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Será que nossas organizações estão preparadas para resolver problemas sociais complexos?

A pandemia da Covid-19 nos trouxe duas escolhas: desistir ou nos render

A pandemia da Covid-19 vem produzindo repercussões não apenas de ordem biomédica e epidemiológica em escala global, mas também repercussões e impactos sociais, econômicos, políticos, culturais e históricos sem precedentes na história recente da humanidade.

A estimativa de pessoas infectadas e mortas concorre diretamente com o impacto sobre os sistemas de saúde, com a exposição de populações e grupos vulneráveis, a sustentação econômica do sistema financeiro e da população, a saúde mental das pessoas em tempos de confinamento e temor pelo risco de adoecimento e morte, acesso a bens essenciais como alimentação, medicamentos, transporte, entre outros.

Diante desta situação de tamanha amplitude e de alta complexidade, a sociedade global precisará desenvolver iniciativas que sejam sistêmicas, participativas e inovadoras o suficiente para dar conta desses desafios interligados.

No entanto, é preciso tomar cuidado com a palavra “problema” quando nos referimos a pandemia da Covid-19, porque ela implica a existência de uma solução. Em problemas altamente complexos, dificilmente haverá uma resposta única e certeira.

Para ajudar a entender se um problema é complexo ou não, a situação precisa apresentar três tipos de complexidade: a dinâmica, a geracional e a social.

Um problema é dinamicamente complexo quando sua causa e seu efeito são interdependentes, mas se encontram afastados no espaço e no tempo e, portanto, não pode ser tratado com sucesso se for abordado por partes, mas só com uma visão sistêmica.

É socialmente complexo quando os atores envolvidos têm diferentes perspectivas e interesses e, portanto, não pode ser resolvido por especialistas e autoridades, mas só com o engajamento dos próprios atores envolvidos.

É generativamente complexo quando seu futuro é imprevisível e indeterminado e, portanto, não pode ser atacado com sucesso mediante a aplicação de soluções baseadas nas “melhores práticas” do passado, mas só com a aplicação de soluções novas e comprometidas com as “práticas futuras”.

Reconhece-se que não existe fórmula mágica para resolver tais problemas, porque os desafios complexos não são coisas resolvíveis. São problemas que não aceitam soluções prontas criadas em laboratórios ou escritórios a ser implementadas a posteriori. Para lidarmos com problemas sociais complexos é necessário caminhar por entre eles, de preferência acompanhados de todos os interessados na resolução e através de uma forma aberta de falar, escutar e criar novas realidades.

Diante de tamanha complexidade que a pandemia da Covid-19 nos trouxe, temos duas escolhas: desistir ou nos render.

Desistir significa abandonar nosso esforço de criar novas realidades sociais e, consequentemente, manter a conservação da realidade atual da nossa sociedade. Render-se significa aceitar que não podemos garantir qual será o resultado final dessa empreitada e, sendo assim, só nos resta mergulhar na construção de novas realidades sociais.

Qual escolha você irá fazer?

Por: Fábio Risério, sócio diretor da Além das Palavras, consultoria que atua no engajamento estratégico dos temas de Integridade e Sustentabilidade nos negócios e professor das disciplinas de Ética Empresarial e Negócios e Organizações Sustentáveis na FDC, FIA e PUC-Campinas.

Foto: Pexels

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