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Licença social para operar: temor ou valor?

21/07/2016

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A licença social para operar não é prevista em lei, não está escrita em um papel e não prevê penalidades legais. Diferentemente da licença prévia, licença de instalação e licença de operação, antigas conhecidas do mundo empresarial, a licença social muitas vezes é esquecida pelas organizações, justamente por não fazer parte de um rito formal, normatizado.

No contexto corporativo, por vezes regido por questões exclusivamente monetárias e pautadas em custo versus benefício, a licença social que não estiver explicitada pelos cálculos mais óbvios e evidentes é comumente esquecida. Em um mundo cada vez mais interconectado, interligado e intercomunicado, as empresas têm sido pegas de surpresa. De repente, a comunidade bate à porta e, quando menos se espera, anos de investimento são postos em risco.

O assunto em si não é novo. Há três décadas, o especialista Ian Thomson estuda esse tipo de licença. Certa vez ele mencionou que “além de obter licença legal para operar, é preciso conseguir no mínimo a anuência da comunidade, que deve estar ‘de acordo’ para a empresa praticar atividades nas vizinhanças. O ideal é que a pessoas vejam a operação como vantajosa. A partir desse momento, elas começam a se referir ao projeto como ‘nossa mina’ ou ‘nossa fábrica’. Elas se sentem donas também”.

Na última década, atuando por meio de empresas em comunidades no Brasil, Peru e Colômbia, pude comprovar as palavras de Thomson na prática. As companhias em geral passam anos se preocupando com os trâmites para a obtenção das licenças prévias, de instalação e de operação, mas cada vez mais o momento da inauguração, que deveria ser uma grande alegria, converte-se em pesadelo. E a licença social, que, a priori, parece não gerar qualquer despesa, coloca todo o investimento realizado em risco.

Afinal, quanto custa uma unidade fabril, que está pronta para operar, cujas atividades podem ser interrompidas pela comunidade? Qual o custo diário em termos de produtos? E o custo para a reputação?

Esse risco ocorre porque as empresas, ao fazer a lição de casa estudando e avaliando aspectos práticos relacionados ao negócio, esquecem-se de dialogar com a comunidade, de conhecer as interfaces, compreender suas demandas, expectativas, anseios e vocações.

Não há mal que não possa ser desfeito. Contudo, nesses casos, quase sempre o empenho e esforço aumentam. O diálogo, que inicialmente seria de construção conjunta, passa a ser de autodefesa.

Por isso, fica a dica. Tão importante quanto os aspectos considerados inerentes ao negócio, como viabilidade de recursos naturais, logística, aspectos legais, entre outros, é o diálogo que permite a edificação de uma perspectiva de valor compartilhado de curto, médio e longo prazo com as comunidades. É preciso entender as relações locais que envolvem poder público, organizações sociais e sociedade civil. Mergulhar em cultura, valores e história é imprescindível.

Esse é o caminho certo para criar valor, para assegurar, após anos de investimento na etapa de projetos, que a operação será exitosa. Não isoladamente, mas em parceria, somando forças à comunidade, que verá sua empresa como parte integrante da comunidade e de suas transformações positivas.

Por Liliane Rocha, da Gestão Kairós.

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