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Falas potentes marcam mais uma quinta-feira de Conferência Ethos

Evento, cada vez mais, se denota como espaço de reflexão, compartilhamentos e aprendizados

27/11/2020

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Evento, cada vez mais, se denota como espaço de reflexão, compartilhamentos e aprendizados

Mais quatro painéis foram exibidos nesta quinta-feira (26), na programação da Conferência Ethos 2020. Marcada pela pluralidade de temas e participantes, nesta vigésima semana do evento, virtual e gratuito, tivemos a participação de lideranças empresariais e representantes da academia e da sociedade civil.

Todo conteúdo, que já soma quase 90 vídeos, traz importantes análises sobre temas diversos, que abordam questões como: economia, gestão, sustentabilidade, desigualdades, meio ambiente, juventude, clima, negócios e muito mais. Para assistir aos painéis exibidos nessa semana e nas demais, basta acessar a playlist da Conferência Ethos, disponível no canal do Ethos no YouTube.

Confira abaixo alguns destaques dessa última semana:

15h – Hydro oferece: Como construir uma plataforma de participação e desenvolvimento territorial para Amazônia legal?

Fadwa Andrade Mohamadieh, gerente sênior de Responsabilidade Social da Hydro, foi a moderadora do painel cujo “objetivo era promover um diálogo sobre os grandes desafios e oportunidades em operarmos na Amazônia Legal e que arranjos podemos promover juntos para uma economia integradora”, como explicou Fadwa.

Eduardo Figueiredo, diretor de Desenvolvimento Territorial e diretor do Fundo de Sustentabilidade da Hydro, explicou as ações da empresa na região. “A Hydro tem operações ao redor do mundo. No Brasil, nossa operação é focada em Pará, onde temos uma série de ações socioambientais, com uma área exclusiva para desenvolvimento de projetos para as populações locais. Criamos um fundo, uma associação sem fins lucrativos, para destinar recursos às comunidades […] Criar essa iniciativa, sem fins lucrativos, é também para testar esse mecanismo, de forma que a empresa venha a atuar com um ator no território”, contou e observou ainda, sobre o papel das empresas ao atuar na localidade. “É preciso ir além do compliance e participar da comunidade, ser um bom vizinho, o que não é fácil. Não há uma regra para isso, o que temos é a política pública. Um dos pilares é observar quais são as políticas públicas e também a capacidade de diálogo, que não deve ser unidirecional. O diálogo vai além de sentar, apresentar um projeto e receber feedback. Leva tempo, muito esforço em transparência e concessão em parcerias concretas. Como, ao invés de contratar uma empresa, optar por fortalecer associações locais, tendo paciência para que elas alcancem maturidade. Essa plataforma de convívio é muito importante para a gestão territorial”, destacou.

Fábio Abdala, gerente regional de Sustentabilidade da Alcoa, compartilhou as experiências como o Fundo Juriti Sustentável. “Observamos as demandas locais e buscamos gerar um patrimônio para o longo prazo. O Fundo, desde 2008, tem sido uma opção de gestão de recursos para a população local. Ao longo de 10 anos, abrimos editais de forma que já apoiamos 42 projetos, atendendo a 108 comunidades, beneficiando 3500 pessoas, com 1 milhão de reais já investidos. O Fundo se tornou um agente catalisador, uma alavanca para o desenvolvimento local. Um exemplo de gestão e governança para a agenda mineral”, apresentou.

Já Sergio Andrade, diretor executivo da Agenda Pública, pautou sua fala em analisar o desenvolvimento econômico sustentável, fazendo inclusive o lançamento de uma publicação sobre o tema, na Conferência Ethos. “Em nossa experiência observamos alguns gargalos. O primeiro é o problema de repertório, pois o trabalho dos agentes que promovem desenvolvimento local se divide numa atuação mais antiga, para intermediar interesses de empresas que poderiam se instalar no local ou o modelo da política Sebrae, com capacitação de empreendedores, que substitui a secretaria de desenvolvimento. Chamo esse modelo de novo repertório, que pensa a atração de investimentos e a tributação, entre outros. Outro problema é de voluntarismo das escolhas. Alguém tem uma ideia brilhante como a de criar um polo têxtil, mas sem políticas e arranjos a ideia não sobrevivi. A qualidade da governança é fundamental, pois uma governança pouco flexível acaba falhando. E, por último, a gestão fragmentada, que não contribui com o impacto coletivo. Quando se trata de problemas públicos é essencial uma governança inclusiva, que traga quem é parte do problema e parte da solução para o diálogo”, elencou.

Para concluir, Sérgio analisou o que em seu ponto de vista é um modelo assertivo de atuação. “Acredito num modelo de participação em coprodução de soluções. Nesse conceito de governo aberto focamos em problemas, que entendemos como desafios, e trazemos o governo e a sociedade para pensar em como criar soluções”, ponderou.

16h10 – Ball oferece: Circularidade real e oportunidades para inovação e para o desenvolvimento sustentável

Paula Oda, coordenadora de Projetos em Práticas Empresariais e Políticas Públicas do Instituto Ethos, apresentou o painel explicando sobre o conceito de economia circular que, segundo ela, “é estratégico e traz a remodelagem de projetos e novas formas de fazer negócios, inclusive quanto ao uso de recursos”.

Pere Fullana, diretor da cátedra da Unesco em Ciclo de Vida e Mudanças Climáticas, falou sobre o ciclo de vida dos produtos. “As instalações industriais estão cada vez mais limpas, porque há diferente políticas quanto a melhores técnicas de gestão ambiental e tecnologia. Mas, o impacto ambiental segue crescendo exponencialmente, porque a economia está crescendo, a população aumentando e há a entrada de economias emergentes, o que aumenta a quantidade de produtos no mercado. Quanto mais produtos, mais contaminação (…). O foco do ciclo de vida é uma visão integrada entre produtos e seus impactos ambientais. Por exemplo, a União Europeia aposta na iniciativa de produtos verdes, em que todos passam por uma análise do ciclo de vida”, explicou.

Se, como observou Pere, “numa economia circular, todos os impactos ambientais, desde a energia gasta para a produção, devem ser avaliados”, Estevão Braga, head de Sustentabilidade da Ball, apresentou a escolha da empresa quanto as latas de alumínio. “Há alguns anos iniciamos um estudo sobre o ciclo de vida que detalha como podemos fazer análises, em nosso caso utilizamos a análise comparativa, quanto a diferentes tamanhos de embalagem de bebidas que são nossas concorrentes no mercado (…). Quanto aos resultados, identificamos diferenças entre os diferentes tipos de embalagens e encontramos que as embalagens de alumínio geram menos impacto ambiental. No caso da lata de alumínio, estamos bem, considerando os dados internacionais, pois reciclamos 98% delas. (…) Quanto a água, a pegada hídrica também tem uma diferença muito grande. Um impacto de 2 a 4 vezes menor que outras embalagens”, revelou.

E, concluiu compartilhando as ambições da Ball. “Não estamos satisfeitos e queremos fazer mais, vamos trabalhar para reduzir nossas emissões em 33%. Nossas metas, a longo prazo, estão bem ousadas com emissões primárias em 55% e mais 16% com relação aos nossos fornecedores, até 2030, independentemente da quantidade de lata que colocamos no mercado”, contou.

17h30 – Petrobras oferece: Educação para transformação digital – porque o Brasil precisa estimular jovens pesquisadores, cientistas e doutores?   

Leonardo Dufloth, coordenador de Mobilização de Novos Associados do Instituto Ethos, antecipou logo ao início que o painel teria “muitas abordagens” e as falas de Roseli de Deus,  coordenadora da Feira Brasileira de Ciência e Engenharia e livre docente da Escola Politécnica da USP; Sílvio Roberto Fernandes de Araújo, professor da UFERSA nos cursos de graduação e pós-graduação em Ciências da Computação; e, Alexandre Simões, professor e pesquisador na área de Robótica e Inteligência Artificial e co-fundador e trustee da RoboCup Brasil, de fato confirmaram essa percepção.

Roseli observou que “temos que aproveitar o meio digital de forma que a escola possa preparar para que, desde a infância, possamos nos apropriar mais” e contou sobre a feira em que há anos viabiliza a participação de alunos. “Na FEBRACE, damos visibilidade a estudantes e professores, de forma abrangente, a fim de demostrar que temos massa crítica e não podemos desperdiçar nenhum talento. Os EUA têm 10 vezes mais pesquisadores que aqui no Brasil, então precisamos ter melhores estratégias nesse sentido”, analisou.

Sílvio contou sobre a criação do projeto Robert. “Em 2012, um professor aqui da UFERSA convidou outro professor para uma formação. Recebemos de doação dois kits de robótica e, com isso, uma de nossas equipes participou de uma disputa e ficou em segundo lugar. Por conta desse destaque fizemos parceria com a secretaria municipal de Educação e nossos estudantes passaram a ser monitores e professores em escolas. Conseguimos assim criar um modelo bem-sucedido, ganhando prêmios que dão um ânimo muito grande. (…) O Robert surgiu a partir dessas experiências (…). Estamos no interior do nordeste, com uma universidade jovem, gerando oportunidades. Numa pesquisa que fizemos, a perspectiva que tentamos captar deles, quanto a ingressarem na universidade, responderam que não pensavam nisso antes do Robert. Agora todos querem”, compartilhou.

Alexandre analisou a importância da tecnologia. “Penso que essa revolução digital que a gente busca é talvez uma das mais importantes para o país nas próximas décadas e está ligada a uma mudança no paradigma educacional. Muito da educação que ainda temos está voltada ao século 19, tendo meninas educadas de uma forma e meninos de outra e a sociedade contemporânea quebra todos esses paradigmas. Se olharmos as empresas mais desenvolvidas do mundo veremos empresas voltadas a dados, tecnologia, então, o bem mais precioso hoje em dia é tecnologia”, avaliou.

Resgatando as falas da professora Roseli, é preciso “semear e tem que cuidar para a gente colher bons frutos”. Nesse sentido, destacamos que as inscrições na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE) vão até dia 30 de novembro. Jovens entre o oitavo ano e o ensino médio podem participar e os professores podem instigar os alunos a enfrentar esse desafio: www.febrace.org.br.

18h40 – O enfrentamento aos efeitos socioeconômicos da pandemia e a Ação Coletiva Solidária com mulheres do polo de confecção do agreste pernambucano

Scarlett Rodrigues, analista de Projetos em Práticas Empresariais e Políticas Públicas do Instituto Ethos, foi a moderadora do último painel do dia. “Nossa abordagem tem o objetivo de falar sobre mulheres e o mercado de trabalho”, explicou ela. E, assim foi feito, num diálogo com diferentes atores, considerando formas diversas de produção.

Juliana Gouveia, mestra em Direitos Humanos, graduada e especialista em História, compartilhou suas percepções sobre o projeto Vozes da Moda, realizado no agreste pernambucano. “Esse projeto foi um grande presente, em poder dialogar com os parceiros nessa iniciativa. Nesse momento de pandemia conseguimos nos reinventar e o Vozes da Moda se transformou numa grande ação solidária, que se preocupou com a formação das mulheres”, observou.

Ela falou ainda sobre conceitos que foram trabalhados pelo Vozes da Moda. “Incentivamos o associativismo e cooperativismo, com fortalecimento e empoderamento das mulheres e o eixo de enfrentamento a violência contra a mulher (…). O projeto Vozes da Moda teve a participação de mais de 100 mulheres, pensado para acontecer de forma presencial, conseguimos adaptá-lo para a forma remota, com eventos semanais, que terminam agora em dezembro. Essa ação solidária deixa evidente que é possível trabalhar com as mulheres nesse formato associativo. As mulheres se sentiram parte de um mesmo projeto, de uma mesma ação. É possível falarmos de sustentabilidade e de sororidade, mesmo buscando autonomia”, analisou Juliana.

Francismeire Silva, costureira industrial e empreendedora, reafirmou as falas de Juliana. “A ação solidária aqui em Caruaru encontrou as mulheres numa situação muito difícil. Participar dessa iniciativa caiu como uma luva, porque eu não estaria mais sozinha. Foi um momento de aprendizado, no qual aprendemos a trabalhar em coletividade e união”, destacou.

E ainda revelou: “Conversamos sobre gênero e isso abre nossa mente, nos ensina, passamos a enxergar que precisamos ser humanos (…). Que os laços que criamos não sejam desmanchados e que possamos dar continuidade, pois em termos do trabalho das mulheres, temos muitas dificuldades, como a carga de trabalho que realizamos. Somos mulheres, trabalhamos com mulheres, nos amamos e temos que nos valorizar, pois temos nosso lugar. Tivemos muitos aprendizados e a nossa grandiosidade nesse coletivo foi que não nos conhecíamos e quando nos unimos nosso propósito foi ajudar quem estava precisando (…). Estamos unidas para geração de renda de todas as mulheres: cis, trans, todas”, concluiu.

Por: Rejane Romano, do Instituto Ethos

Foto: Unsplash

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