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O direito à mobilidade e ao bem-estar

21/06/2013

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Para demandar dos governos a política econômica correta, temos de entender que é preciso investir em serviços públicos de qualidade para todos.

 

Por Paulo Itacarambi*

Vivemos no Brasil dias de pacíficas demonstrações de protesto e selvagens atos de vandalismo, como a destruição de parte do Itamaraty em Brasília. As pessoas estão querendo aprimorar a cidadania e ampliar o seu espaço de participação. E o que mais?

Para começar a discutir a questão, gostaria de chamar a atenção de todas as lideranças, principalmente das empresariais, para uma frase dita pela presidenta Dilma Rousseff em seu pronunciamento sobre as manifestações: “É preciso ouvir as vozes das ruas”. E o que essas vozes dizem? Se, como afirmam os jovens, não foi pelos vinte centavos, foi pelo quê?

Ao contrário dos países europeus, não houve reivindicações por mais empregos e salários. De fato, mesmo com um crescimento econômico reduzido (as estimativas falam num PIB de 2,5% este ano), o desemprego medido pelo IBGE está em 5,8%. A renda média do trabalhador, que em 2003 era de R$1.444,00 (em dinheiro atual), hoje é de um pouco mais de R$ 1.800,00, descontada a inflação.

A massa total de salários, que soma tudo o que é recebido como rendimento do trabalho, cresceu ainda mais, graças ao aumento da população empregada. Passamos de R$ 26,8 bilhões, em 2003 (sempre em valores de hoje), para R$ 43,3 bilhões – um salto de 62,8%, em valores reais.

As políticas de transferência de renda – das quais o Bolsa Família é a mais conhecida – e de crédito, aliadas ao crescimento do emprego formal, ajudaram a colocar 40 milhões de brasileiros na classe média e outros 10 milhões fora da linha da miséria. E o Programa Universidade para Todos (Prouni) já atendeu mais de 1 milhão de estudantes.

Hoje, a internet chega a 40% das casas no país, a frota de automóveis cresceu 119% em dez anos e, nos primeiros quatro meses do ano, foram comercializados mais de 1 milhão de veículos, por conta dos descontos no IPI.

Foram ganhos importantes em pouco menos de duas décadas, que não podem ser relegados para um segundo plano. No entanto, com todos esses ganhos, os jovens foram para a rua. O que está faltando?

Está faltando fechar a conta. Quem está na rua é a juventude de classe média e ela sabe que não está dando mais para pagar educação, saúde, transporte caro, e não ter segurança. Na classe média, cada um resolve o problema individualmente. O que nós estamos precisando é de soluções coletivas.

Então, trata-se, sim, de uma questão econômica: precisamos de uma nova política econômica. Precisamos priorizar os investimentos em saúde pública, em transporte público, em educação pública, em segurança pública. Esses assuntos não podem ser tratados só durante as eleições e depois esquecidos.

A corrupção também entra nessa equação, pois é lógico que ela retira recursos importantes que, de outra forma, seriam destinados aos serviços públicos.

A política econômica está na direção errada, aumentando o poder aquisitivo das pessoas, mas deixando para elas resolverem os problemas de bem-estar. Não é esse o caminho. É preciso aumentar os salários, logicamente, mas numa equação em que os serviços públicos atinjam o grau de qualidade demandado pela população e que essa qualidade seja universal, isto é, a mesma em Higienópolis e em Itaquera, em uma capital do Sudeste e numa vila na Amazônia.

Essa é a mensagem que os empresários também precisam entender, para demandar a política econômica correta dos governos: é preciso priorizar e investir em serviços públicos de qualidade para todos.

* Paulo Itacarambi é vice-presidente executivo do Instituto Ethos.

21 de junho de 2013

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