Práticas”:

  • 48% mantêm áreas protegidas;
  • 59% ajudam a manter áreas protegidas públicas.

Em “Cadeia de Valor”:

  • 86% dão preferência para comprar produtos certificados ou que tenham cadeias de valor verificadas quanto à origem dos insumos derivados da biodiversidade;
  • 66% priorizam fornecedores com ações de conservação da biodiversidade.

Planejamento

Com base nesses números, o MEBB traçou o foco para 2013: delinear novos modelos de negócio baseados na conservação e uso sustentável da biodiversidade, com repartição justa e equitativa dos benefícios.

Para chegar lá, foram definidos os seguintes objetivos:

  • Fortalecer o engajamento das empresas com o movimento, por meio de eventos e posicionamentos setoriais sobre os temas referentes à biodiversidade;
  • Criar estratégias para evidenciar a relação das empresas com a biodiversidade;
  • Influenciar as políticas públicas, principalmente a aprovação de uma política nacional de biodiversidade; e
  • Aprimorar o monitoramento dos compromissos assumidos pelas empresas do movimento, por meio da melhoria dos Indicadores do MEBB. 

Com relação ao aprimoramento das práticas empresariais, o MEBB espera chegar ao final de 2013 com:

  • os Indicadores de Monitoramento dos Compromissos do MEBB preenchidos por 100% das empresas participantes do movimento;
  • as empresas investindo, por meio de parcerias, no desenvolvimento tecnológico da biodiversidade brasileira;
  • a publicação de um guia de referência para a gestão empresarial de negócios sustentáveis que considere a conservação da biodiversidade do país e dos serviços ecossistêmicos na cadeia de suprimentos.

No que tange a políticas públicas, as expectativas são para que o país:

  • aprove e regulamente o novo marco legal de Acesso e Repartição de Benefícios(ABS, na sigla em inglês);
  • ratifique o Protocolo de Nagoya, o acordo complementar à Convenção pela Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB). Esse protocolo estabelece diretrizes internacionais de repartição justa e equitativa de benefícios advindos da utilização de recursos genéticos;
  • estabeleça as metas nacionais de biodiversidade até 2020, a exemplo do que já fez em relação às emissões de carbono, por exemplo.

Na reunião ocorrida em São Paulo, os participantes também aprovaram alterações no estatuto do movimento, com a criação de um Conselho Consultivo.

Hoje, fazem parte do MEBB 71 empresas, entre as quais Vale, Alcoa, Carrefour, CPFL, Itaipu Binacional, Natura, Nestlé, Suzano, Unilever e Walmart . Também são membros 13 entidades, como o Instituto Ethos, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla).

* Jorge Abrahão é presidente do Instituto Ethos.

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