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Corrupção na Fifa

28/05/2015

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Oito dirigentes da Federação Internacional de Futebol, um dos quais José Maria Marin, foram presos em ação conjunta entre EUA e Suíça.    

A menos de 48 horas do início da votação para a presidência da Fifa, sete de seus dirigentes foram presos, em Zurique, nesta quarta-feira (27/5), durante uma ação coordenada entre os Estados Unidos e a Suíça. Um deles é José Maria Marin, ex-presidente da CBF. Também foram presos os vice-presidentes da Fifa Jeffrey Weeb e Eugenio Figueredo e, ainda, Eduardo Li, presidente da federação costarriquenha, Julio Rocha, presidente da federação da Nicaráqua, Costas Takkas e Rafael Esquivel.

Do outro lado do Atlântico também foram detidos quatro empresários. Dois ex-membros do comitê da Fifa foram indiciados pela Justiça norte-americana, mas não chegaram a ser presos: são eles Jack Warner, ex-vice presidente da entidade máxima do futebol e presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), e Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Warner se entregou às autoridades de Trinidad e Tobago no final do dia; já Leoz deixou de ser preso por estar internado no Paraguai, para exames de rotina.

Todas as detenções são relacionadas ao processo que corre na Justiça Federal dos Estados Unidos. Segundo comunicado à imprensa, lançado nesta quarta-feira, as investigações apontam para um esquema com 24 anos de existência para o enriquecimento dos dirigentes da Fifa, com base em cobranças de propina dos interessados em transmitir e comercializar publicidade nos eventos de futebol. De acordo com o comunicado da Justiça dos EUA, o esquema envolveu o pagamento sistemático de mais de US$ 150 milhões em propinas. Entre as empresas citadas, está a Traffic, de propriedade do brasileiro José Hawilla. A Traffic é a responsável pela comercialização dos anúncios publicitários ao redor dos gramados em diversos campeonatos pelo Brasil, além de ser dona do passe de jogadores e de ter participações em emissoras de rádio e televisão. A lista de detidos inclui outro brasileiro: José Margulies, também conhecido como José Lazaro, o controlador da empresa marketing esportivo Valente Corp.

Para a procuradora que comandou as investigações nos EUA, Loretta E. Lynch, “o processo aponta para um gigantesco e sistemático esquema de corrupção, com raízes profundas tanto no exterior como nos Estados Unidos”.

Paralelamente, a Procuradoria-Geral da Suíça deflagrou uma operação para apreender documentos da Fifa. Os suíços investigam a possibilidade de ter havido compra de votos na escolha das sedes das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).

As prisões dos dirigentes latino-americanos foram feitas na Suíça para garantir que eles possam ser julgados nos EUA, já que os dois países mantêm um tratado de extradição.

Resposta da Fifa

A Fifa reagiu rapidamente. Primeiro, baniu 11 membros de todas as atividades relacionadas ao futebol. São eles os nove indiciados no processo da Justiça americana, incluindo Marin e ainda Charles Blazer, antigo representante dos EUA no comitê da Fifa, e Daryll Warner, filho de Jack Warner. Os dois são citados no processo da Justiça americana.

A Fifa também soltou uma nota à imprensa em que seu presidente, Joseph Blatter, afirma que não estaria envolvido nos casos investigados e acrescenta que a “Fifa sempre colaborou com a investigação da Justiça suíça”.

Blatter quer garantir que a eleição seja realizada na próxima sexta-feira (29/5), no final do congresso anual da entidade. Ele é candidato ao quinto mandato, estando no cargo desde 1998. Seu único concorrente é o príncipe Ali Bin Al Hussein, da Jordânia. Dois candidatos europeus desistiram da disputa na sexta-feira anterior (22/5) – o presidente da confederação holandesa, Michael van Praag, e o ex-jogador português Luís Figo –, por considerarem que não têm chance de ser eleitos. Em sua página de Facebook, Figo chegou a declarar: “Esse processo [eleitoral] é um plebiscito para dar poderes absolutos para um homem. E com isso eu não posso compactuar”.

O pleito conta com 209 eleitores. Blatter tem o apoio da maioria deles, das confederações asiáticas e africanas, as duas maiores regiões. Porém, o resultado fica um menos previsível após as prisões. Há até a possibilidade de se adiar a eleição.

Pedidos para adiar a eleição

A Transparência Internacional, que recentemente organizou suas ações para o combate à corrupção nas atividades ligadas ao esporte, emitiu uma nota na tarde desta quarta-feira pedindo para que a eleição seja adiada e que Joseph Blatter não concorra a mais um mandato.

Para Cobus de Swardt, diretor da ONG, “Blatter deve sair da disputa e novas eleições precisam ser convocadas, para marcar uma nova era para a Fifa”.

O Comitê Executivo da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) também defendeu o adiamento das eleições da Fifa. Nota divulgada também na quarta-feira afirma que “os membros do Comitê Executivo da Uefa estão convencidos de que existe uma forte necessidade de mudança na liderança dessa entidade e acreditam fortemente que o Congresso da Fifa deve ser adiado, com novas eleições para a presidência, a serem organizadas nos próximo seis meses”.

Michel Platini, presidente da Uefa, afirmou, nesta quinta-feira (28/5) que grande parte dos membros da entidade irão votar no príncipe Ali Bin Al Hussein, único adversário de Blatter na eleição que definirá o novo presidente da Fifa.

Esquema já conhecido

Muitos dos elementos presentes no processo da Justiça americana já foram denunciados pela imprensa. Andrew Jennings, um dos jornalistas investigativos mais críticos à FIFA, já havia descrito ações parecidas em seus livros Um Jogo Sujo e, o mais recente, Um Jogo Cada Vez Mais Sujo. Todos os citados no processo são também personagens no livro de Jennings.

Como lembrou José da Cruz em seu blog, neste último livro, de maneira quase profética, o jornalista inglês escreveu logo na introdução: “Agora que este livro está concluído, vamos aguardar para ver se o FBI vai indiciar os principais membros da família Fifa-Blatter. As investigações do esquadrão do FBI contra o crime organizado, com sede em Nova York, começaram em 2010”.

Por Pedro Malavolta, do Instituto Ethos

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