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Ethos conclama que empresas parceiras de ONGs na Amazônia se posicionem

Instituto se posicionou contra grave ataque às organizações da sociedade civil

Há tempos o Ethos vem acompanhando e alertando para os retrocessos e ilegalidades aos quais nossa sociedade tem sido envolta. No dia de hoje uma das provas desse triste momento que vivemos foi o ataque a Organizações Não Governamentais (ONGs) de Santarém, que foram vítimas de prisões, buscas e apreensões. A alegação é de que essas organizações estariam envolvidas em um incêndio da Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, no estado do Pará.

Uma das ONGs que sofreu os ataques foi o Projeto Saúde e Alegria, que emitiu nota na qual declarou não ter conhecimento do que se trata. “O Projeto Saúde e Alegria foi surpreendido nesta manhã com a busca e apreensão de documentos pela Polícia Civil. Não existe no momento nenhum procedimento contra o Projeto Saúde e Alegria, mas apenas a apreensão de documentos institucionais no âmbito de um inquérito a respeito do qual ainda não temos acesso a nenhuma informação”, disse a entidade. “Reforçamos que estamos colaborando com as investigações. A instituição acredita no Estado Democrático de Direito e espera, assim como todos os que estão acompanhando, o mais rápido esclarecimento dos fatos”, descreveu a nota.

De acordo com as informações divulgadas pela polícia, foram colhidos indícios em dois meses de investigações que apontam o envolvimento da Brigada de Incêndio de Alter como “causadora do referido episódio”, o incêndio que atingiu a APA.

Quatro pessoas foram presas: Daniel Gutierrez, que estava à frente da operação, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner. E, também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão.

O que nos choca é a forma como essa investigação foi conduzida e as conclusões que chegou, visto que, até o momento, as provas apresentadas não são plausíveis. Não houve transparência nem mesmo no momento das apreensões.

Esperamos que as organizações, que há anos têm combatido os ataques e a destruição de áreas preservadas, não estejam sofrendo retaliações dissimuladas de ação investigativa. E que este não seja um ato de silenciamento quanto aos que vêm se opondo ao descaso, aos atos ilícitos, a corrupção e tantas outras práticas que põem em risco não só os avanços conquistados a duras lutas, mas principalmente, o Estado Democrático de Direito.

O Ethos conclama as empresas que atuam pela sustentabilidade da região amazônica em parceria com ONGs a se fazerem ouvir e a se posicionarem sobre este grave ataque as organizações da sociedade civil.

Foto: Pexels

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