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Copa não mudou a lógica de distribuição de recursos públicos

06/11/2013

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A avaliação foi feita em 5/11, durante a primeira mesa do seminário “Transparência na Copa 2014 em Curitiba: Como Está Esse Jogo?”.             

A escolha de doze cidades-sede para a Copa do Mundo no Brasil não alterou a concentração dos investimentos públicos no país, segundo a professora Olga Firkowski, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Observatório das Metrópoles. A avaliação foi feita na tarde desta terça-feira (5/11) durante a primeira mesa do seminário “Transparência na Copa 2014 em Curitiba: Como Está Esse Jogo?”. Também participaram do debate Reginaldo Luiz dos Santos Cordeiro, secretário de Urbanismo e chefe da Secretaria Extraordinária Copa do Mundo de Curitiba, o vereador Paulo Rink, presidente da Comissão Especial para Assuntos Relacionados à Copa do Mundo, e Hélio Bampi, vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

“No início, quando foram selecionadas doze cidades para sediar a Copa, pensamos que isso poderia servir para dispersar um pouco a distribuição dos investimentos públicos. Mas não foi o que nós verificamos”, explicou Firkowski.

As pesquisas do Observatório das Metrópoles indicam que a maior parte dos investimentos permaneceu no Sudeste. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as cidades que mais receberam recursos, segundo os dados da Matriz de Responsabilidade pelas Obras da Copa do Mundo de 2014, documento oficial sobre os gastos com o Mundial da Fifa.

A concentração de recursos, segundo levantamento organizado pela professora, também é observado quando se analisam as regiões metropolitanas. Os investimentos em mobilidade urbana foram feitos preferencialmente na cidade-sede (78%) e só uma pequena parte foi destinada as outras cidades da região metropolitana (12%). “E os investimentos públicos nas outras cidades quase sempre eram ligados aos aeroportos”, explicou a professora.

Balanço das obras

Reginaldo Cordeiro, secretário extraordinário para a Copa do Mundo, ressaltou que a atual gestão recebeu o “planejamento para a Copa já pronto”. Durante a sua apresentação, ele fez um relato de como estava o andamento das principais obras pelas quais a prefeitura de Curitiba é responsável.

Cordeiro disse ainda que a procura por ingressos para os jogos em Curitiba surpreendeu. A cidade ficou em terceiro lugar, atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo, que receberão respectivamente o jogo de abertura e a final da Copa do Mundo.

“Curitiba será com certeza a cidade-sede mais organizada”, declarou Hélio Bampi, vice-presidente da Fiep. Ele, porém, cobrou a execução das obras inicialmente planejadas: “Anos atrás definimos 108 projetos. Hoje só temos 21 deles concluídos. Menos de 20% é um índice muito baixo”. Bampi também questionou a proposta de decretar feriado durante os dias com jogos em Curitiba. “Se existe um projeto elaborado, com área de exclusão, porque precisamos parar a Cidade Industrial de Curitiba [bairro que concentra as indústrias na capital paranaense], que não tem relação com o estádio do Atlético?”, questionou.

Outro que seguiu a linha de defender os atuais projetos para sediar os jogos do Mundial em Curitiba foi o vereador Paulo Rink. “Somos a mais barata entre todas as cidades-sedes”, explicou.

Sobre os atrasos nas obras, na opinião de Rink, nós brasileiros “precisamos aprender a planejar em longo prazo”. Mesmo assim, ele acredita que Curitiba e o Brasil conseguirão um legado positivo com a Copa do Mundo, “mesmo que seja de pouquinho em pouquinho”, avaliou.

O seminário integrou o Fórum Transparência e Competitividade, que se realizou nos dias 5 e 6 de novembro, em Curitiba, organizado pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e pelo Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar).

Por Pedro Malavolta (Instituto Ethos)

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