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Ethos suspende Vale do quadro de associadas

Decisão visa cobrar responsabilidades dos executivos da empresa e ampliar o movimento para mudanças no setor da mineração no Brasil

O Ethos traz a público o resultado do processo de avaliação da empresa Vale, em decorrência do rompimento da barragem da mineradora, na Mina do Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), no que diz respeito ao cumprimento da nossa Carta de Princípios e dos compromissos assumidos pela empresa ao se associar ao Ethos.

Desde a sua fundação, o Ethos estimula as empresas a gerirem seus negócios de maneira socialmente responsável, incorporando em suas estratégias de negócio as dimensões econômica, social, ambiental e ética. Num esforço conjunto com as empresas e a sociedade civil, temos trabalhado por uma agenda de mudanças no comportamento empresarial pautada pelos princípios da primazia da ética, o comprometimento com a responsabilidade social e o diálogo.

Nesse sentido, sempre que tomamos conhecimento de problemas envolvendo empresas associadas que possam representar uma possível violação à nossa Carta de Princípios, da qual elas são signatárias, iniciamos um processo interno de avaliação da relação da empresa com o Ethos.

Com base em informações coletadas, por meio de ofício enviado à empresa e de pesquisa em fontes públicas e nos pareceres feitos pela Comissão Interna de Ética e o Comitê de Ética, o Conselho Deliberativo do Ethos entendeu que houve descumprimento da Carta de Princípios do Ethos pela Vale, no que diz respeito aos compromissos de Responsabilidade Social, Confiança e Integridade.

Por isso, a decisão foi pela suspensão da Vale do quadro de empresas associadas ao Ethos por um período de até 60 dias, a contar do dia 11 de março de 2019, quando a empresa foi comunicada por meio de ofício. Durante esse período, a atual Diretoria da Vale está convidada a se reunir com a Diretoria do Ethos, a Assembleia de Curadores e o Conselho Deliberativo para apresentar sua disposição em apurar efetivamente as responsabilidades da empresa e de seus executivos, contribuir para um processo coletivo de busca de soluções e propostas que contemplem mudanças estruturais no setor de mineração e que eliminem imediatamente os riscos de que novos eventos, como o de Brumadinho, voltem a ocorrer. Será a partir desse diálogo esperado entre Ethos e a diretoria da Vale que a relação associativa da empresa voltará a ser avaliada pelo Instituto Ethos.

Acreditamos que muitas das razões que levaram a esse desastre residem em aspectos que impactam todo o setor de mineração, como por exemplo a tecnologia das barragens, a fiscalização ineficiente, a falta de transparência e a tomada de decisão em cima de riscos. Além disso, a identificação de contingências graves e de alto risco no setor apontados por inúmeras autoridades implicam na necessidade de se discutir a atividade de mineração no país. Para isso, faz-se necessária uma ampla mobilização e diálogo entre as partes interessadas – empresas, governos, instituições públicas e sociedade civil – a fim de buscar soluções de curto e médio prazo para um setor tão estratégico para o nosso país.

“A suspensão da Vale em caráter temporário do quadro associativo do Ethos, decidida pelo Conselho Deliberativo, não só abre a possibilidade de ampla defesa como compromete a empresa a prestar contas e responder pelas suas responsabilidades junto à sociedade”, acredita Ricardo Young, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos.

O Ethos está disposto a contribuir com esse processo a fim de cumprir sua missão, ao mobilizar empresas para essa mudança, ao buscar o aprimoramento de suas práticas, ao discutir e formular novas políticas públicas e ao apoiar o diálogo intersetorial.

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