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Ethos analisa atuação do setor corporativo frente a pandemia do coronavírus

Instituto observa como empresas podem liderar e ser diferencial nesse momento de crise

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus nos coloca diante da necessidade de explorar significativas mudanças em nossos modos de ser e agir. Muito além dos aprendizados em higienização pessoal e dos ambientes, a Covid-19 claramente nos dá lições sobre interdependência e o quanto ações coletivas são fundamentais para superar crises.

Seguindo nossa missão, o Instituto Ethos abre diálogos sobre o papel-chave das empresas para liderar mudanças de paradigmas e contribuir efetivamente para a superação desse momento, entendendo que, assim, poderemos sair ainda mais fortalecidos enquanto sociedade. Trata-se de um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade, cujo impacto é ainda incalculável para a economia brasileira, para a balança comercial e para a dinâmica de diferentes setores da indústria. Desde janeiro até o início de março, o risco-país do Brasil (CDS – Credit Default Swap) subiu 45% e as previsões para o PIB em 2020, que já recuavam, agora apontam para piora ainda mais significativa considerando os riscos políticos epidemiológicos.

As análises e projeções econômicas, no nosso entender, não devem ser apartadas de uma reflexão sobre a distribuição desigual dos riscos, que tendem a afetar mais fortemente os desempregados – inclusive os mais jovens – e os trabalhadores informais, sem coberturas trabalhistas, incluindo negros e mulheres. As desigualdades fazem com que pessoas mais pobres se tornem as mais afetadas.

O papel do Estado é central nesse momento e as medidas e recomendações das autoridades de saúde devem ser seguidas à risca.  Adicionalmente a isso, entendemos que o setor privado deve, diante das incertezas colocadas no cenário atual, alicerçar suas tomadas de decisão nos princípios da responsabilidade social e na direção do desenvolvimento sustentável, a fim de não agravar as desigualdades já tão aumentadas nos últimos anos em nosso país.

Pelo mundo e no Brasil, há alguns exemplos do que tem sido possível fazer para contribuir nesse momento: desde empresas de bebidas e cosméticos usando suas linhas de produção para gerar insumos que contribuirão na prevenção e tratamento da doença, como empresas do varejo contribuindo com a liquidez de pequenos fornecedores para que não interrompam suas operações; o aumento de prazos por instituições financeiras para que pequenos negócios e pessoas físicas consigam fazer um melhor planejamento financeiro, entre outras. Medidas ainda tímidas, mas que mostram o quanto o setor privado pode ser ativo no desenvolvimento de soluções imediatas.

A crise, além disso, nos leva a observar as correlações entre as perdas e transformações de habitats e o aparecimento ou o reaparecimento de organismos patogênicos, a vulnerabilidade dos centros urbanos, a ultrapassagem das barreiras de espécies e a vulnerabilidade de nossas farmacoterapias nas florestas ameaçadas. Não somos vítimas passivas desses processos e ainda podemos fazer muito mais para reduzir os riscos de pandemias pela perspectiva ecológica ou pela garantia do humanitarismo, dos Direitos Humanos, da redução das desigualdades e da manutenção de mecanismos e instituições republicanas e democráticas. Mais do que nunca, as premissas de um desenvolvimento sustentável se mostram ainda mais urgentes.

Nesse sentido, é importante considerar em nossas reflexões a população indígena. A precarização da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a explosão desproporcional do desmatamento, a destruição das florestas e o avanço de práticas ilícitas e até religiosas podem colocar em risco a política de não contato que evita epidemias e massacres. A Covid-19 é uma doença não indígena e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas não estão estruturados para atender os contaminados. Cabe a todos nós a importante cobrança de soluções, de proteção ao modo de vida e aos territórios indígenas, e atendimento da SESAI em tempo hábil. Da mesma forma, é importante reconhecer a participação dos próprios índios para as alternativas de enfrentamento.

E ainda, precisamos destacar o importante trabalho de pesquisadores brasileiros, que desenvolveram o sequenciamento do coronavírus no Brasil pela técnica conhecida como metagenômica, promovendo informação e tecnologias a serem adotadas pelos órgãos de saúde, sobretudo no que toca à transmissão local.

Apoiar essas iniciativas significa ir além do esperado, estabelecer novos parâmetros de atuação e reforçar o protagonismo das empresas em atuar para que possamos, o quanto antes, recuperar aquilo que conhecemos como normalidade. Mas, sem dúvida, reforçados pelos aprendizados que estamos adquirindo ao longo dessa jornada.

Foto: Unsplash

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