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Brasil caminha para a marca de 100 mil óbitos pela Covid-19

03/08/2020

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Enquanto isso, políticas públicas falham e o distanciamento social diminui

 

O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos de Covid-19 oficialmente notificados. Só está atrás dos Estados Unidos. A primeira morte no Brasil pela Covid-19 foi registrada em 12 de março de 2020, nestes quase 5 meses o país está próximo de 3 milhões de contaminados pelo vírus.

Nesse momento, próximo aos 100 mil óbitos pelo vírus, todos os estados brasileiros, sem exceção, estão no estágio mais elevado de risco, quando classificados pelos critérios do Instituto de Saúde Global de Harvard, considerados pela média de novos casos de Covid-19.

A omissão do governo federal na elaboração de uma estratégia nacional continua, na raiz da desarticulação das respostas dos estados e no comportamento da sociedade reflete o fato das recomendações da OMS terem sido desprezadas, assim como as práticas sugeridas pela experiência dos países que obtiveram maior êxito no combate à pandemia não terem sido adotadas.

Acompanhe alguns dos pontos cruciais neste contexto levantado pela Rede Solidária de pesquisa, para a iniciativa “Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade”.

● Flexibilização do distanciamento físico: entre maio e julho, 25 estados relaxaram as medidas de distanciamento físico sendo que vários governadores flexibilizam suas políticas mesmo diante do crescimento da taxa de infecção e de mortes;

● Testagem ineficiente: os dados de testagem e as compras estaduais confirmam que a maioria dos estados brasileiros optou pela aplicação de testes sorológicos, chamados de testes rápidos, que não são considerados os melhores para um diagnóstico preciso e o controle da pandemia e as políticas públicas adotadas pelos estados não fizeram parte de estratégias integradas, baseadas em programas de testagem em massa e identificação dos infectados e seus contatos;

● Falta de transparência: a produção e divulgação regular de dados pelos estados melhoraram, mas se mantém insuficientes para permitir políticas públicas de qualidade.

“A Rede de Pesquisa Solidária tem consciência do enorme desafio que a sociedade brasileira enfrenta para fazer avançar o debate público sobre as razões que empurram o país para a trágica marca de 100 mil óbitos pela Covid-19 e acredita que é fundamental um engajamento maior da sociedade na demanda por melhores respostas das autoridades públicas”, destaca o boletim 18.

Recomendações

A Rede de Pesquisa Solidária acredita que “há políticas que ainda podem ser adotadas para melhorar a resposta da sociedade à pandemia” e lista quatro pontos:

1. Aumentar a disponibilidade e realização de testes RT-PCR que permitem identificar pessoas doentes especialmente em estados com carência de estruturas e equipamentos necessários para realização deste tipo de testagem nos casos suspeitos;

2. Adotar medidas que favoreçam o rastreamento, a identificação e o isolamento de contatos e de pessoas infectadas, de modo a viabilizar estratégias diversificadas de combate à pandemia;

3. Dar transparência e divulgar para a sociedade dados sobre a evolução da pandemia em tempo real incluindo a incidência da média móvel de novos casos diários identificados por testes RT-PCR e sorológico separadamente;

4. Ampliar a fiscalização das medidas de distanciamento físico e implementar a retomada das políticas de rigidez para aumentar o isolamento em estados com dados indicativos de risco elevado.

 

Por: Rejane Romano, do Instituto Ethos

Foto: Pixabay

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