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Conferência Ethos: os aspectos econômicos da interseccionalidade ontem e hoje

Debates desta semana destacaram os conceitos de interseccionalidade e economia circular

18/06/2021

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A pandemia está agravando as desigualdades que existem dentro de nossa sociedade. Com isso, alguns grupos que já vivenciavam dificuldades devido a carência de políticas públicas, estão sofrendo mais os impactos da Covid-19 (sejam esses impactos sociais, ambientais ou econômicos). Uma das estratégias discutidas por especialistas para amenizar estes impactos, é a economia circular e como este tópico se relaciona com a interseccionalidade. É sobre este tema que a Conferência Ethos dialogou nessa semana e você ainda pode assistir no canal do Instituto Ethos no YouTube.

Economia circular e estratégias de reocupação pós-pandemia

 

Catherine Weetman

Assista ao painel.

Os diálogos foram iniciados pela professora universitária e fundadora da Rethink Solutions, Catherine Weetman, mestre em Logística e Distribuição pela Cranfield University. A professora explicou como a economia circular é afetada pela pandemia e como ela pode ser uma alternativa para a urgência em políticas de investimento.

Catherine explicou que as organizações que atuam em sustentabilidade estão começando a ver os benefícios das estratégias circulares, como desacelerar o fluxo de materiais e obter mais produtividade. “Significa que podemos usar menos, no geral, e termos uma pegada ecológica muito menor, usando menos também”, disse a professora universitária.

Também foi destaque neste painel a questão da reciclagem. Para a mestre, é importante encorajar o reuso ou circulação, “em vez de propriedade, estamos tentando encorajar as pessoas a terem acesso a produtos e serviços”, concluiu Catherine.

Como a interseccionalidade ajuda a pensar novos futuros?

Sirma Bilge

Assista ao painel.

Sirma Bilge, professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Montereal, traz em pauta o tema da interseccionalidade como ferramenta para auxiliar na reestruturação pós-pandemia. Em sua fala, destacou que, para além da teoria, a interseccionalidade é, também, uma prática.

“A interseccionalidade claramente estava lá, nas lutas sociais, antes de ser uma teoria acadêmica.”
Sirma Bilge

A professora destacou que, para ela, a ideia de “pós-pandemia”, assemelha-se mais a “pós-colonialismo”, devido ao impacto de transformação causado. “Esse ‘voltar ao normal’ é uma violência, se não aproveitarmos a oportunidade para nos recusarmos a voltar ao normal, então não aprendemos nada”, finaliza Sirma.

Zerar impactos e regenerar como potencial para inovação nas empresas

 

André Borges e Andressa Borba

Assista ao painel.

O diálogo contou com Andressa Borba, diretora de Desenvolvimento Responsável & Comunicação Corporativa na Leroy Merlin Brasil e André Borges, head de Sustentabilidade no iFood dentro da área de ESG. A conversa teve como objetivo destacar a importância da adaptação e de atitudes imediatas para manter as operações das empresas de maneira cada vez mais sustentável.

Andressa contou sobre o projeto “Orgânico 2”. Ela explica que dentro das unidades da Leroy Merlin, há refeitórios que produzem grandes quantidades de resíduos que poderiam ser utilizados. “Então, o projeto foi criado e ele ajudou a reduzir a nossa pegada de carbono […]. Agora, os resíduos são usados em compostagem e para adubar hortas que criamos nos nossos espaços.”

Já o André Borges, comentou sobre o projeto “iFood Regenera”, que tem como objetivo tornar o iFood carbono neutro e zerar a poluição plástica das suas super ações até 2025. A meta é que 50% das entregas em 2025 sejam feitas por modais não poluentes, ou seja, bicicletas, motos elétricas, entre outros. Para zerar a poluição plástica, o head disse “precisamos combater o plástico de uso único, e sentimos que os clientes e restaurantes também estão muito engajados nisso”.

A prática da interseccionalidade para a transformação social e ambiental

 

Márcia Lima, Daniela Rosendo e Ana Claudia

Assista ao painel.

Márcia Lima, professora do departamento de Sociologia da FFLCH-USP, retomou o tema da interseccionalidade considerando o momento em que este debate chegou ao Brasil. A professora traz para a roda de diálogo referências bibliográficas como Kimberlé Williams e Patrícia Hill Collins. “Patrícia fala da interseccionalidade em três aspectos: primeiro, como campo de estudo. Segundo, como forma de pensar, e terceiro, como práxis crítica”, explicou Márcia.

“A dimensão da interseccional pode ser vista como construções de identidades e como ferramenta para enfrentar problemas relacionados a injustiça social.”
Márcia Lima

Daniela Rosendo, coordenadora pedagógica da pós-graduação em Direitos Fundamentais e Políticas Públicas, iniciou sua fala propondo um exercício mental. A coordenadora propôs que os telespectadores e demais participantes do painel se imaginassem em um local paradisíaco e sem pandemia. O local proposto se chama Quiribati, um arquipélago localizado na Oceania. Propôs, então, para que imaginassem o mar subindo gradativamente, até tomar as cidades e ruas. “Logo, não vemos mais terras, o mar tomou conta. É trágico, não é? E infelizmente, é o que deve acontecer em Quiribati dentro dos próximos 15 anos”, disse Daniela ao finalizar o exercício.

Em sua fala, a coordenadora chamou atenção para os problemas ambientais e como eles impactam desproporcionalmente as populações. Ela explicou que Quiribati é um país com a economia pautada em pesca. Não é um tipo de atividade que contribui fortemente para mudanças climáticas, mas não obstante, sofre impactos terríveis. “Os países que mais contribuem com mudanças climáticas, são os que menos sofrem, enquanto os que geram menos impacto, são os que mais sofrem com essas mudanças”, finaliza Daniela.

Ana Claudia, analista de Programas em Governança e Participação Política na ONU Mulheres, ressaltou a importância de trazer o contexto da palavra interseccionalidade, relacionando-a com uma vontade de mudança social, e que só posteriormente ganhou o verniz acadêmico. Ao entrar no tema relacionado a espaços de representação, a analista apontou que: “esses espaços tem que ser mais interseccionais, e não apenas na agenda intersecional. Eu acho que temos mulheres negras, indígenas e quilombolas que podem falar sobre outras coisas além disso”, e conclui dizendo que apenas “quando tivermos mais diversidade, vamos ter resultados diferentes”.

Afroempreendedorismo e cadeias de valores inclusivos

 

Cesar Nascimento

Assista ao painel.

O último painel desta semana, contou com a fala de Cesar Nascimento, fundador e conselheiro da Integrare. O empreendedor comentou sobre o desafio da criação de cadeias de suprimentos inclusivas e como a pandemia afeta os afroempreendedores.

Cesar revelou que notou junto aos seus amigos, algumas dificuldades na hora de realizar uma venda. “Então, a gente notou uma barreira invisível para penetrar no mercado, e a gente passou a entender o que hoje é muito bem denominado, o racismo estrutural”, explicou em sua fala.

Para alterar essa realidade, Cesar Nascimento se baseou em um modelo estadunidense chamado National Minority Supplier Development Council, que se relaciona com a inclusão de negócios. Deste modo, a Integrare consegue abordar três públicos, sendo eles os afrodescendentes, pessoas com deficiência e os descendentes de índios brasileiros.

Acompanhe a Conferência Ethos

Consulte a programação da Conferência no site oficial e acompanhe os painéis ao vivo e gravados no canal do Instituto Ethos no YouTube.

Por: Lucas Costa Souza, do Instituto Ethos.

Foto: Pexels

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