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Roda de diálogo virtual discute a relação entre o desmatamento e a Covid-19

"A situação na nossa microrregião é grave”, disse participante de empresa da região paraense

08/07/2020

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Caetano Scannavino, coordenador da ONG Projeto Saúde & Alegria, Denise Hills, diretora global de Sustentabilidade da Natura e Túlio Brito, gerente de Responsabilidade Socioambiental Corporativa da Agropalma compartilharam suas reflexões e falaram sobre as experiências das organizações em que atuam a respeito da temática proposta para a roda de diálogo do dia 24/06: “O desmatamento ilegal e a Covid-19”.

O encontro, preparado exclusivamente para participação de representantes de empresas associadas ao Instituto Ethos, também contou com a mediação de Flavia Resende, coordenadora de Projetos de Meio Ambiente do Ethos, que contextualizou sobre a importância desse debate.

“O tema é muito relevante e urgente no Brasil”, ressaltou Flavia no início da conversa e, em seguida, comentou sobre os últimos acontecimentos da agenda climática no país, como a carta de 29 investidores enviada para as embaixadas brasileiras solicitando esclarecimentos sobre os retrocessos nas políticas ambientas, envolvendo a mudança climática e os ataques aos povos originários.

Juliana Soares, coordenadora de Relacionamento com Associados do Ethos, quem organiza os encontros das rodas de diálogo, levantou um questionamento sobre as relações entre o desmatamento e a Covid-19, logo após apresentar e agradecer a participação dos convidados do dia. Afinal, o que esses dois assuntos têm em comum e como um problema é capaz de impactar no outro?

Nesse sentido, Caetano Scannavino, coordenador da ONG Projeto Saúde & Alegria, organização que atua na Amazônia brasileira desde 1987, promovendo e apoiando processos participativos de desenvolvimento comunitário integrado e sustentável, falou sobre o cenário de dificuldades da região com o avanço da pandemia e o com início da época de queimadas.

Diante desse cenário, Caetano explicou sobre as ações desenvolvidas pela Saúde & Alegria em conjunto com outras organizações da região para fornecer equipamentos de suporte de respiração para municípios do Pará e doar máscaras, além do desenvolvimento de parceria com universidades para atuar no combate do avanço do coronavírus. “Também estamos contribuindo com consórcios para testagem local, principalmente em aldeias e comunidades, estamos auxiliando na distribuição de kits de cestas básicas e kits de proteção e higiene, além da participação em uma campanha ampla de informação e comunicação para o público do interior”, explica ele.

“Qual a nossa real contribuição em rede?”, indagou Denise Hills, diretora global de Sustentabilidade da Natura, abrindo sua fala e convidando os participantes para essa reflexão. “O desenvolvimento com preservação e impacto social positivo é uma realidade e qualquer negócio que não atua dessa forma é um negócio que está usando métricas antigas e não será reconhecido”, complementou Denise.

A diretora de sustentabilidade alertou sobre a necessidade das empresas e organizações que atuam na Amazônia de não deixarem espaço para retrocessos no trabalho de impacto social positivo desenvolvido na região até hoje e ainda avançar com novas iniciativas: “Precisamos criar mais ações, compartilhando conhecimentos e atuando em rede. Nossa contribuição é garantir que as comunidades sejam impactadas o mínimo pela atuação das nossas empresas, contribuindo para uma nova eficiência de negócio, afinal ‘there is no business in a bad planet’” (“não há negócios em um planeta ruim”, em tradução livre).

Ao dividir as experiências da Agropalma nesse cenário, Túlio Brito, gerente de Responsabilidade Socioambiental da empresa, contou que disseminação do coronavírus nos locais onde atuam foi muito rápida, se tornando um grande problema nas vilas do interior, que têm muitas pessoas aglomeradas. “A situação na nossa microrregião é grave, o fluxo de pessoas é intenso, com grande densidade demográfica. Além disso, o nível educacional da população é baixo, então a disseminação do vírus é muito rápida”, explicou ele.

Túlio esclareceu que a Agropalma se organizou para continuar com suas operações nesse momento, mesmo com 10% dos funcionários afastados, o que foi importante, pois muitos clientes utilizam o óleo na produção de alimentos. O gerente de Responsabilidade Socioambiental da empresa falou sobre as ações internas e de auxílio às comunidades locais empregadas pela empresa: “A Agropalma fez contribuições para comunidades mais afastadas, mas a primeira iniciativa foi ajudar a comunidade local, apoiando os governos e com ações internas de prevenção na empresa.”

Ao compartilharem as experiências, desafios e ações das empresas nas regiões que estão sofrendo com o avanço do desmatamento e da disseminação da Covid-19 ao mesmo tempo, os participantes comentaram como esse trabalho coletivo é importante: “Entender as regulações e juntar coletivos de empresas e organizações e incentivar as bases para garantir decréscimo do desmatamento não é uma coisa simples de fazer no momento. Precisamos buscar isso coletivamente para ter uma representação maior”, ressaltou Denise Hills.

A diretora global de Sustentabilidade da Natura complementou seu pensamento falando sobre a importância desse reforço positivo e dos movimentos sociais para que as boas práticas se tornem parte da regulamentação no futuro. “O reforço positivo é uma das coisas essenciais e os compromissos públicos têm peso e trazem os setores para a mesa. A regulamentação é essencial, mas não é, necessariamente, a primeira coisa que acontece. Os movimentos sociais começam a ser vistos como legítimos pela sociedade e é isso que está acontecendo com essa questão do desmatamento combinado com a Covid-19. Depois, esses movimentos acabam virando regulamentações e por isso é importante reforçá-los.”

Aliado a esse pensamento, Caetano Scannavino reforçou a importância de ressaltarmos a Amazônia como potência econômica para provar, cada dia mais, o valor da floresta em pé, principalmente como forma de conservação e de conter o aquecimento global e as mudanças climáticas: “Precisamos transformar a Amazônia numa potência bioeconômica. A floresta em pé dá muito mais dinheiro do que o desmatamento e a melhor maneira de investir no combate as mudanças climáticas é manter a conservação da biodiversidade e das reservas indígenas. Para manter a floresta em pé, precisamos demonstrar economicamente que ela vale muito mais em pé do que caída.”

“Ao mesmo tempo em que trouxemos questões nesse debate, também trouxemos soluções que já existem e ainda não foram implementadas, na perspectiva da sustentabilidade”, concluiu Juliana Soares ao final das reflexões dos participantes, transmitindo a mensagem positiva de que temos como caminhar para atuações que causem cada vez mais impactos positivos. “É sempre muito bom saber que têm pessoas qualificadas, engajadas e comprometidas atuando nessa agenda e inspirando mais pessoas a somarem ao movimento para termos resultados positivos, aproveitando as oportunidades que a nossa biodiversidade oferece”, finaliza ela.

Por: Laís Thomaz, do Instituto Ethos

Foto: Unsplash

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