ETHOS SOCIAL

Diferença entre negros e não-negros no mercado de trabalho persiste


19/11/2016

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Tendo isto em vista, Ethos lançará iniciativa para estimular equidade racial nas empresas

negra

Dia 20 de novembro, próximo domingo, é o Dia da Consciência Negra, que comemora a luta do povo negro brasileiro. A data é aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, um dos líderes mais conhecidos da resistência à escravidão brasileira. O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão, em 1888, há menos de 200 anos. As diferenças sociais entre brancos e negros ainda estão presentes na sociedade brasileira.

As desigualdades no Brasil ainda levam muito em consideração a cor/raça/etnia. Na população considerada pobre, os negros são maioria. Em relação à educação, apenas 9,4% dos negros tem 12 anos ou mais de estudo, ou seja, não tem o Ensino Médio completo, segundo dados da extinta SEPPIR e do IPEA. A situação no mercado de trabalho é ainda mais alarmante: os negros ocupam menos cargos no executivo e de chefia e ganham, em média, 30% menos que os brancos, segundo os dados do DIEESE divulgados no último dia 17. Esta taxa era de 36% em 2014.

Ainda segundo o DIEESE, as taxas de desemprego aumentaram mais entre a população negra e os negros continuam recebendo rendimentos menores que os não-negros. Além disso, eles têm menos acesso à empregos com direitos trabalhistas e previdenciários garantidos. A situação das mulheres negras é ainda mais agravante: homens brancos tem rendimentos 60% superiores aos das mulheres negras e ocupam menos de 11% dos cargos de direção e executivos e tem a menor taxa de índice empregabilidade.

 Na última década, houve avanços nas políticas afirmativas para a população negra. Entre elas, a instauração de cotas para o ingresso na universidade e nos concursos públicos (20% para negros nos concursos federais). Contudo, o mercado privado tem avançados a passos lentos para diminuírem estas diferenças. No último “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, lançado pelo Ethos e pelo BID em 2016, foi possível perceber que apenas 3,6 das empresas tem políticas para inserção de afrodescendentes no quadro de colaboradores.

Um cenário que precisa ser mudado urgentemente com a colaboração dos mais diversos setores da sociedade. “Os negros são 4,7% nos cargos executivos e as mulheres negras apenas 0,6%. Há uma tendência de crescimento, mas nem todos estão conectados neste sentido. A resposta das empresas está muito abaixo de nossa visão do que é contemporâneo, de entender a diversidade como algo fundamental para avançarmos como sociedade”, acredita o diretor-presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão.

Com este desafio colocado, o Instituto Ethos vai lançar, em dezembro, o Guia Temático dos Indicadores Ethos – CEERT para Promoção da Equidade Racial, uma parceria do instituto com Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (CEERT). O Guia Temático tem como objetivo estimular a diversidade racial, oferecer orientações para a incorporação de medidas que colaborem para a diminuição das desigualdades raciais, além de identificar boas práticas já existentes no mercado. Antes de ser finalizado, o Guia Temático foi aberto para consulta pública e após, aprimorado para abordar as recomendações dos participantes desta construção colaborativa.

Além desta medida, o Ethos lançará, em 2017, o Fórum Empresarial Nacional de Equidade de Gênero e Raça – iniciativa liderada pelo Ethos e CEERT, apoiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e financiado pelo Fundo Newton do governo britânico – que se propõe a ser um movimento indutor para implementação e aprimoramento de políticas públicas e práticas empresariais, em um esforço coletivo para superar a discriminação de gênero e raça nas empresas.

Por Bianca Cesário, do Instituto Ethos.

Foto: Blogueiras Negras

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