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Fome, violência e descrença nas decisões de flexibilização marcam a pandemia no Brasil

Estudo revela ainda novos problemas decorrentes do atual cenário

28/07/2020

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Em nova rodada de consulta às lideranças de comunidades vulneráveis, a Rede de Pesquisa Solidária revela que a segurança alimentar continua sendo o principal problema dos mais vulneráveis e que o aumento da violência doméstica se torna um problema flagrante e cada vez mais grave nas comunidades. É o que apontam os resultados da terceira onda de coleta de dados do “Painel de monitoramento com lideranças comunitárias sobre os impactos do avanço da pandemia da Covid-19”, que integra a iniciativa “Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade”.

Além desses problemas, outras chagas sociais têm se acentuado nesse momento, como: crescente uso de entorpecentes; situações de conflito com a polícia; aumento da procura por cestas básicas, ao mesmo tempo em que diminuem a distribuição e as doações; e, dificuldades financeiras que atingem com força pequenos comerciantes que não se beneficiaram do auxílio emergencial ou de políticas alternativas de proteção.

A percepção sobre os impactos negativos da flexibilização das medidas de distanciamento social também é outro fator que contribui com a instabilidade no atual cenário. Oito em cada 10 entrevistados indicaram que a flexibilização do distanciamento físico terá impactos negativos em seus territórios, sendo recorrente a percepção de que aumentará o contágio e tenderá a piorar os efeitos da pandemia. Sendo que, 27,6% das menções negativas enfatizaram o medo do contágio da população, enquanto 20% dessas menções salientaram a descrença da população na gravidade da pandemia.

Para a realização dessa nova pesquisa os pesquisadores ouviram lideranças de 75 comunidades, bairros e territórios de alta vulnerabilidade social em diferentes regiões do país, de áreas urbanas das regiões metropolitanas de Manaus, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Salvador, Joinville e Maringá.

Para este 17º boletim, foram contatadas as mesmas lideranças das duas rodadas anteriores do monitoramento consolidadas no boletim 7 e no boletim 12, assim como novos representantes das mesmas regiões. Quase metade das lideranças (47%) não confia na capacidade dos governos locais de garantir a segurança da população na implementação das medidas de flexibilização do distanciamento físico.

As entrevistas da terceira onda do monitoramento foram realizadas entre os dias 06 e 16 de julho de 2020. Os resultados foram elaborados a partir do depoimento direto de 75 lideranças (de um total de 117 contatadas) que responderam perguntas padronizadas por meio de aplicativos de celular.

Para 80% das lideranças comunitárias de 8 regiões metropolitanas, foi generalizada a percepção de que as medidas de flexibilização do distanciamento trouxeram impactos negativos para a população; parcela bem menor, de 13,7%, visualizou impactos positivos da pandemia, ligados a maior possibilidade de geração de renda; e 5,5% indicaram que não haveria grandes impactos, sobretudo porque em suas regiões as medidas de distanciamento social não haviam sido aplicadas ou respeitadas.

Dentre as recomendações da Rede de Pesquisa Solidária constam: urgente regularização da oferta de cestas básicas; execução de medidas de proteção aos pequenos comerciantes; campanha de informação sobre as medidas de flexibilização do distanciamento físico; apoio as famílias que não têm como, onde e nem com quem deixar seus filhos na volta ao trabalho; e, a ampliação dos mecanismos de proteção social, como enfrentamento ao aumento do consumo de drogas e as situações de violência policial.

Saiba mais em: redepesquisasolidaria.org

Por: Rejane Romano, do Instituto Ethos

Foto: Unsplash

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