O Instituto Ethos e a consultoria GlobeScan apresentaram, em evento presencial na sede da Sompo, os resultados iniciais da pesquisa “O papel das empresas na defesa da democracia e na construção de uma cultura democrática”. O encontro reuniu executivos para discutir a relação entre o Estado de Direito, o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades no país. 

O cientista político Fernando Abrucio, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que o Brasil vive, desde 1985, o período democrático mais longo de sua história. Conforme os dados apresentados, a estabilidade democrática viabilizou avanços sociais expressivos, como a universalização da saúde pública, a redução de 80% na taxa de pobreza desde a década de 1990 e o aumento no acesso à educação básica. Entretanto, o pesquisador alertou para riscos atuais, como o desequilíbrio entre os poderes da República e a oligarquização do sistema político decorrente do controle de emendas orçamentárias pelo Congresso. 

Álvaro Almeida, diretor da GlobeScan no Brasil, apresentou a prévia da pesquisa “O papel das empresas na defesa da democracia e na construção de uma cultura democrática”. O levantamento constatou um entendimento unânime de que a democracia beneficia o ambiente corporativo ao assegurar previsibilidade, isonomia competitiva e segurança jurídica. Conforme Almeida, as mídias digitais elevam o custo de manifestações públicas por causa da desinformação e da polarização. Embora as lideranças defendam a neutralidade partidária das corporações, rejeitam a neutralidade absoluta em relação aos princípios e às instituições democráticas. O relatório final da pesquisa será lançado oficialmente no dia 15 de setembro, data que marca o Dia Internacional da Democracia. 

A presidenta do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, Andréa Álvares, correlacionou a manutenção do Estado de Direito à redução das desigualdades estruturais e citou a publicação do livro “Os Custos das Desigualdades” como um esforço para pautar a justiça social sob a ótica econômica no debate corporativo.  

Como encaminhamento, os participantes propuseram a articulação de ações coletivas e a criação de coalizões setoriais para mitigar os riscos individuais das marcas ao se posicionarem sobre temas públicos.