O futuro das empresas, da economia, do trabalho e do nosso planeta está em discussão. Mas, sobretudo, está em discussão o futuro da sociedade que queremos construir. E é impossível falar de futuro sem falar de democracia.

O Brasil se prepara para mais uma eleição geral. Será um momento de escolhas, de divergências, de debates e de diferentes visões sobre o país que queremos. E é assim que deve ser.

Em uma democracia, ninguém precisa pensar igual. A divergência é legítima, a crítica é necessária e a disputa entre diferentes projetos de país é saudável. O que não pode ser colocado em disputa são as próprias regras que tornam possível essa convivência: a Constituição, as instituições, a liberdade de expressão e de participação, os direitos fundamentais, a soberania do voto popular, o respeito à diversidade e o Estado Democrático de Direito.

O Instituto Ethos não se posiciona por candidaturas nem pretende orientar o voto de eleitoras e eleitores. O voto é livre, pessoal e soberano. Seu compromisso é com os princípios que sustentam a democracia. Por isso, reafirma sua convicção institucional: a democracia é inegociável.

Não importa se estamos falando de esquerda ou direita, de governo ou oposição, de empresas ou sociedade civil. A democracia é o espaço comum que permite que todas essas diferenças existam e é condição para o desenvolvimento de um país.

Não existe desenvolvimento sustentável onde as instituições são frágeis. Não existe segurança jurídica sem respeito às regras. Não existe mercado verdadeiramente livre quando decisões públicas dependem de relações de poder, privilégios ou arbítrio. Não existe responsabilidade social empresarial sem responsabilidade com a democracia. Por isso, defender a democracia não é uma agenda lateral para as empresas. É parte da sua responsabilidade perante a sociedade.

As empresas têm influência econômica, social e política. Elas estão presentes nos territórios, nas comunidades e na vida de milhões de pessoas. Essa influência traz responsabilidades. Significa respeitar a liberdade política de cada trabalhadora e de cada trabalhador, combater o assédio eleitoral e não utilizar estruturas, recursos ou relações de poder para constranger escolhas políticas. Significa não financiar nem tolerar a desinformação, respeitar a diversidade política, defender os direitos humanos, preservar instituições independentes e transparentes e ter coragem para se posicionar quando os fundamentos da democracia estiverem sob ameaça.

Neutralidade empresarial não pode significar indiferença. Da mesma forma, compromisso com a democracia não significa escolher um lado partidário. Significa escolher princípios.

Significa reconhecer que nenhuma promessa de crescimento, nenhuma agenda econômica e nenhuma idéia de ordem pode justificar ataques à Constituição, às instituições ou aos direitos fundamentais.

Governos podem – e devem – ser criticados. Políticas públicas podem – e devem – ser debatidas. Projetos de país podem – e devem – disputar o voto da sociedade. Mas as regras democráticas precisam permanecer de pé para que a divergência construtiva seja possível.

É por isso que, neste momento tão importante para o Brasil, o Instituto Ethos reafirma seu compromisso com a democracia, com a Constituição, com os direitos humanos, com a liberdade, com a participação, com a integridade das instituições e com uma sociedade em que empresas e lideranças econômicas exerçam sua influência com responsabilidade e compromisso com o interesse público.

Porque não existe responsabilidade social empresarial sem democracia. Não existe integridade sem respeito à Constituição. Não existe mercado verdadeiramente livre sob o arbítrio, há apenas permissões temporárias em um capitalismo de compadrio. E não existe desenvolvimento sustentável sem direitos, participação e justiça social.

A democracia nos permite discordar sem nos transformar em inimigos. Permite disputar ideias sem destruir instituições. Permite mudar governos sem romper as regras. Permite construir, juntos, um país onde diferentes visões possam coexistir.

É essa democracia que queremos preservar. É essa democracia que queremos fortalecer.

E é essa democracia que o Instituto Ethos afirma, hoje e sempre, que é inegociável.

Conferência Ethos 2026