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Paul Nunes: “Inovação caminha de mãos dadas com a sustentabilidade”

30/09/2014

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Mercados emergentes como o Brasil têm grande potencial, mas precisam atuar em ritmo acelerado, diz o palestrante da Conferência Ethos 360°.

O mercado mundial do segmento de inovação tecnológica cresce em ritmo acelerado. Consequentemente, as empresas vêm tendo que se adaptar de forma constante a essa realidade, a fim de fazer frente à ampliação da concorrência e atender às novas demandas do mercado. Nesse contexto de intensas transformações, Paul Nunes, diretor global do Accenture Institute for High Performance, expôs o dilema das corporações no livro Big Bang Disruption, escrito em parceria com o pesquisador Larry Downes.

Formado em ciência da computação e mestre em gestão empresarial pela Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, Nunes é referência nos segmentos de inovação e tecnologia, com inúmeras publicações científicas e pesquisas divulgadas pelos mais prestigiados veículos de comunicação do mundo. Em sua visita ao Brasil, ele participou da Conferência Ethos 360º, momento em que ressaltou a importância das economias emergentes no mercado de inovação e a necessidade constante de se reduzir os custos de produção das novas tecnologias para torná-las mais acessíveis.

Instituto Ethos: Quais foram suas inspirações para escrever o livro?
Paul Nunes: O livro que escrevi anteriormente, Jumping The S-Curve (Pulando a Curva S), foi um grande ensaio sobre empresas que mantêm o sucesso por vários anos. Nos meus estudos, notei que a oscilação nas vendas dos produtos da maioria das corporações, ora em baixa, ora em alta, variava sob uma constante. E a busca por compreender todo esse processo foi minha grande inspiração para escrever o livro.

IE: Qual a importância dos países emergentes no mercado mundial de inovação?
PN: É interessante perceber o quanto a inovação e a tecnologia têm se democratizado nos últimos anos. Empresas em diversas partes do mundo estão constantemente se articulando, o que implica processos de produção cada vez mais integrados. Hoje em dia, é muito raro ver uma corporação autossuficiente. O modo de produção industrial no ramo de tecnologia está normalmente dividido em funções bastante específicas. Há os investidores, fabricantes, montadores e designers, cada um colaborando da sua maneira com o processo produtivo. A Apple, por exemplo, está sediada num país diferente de onde são montados seus produtos, que, por sua vez, são distribuídos mundo afora. Nessa cadeia produtiva, os países emergentes passaram a ter grande importância. Além disso, o mercado consumidor desses países tem crescido significativamente, o que os torna polos atrativos para investimentos também no ramo da inovação.

IE: Quais as maiores dificuldades para que os países emergentes aumentem sua competitividade no mercado mundial de inovação?
PN: Uma das principais dificuldades é dar escala às inovações com a rapidez que é exigida num mercado global cada vez mais competitivo e interligado. Não acompanhar esse ritmo de mudanças pode fazer com que os processos produtivos tornem-se comparativamente mais viáveis em outros países, o que também afasta novos investidores. O grande desafio é inovar em ritmo acelerado. As pessoas então mais conectadas do que nunca e isso faz com que as empresas tenham de acompanhar esse fluxo de comunicação, o que exige adaptações constantes e aprimoramento tecnológico dos produtos oferecidos no mercado.

IE: No que se refere ao mercado de inovação, quais as expectativas em relação aos países emergentes?
PN: Os países em desenvolvimento têm um grande potencial. Vivemos uma realidade na qual os investimentos deixaram de ser algo exclusivo dos países desenvolvidos. Hoje, muitas tecnologias surgem justamente nos países emergentes, principalmente na China e na Índia, que também passaram a ser centros irradiadores de inovação. Outro diferencial das empresas locadas nesses países é a criatividade e a facilidade de adaptação a cenários adversos. Elas são a prova de que inovar nem sempre é algo caro.

IE: Qual é o papel das inovações na construção de um modelo econômico mais sustentável?
PN: A inovação caminha de mãos dadas com a sustentabilidade. Ninguém produz pensando em destruir o planeta. E a sustentabilidade já é um compromisso global. No meu livro, ressalto que a constante queda nos custos dos projetos inovadores vem tornando as novas tecnologias mais acessíveis. E isso ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Em momentos de crise, é comum o mercado recorrer às inovações, criando novas alternativas e aperfeiçoando o que já existe. As pessoas anseiam por tecnologia e se ela custar caro não será algo acessível. Se uma inovação tiver preço alto, não será sustentável.

IE: Para encerrar, qual a importância dos debates promovidos pela Conferência Ethos 360º para fomentar as inovacões relacionadas à sustentabilidade?
PN: A conferência é uma oportunidade riquíssima para o intercâmbio de ideias. É o espaço ideal para que esses pensamentos saiam do papel e se tornem realidade presente na vida das pessoas. A aceleração no ritmo das inovações é algo inevitável. Debater com pessoas e empresas acerca disso é extremamente valoroso. Ouvir a opinião dos outros é fundamental para construirmos nossas convicções acerca do futuro. E isso é muito importante!

Veja a cobertura completa do evento em www3.ethos.org.br/ce2014/.

Por Murillo Pereira, da Envolverde, para o Instituto Ethos

Foto: Clóvis Fabiano/Instituto Ethos

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