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Liderança como impulsionadora dos negócios sustentáveis

27/07/2013

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Questões sociais, ambientais e éticas começam a ocupar a agenda da alta direção, que compreende que a discussão é sobre a perenidade do negócio.

Por Sérgio Mindlin*

É cada vez mais clara a necessidade de as empresas considerarem questões sociais, ambientais e éticas em seus negócios, seja para antecipar e mitigar riscos, seja para criar oportunidades ou se preparar para as demandas da sociedade e dos consumidores mais exigentes. Tais discussões deixam o âmbito das áreas funcionais de meio ambiente ou sustentabilidade na estrutura das empresas e começam a ocupar a agenda da alta liderança, que compreende que a discussão é sobre a perenidade do próprio negócio.

Novas medidas de avaliação, que integrem o desempenho econômico, social e ambiental, precisam ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas. Essa integração é vital para garantir uma orientação estratégica de longo prazo e exige novas competências dos líderes e a ampliação das esferas de influência.

Quais são essas competências? E que ferramentas existem ou precisam ser construídas para aferir o desempenho empresarial? Como as instâncias de governança das organizações podem contribuir com a visão de longo prazo? Qual é o papel das mulheres na governança? Elas trazem mesmo um novo estilo?

Essas são algumas perguntas que desafiam a alta gestão das empresas. A correta abordagem e resposta a elas representa o acesso a um mundo novo de oportunidades, o dos negócios sustentáveis. Dar as costas a isso pode significar o fim do negócio.

Para contribuir com a discussão sobre a formação de um novo tipo de liderança, a Conferência Ethos 2013 está organizando um módulo sobre o tema, chamado “Conversa de Líderes”, cujo conteúdo foi construído em parceria com o banco Santander.

O objetivo é oferecer aos participantes do evento a oportunidade de entrar em contato com líderes que já avançaram em algumas dimensões da sustentabilidade na gestão e podem apresentar sua visão de mundo, os resultados de suas experiências, os casos práticos, caminhos e descaminhos.

Em cada um dos três dias da Conferência, esse módulo vai reunir um tipo diferente de líderes: presidentes de conselhos de administração, mulheres líderes empresariais e vice-presidentes financeiros (CFOs – chief financial officers).

O Encontro Santander de Presidentes de Conselho de Administração vai se realizar no dia 4 de setembro, das 9h00 às 10h30, com as presenças confirmadas de Luciano Penido, presidente do Conselho de Administração da Fibria, de Pedro Parente, presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, e de Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos. O tema da conversa será “A decisão estratégica e o modelo de negócio sustentável: passando da visão para a ação”.

A ideia do encontro é contribuir para o debate e o amadurecimento do assunto pelos conselheiros e pelo público interessado nos temas da sustentabilidade e da governança corporativa.

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) já vem se debruçando sobre esses temas há algum tempo, entendendo o papel cada vez mais relevante da sustentabilidade nos negócios – a perda de oportunidade que representa não analisar os investimentos sob a ótica socioambiental e ética, além da econômica, e, ao mesmo tempo, a exposição ao risco que traz não levar em conta essas dimensões.

Em junho passado, o IBGC lançou um estudo sobre sustentabilidade nos conselhos de administração feito com sete empresas listadas no Índice Sustentabilidade Empresarial (ISE) na BM&F Bovespa para entender como os respectivos conselhos tratavam o tema.

Nas entrevistas com conselheiros dessas sete empresas, foram discutidos o surgimento e o entendimento do tema sustentabilidade nos conselhos e a relação entre sustentabilidade e estratégia corporativa, assim como o impacto na cadeia de valor, nos diversos stakeholders, na gestão, na cultura interna e no estabelecimento de parcerias estratégicas.

Os resultados mostraram que:

– A entrada da temática da sustentabilidade nos conselhos ocorreu tanto por iniciativa de um de seus membros como em função de fatos relacionados a compromissos, valores ou crenças – em alguns casos tornando-se tema constante ou mesmo fazendo parte das reuniões de discussões esporádicas e específicas;

– Não há um consenso, entre os membros de um conselho, e mesmo entre os conselhos estudados, a respeito da definição de sustentabilidade. As definições dadas mostraram as preocupações com situações diante das quais o negócio pudesse sofrer influências ou tivesse dependência, como o fortalecimento do aspecto econômico, passando pela conformidade e gestão de riscos dentro dos limites físicos das suas operações, até o melhoramento das relações conflituosas e o desafio de se trabalhar as questões ambientais de impacto global, como as mudanças climáticas;

– Todas as sete empresas entrevistadas estabeleceram algum tipo de órgão de apoio, direto ou indireto, para o conselho no que diz respeito à sustentabilidade. As estruturas criadas foram desde comissões (apoio indireto), passando por comitês (apoio direto) que tratam do tema sem destacá-lo na sua denominação (Comitê de Estratégia, por exemplo) até os comitês de sustentabilidade propriamente ditos;

– A frequência das discussões do conselho sobre sustentabilidade varia desde ser um tema presente em todas as reuniões até aparecer duas vezes ao ano, quando da comemoração de uma conquista ou quando se torna um tema crítico para a organização;

– Para os conselheiros entrevistados, dar a devida importância à sustentabilidade significa ter uma visão mais abrangente da gestão de riscos da companhia e do restante das melhores práticas de governança corporativa;

– Os conselheiros também concluíram que as empresas que não fizerem o bem para a sociedade vão sumir.

Para o IBGC, o estudo mostrou que:

– Os conselheiros mantiveram o tom para a sustentabilidade com vistas à longevidade da organização, à gestão de riscos ou à licença social para operar;

– Mostraram-se preocupados em mitigar ou compensar os eventuais impactos ambientais e sociais que as operações poderiam causar, deram importância ao código de conduta, aos valores organizacionais e à legislação relacionada aos direitos humanos e direito ambiental. Alguns reconheceram que a empresa existe para fazer o bem à sociedade;

– O padrão de negócios vigente, estimulado por investidores financeiros que demandam resultados de curto prazo, ainda limita uma atuação mais responsável por parte das empresas. O maior alinhamento das empresas com os interesses da coletividade no presente e no longo prazo seria uma boa oportunidade para resgatar a imagem e o papel das empresas na sociedade, ampliando a confiança nesse tipo de organização.

* Sérgio Mindlin é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos

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