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Fábio Gandour explica a inovação aberta

12/08/2013

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Cientista-chefe da IBM participa do painel “A Inovação Aberta: Desafios e Políticas para uma Economia Inovadora”, na Conferência Ethos 2013.

Dando sequência à série de entrevistas com os palestrantes da próxima Conferência Ethos, falamos hoje com Fábio Gandour, cientista-chefe no laboratório brasileiro da IBM Research Division, área da empresa voltada para os campos da ciência, tecnologia e pesquisa.

Gandour é médico e possui um PhD em ciências da computação. Ele tolera pouco e combate qualquer hipocrisia relacionada com o discurso em torno de ecologia e sustentabilidade como conveniência social, modismo passageiro ou apenas estratégia de marketing. Mas apoia e participa de qualquer iniciativa que resulte em bom uso de átomos, “nosso único e último recurso no planeta Terra”, como costuma salientar.

Por isso, ele destaca entre suas realizações a elaboração de modelos baseados em métricas científicas para orientar projetos e ações de sustentabilidade, levando em conta o número de átomos existentes no planeta – uma grandeza finita e calculável –, o crescimento populacional e a forma de utilização destes átomos.

Assim como o entrevistado da semana passada, Luiz Mello, diretor de Tecnologia da Vale, Gandour também estará no painel de “A Inovação Aberta: Desafios e Políticas para uma Economia Inovadora”, que será realizado no dia 5 de setembro, e nos explica um pouco sobre esse tema.

Instituto Ethos: O senhor vai participar de um painel sobre inovação aberta na Conferência Ethos. Poderia nos falar um pouco sobre esse conceito e sua influência para um desenvolvimento sustentável?
Fábio Gandour: O conceito de inovação aberta foi criado pelo professor Henry Chesbrough, da Universidade de Berkeley, por volta de 2003, depois de um longo período de profundas observações nos meios de produção do mundo em geral e dos Estados Unidos em particular. Ele constatou que, num ambiente globalizado e fortemente conectado tanto em comunicação quanto em cadeias de valores, não seria mais possível promover inovações apenas para consumo interno nas empresas, a partir de seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento.

Assim, após a aplicação dos tradicionais mecanismos de promoção e proteção do capital intelectual criados como incentivo à inovação – aqui me refiro a patenteamento –, os quais, afinal, monetizam a inovação e garantem o financiamento do processo inovador futuro, as empresas deveriam compartilhar seus resultados através de licenciamento e/ou venda de suas patentes.

A esse maior compartilhamento de resultados, Henry Chesbrough chamou de inovação aberta. No entanto, na minha opinião – já discutida com o próprio Henry Chesbrough –, o adjetivo “aberta” criou um viés equivocado de entendimento, por se sobrepor ao conceito de “software aberto” como sinônimo de algo gratuito.

De fato, a inovação aberta é mais um processo de trabalho colaborativo, ou compartilhado, entre instituições que possuem declarado interesse comum nos resultados da referida inovação. Entendo que seria melhor chamar a “inovação aberta” de “inovação colaborativa”. Mas é inegável que o título “inovação aberta” possui, como tantos outros, um forte apelo de marketing, nada mais.

Quanto à sua influência para um desenvolvimento sustentável, entendo que o melhor impacto que a inovação colaborativa pode trazer para a sustentabilidade em qualquer circunstância é na otimização de recursos que agora são compartilhados. O compartilhamento evita duplicações e, portanto, o desperdício. Além disso, vejo pouca influência de uma na outra.

IE: Em que estágio está o Brasil na estruturação de políticas para uma economia inovadora?
FG: O Brasil tem avançado rapidamente na construção de um arcabouço legal que promova e estimule a inovação por meio de financiamentos. Esse avanço acontece a partir de iniciativas lideradas por órgãos públicos, tanto na esfera federal quando na estadual. Até na esfera municipal, os gestores conseguem atuar em sincronia com os movimentos de promoção da inovação através da tecnologia, com a construção dos parques tecnológicos que hoje se espalham pelo país.

No entanto, faltam nessa equação dois termos importantes: um é o setor privado que prefere buscar incentivos e isenções fiscais a investir em métodos e processos inovadores; o outro é representado pela academia, berço natural do pensar inovador, que só agora ensaia se aproximar do setor privado.

Por Neuza Arbocz, para o Instituto Ethos

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