CONFERÊNCIA ETHOS

Conferência em Belém dialogou sobre o desenvolvimento sustentável na Amazônia


02/12/2019

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Bioeconomia e sociobiodiversidade estiveram em pauta

A 3ª edição da Conferência Ethos 360º em Belém foi marcada por reflexões de como defender a Amazônia do desmatamento, promovendo soluções sustentáveis de agroflorestas, de respeito à biodiversidade e de como aplicar parâmetros de integridade para balizar um novo olhar sobre a bioeconomia da região.

Hervé Rogez, professor titular da Universidade Federal do Pará, vice coordenador e coordenador do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia e diretor geral do Centro de Valorização Agroalimentar de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), pontuou as dificuldades enfrentadas para o Brasil empreender na região: “A bioeconomia é muito recente aqui na região norte. Estamos num momento no qual é necessário compreender a indústria, ir à campo conhecer as pessoas que trabalham com bioeconomia. Existe uma capacitação científica necessária, sobretudo para as empresas e para a economia”, avaliou.

“Estamos muito atrasados na missão de conservar e repartir de forma consciente como, por exemplo, quanto as políticas de manejo florestal”, observou Claudia Kahwage, gerente de sociobiodiversidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará.

Quanto ao papel das empresas, José Mattos, gerente de Relações Institucionais da Natura explicou que “a empresa vem aprimorando as técnicas e passando por inovações ao longo dos seus 50 anos de história”, e disse ainda que “o empreendedorismo sempre esteve em nossa veia e agora implantamos um programa chamado Coragem, que conta com uma pessoa que não tem o primeiro grau. Temos vivido dessas pequenas grandes evoluções”.

Os debates sobre o crime organizado na Amazônia, a grilagem e o desmatamento demonstraram que as soluções estão longe de serem alcançadas. Girolamo Domenico Treccani, professor da Faculdade de Graduação e do Programa de Pós-graduação em Direito ICJ/UFPA, disse que o debate sobre grilagem não é recente, mas nas últimas décadas cresceu. “Várias comissões de inquérito tentaram mapear essa realidade e aqui, infelizmente, acredito eu, a fragilidade do sistema magistral criou sim dificuldades. Vários responsáveis de cartório foram afastados e há muitos municípios que têm mais papel do que terra”, observou o professor. A dificuldade de fiscalização é uma realidade e foi destacada por Andréa Coelho, diretora de Fiscalização da Semas/PA: “O contexto com que se trabalha com a grilagem é de ameaças de morte. Já houve casos de uma mesma equipe ser recebida a bala, mais de uma vez, numa mesma operação. É muito importante que o governo federal assuma responsabilidade porque a questão da exploração ilegal de madeira está muito ligada ao crime organizado”.

A mensagem principal dos palestrantes dos 20 painéis de debates se resume na certeza de que ainda há tempo de recuperar o caminho do desenvolvimento sustentável. “É possível frear o desmatamento, a perda da biodiversidade e o aquecimento. Esse é o terceiro ano que trazemos para cá exemplos práticos de que isso é possível”, ressaltou Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos.

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