Por: Tide Social – Assessoria de imprensa do Instituto Ethos
Com a proximidade das eleições e em um cenário de forte polarização política, as empresas assumem um papel importante na construção de ambientes de trabalho amistosos e seguros.
Para o Instituto Ethos, organização pioneira e referência em responsabilidade empresarial, estimular a participação cidadã e o voto consciente é parte da responsabilidade das organizações, porém esse compromisso deve estar acompanhado de diretrizes para que o processo democrático seja fortalecido e não colocado em risco.
“As empresas têm uma grande responsabilidade porque exercem influência econômica e política. Fortalecer os espaços democráticos significa garantir que diferentes opiniões possam coexistir sem que relações de poder sejam usadas para constranger, pressionar ou direcionar escolhas políticas. A responsabilidade empresarial também passa por defender a liberdade de cada pessoa e preservar o diálogo como instrumento de convivência”, afirma Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos.
O que as empresas podem e não podem fazer
A preocupação ganha relevância no ambiente de trabalho, onde a assimetria entre gestores e funcionários pode tornar uma manifestação política aparentemente informal em uma situação de pressão.
O Instituto Ethos recomenda que empresas estabeleçam políticas claras para prevenir e combater o assédio eleitoral, prática que pode envolver coação, intimidação, ameaça, pressão ou promessa de vantagens para influenciar o voto ou a abstenção de trabalhadores. Entre os exemplos práticos estão: demissão ou corte de benefícios caso determinado candidato vença, promessas de bônus ou promoções em troca de voto, constrangimento para participação em atos políticos e até a realização de enquetes internas sobre preferências partidárias.
Para o Ethos, entretanto, proteger a liberdade política no ambiente corporativo não significa silenciar o tema das eleições. As empresas podem contribuir para a qualidade do debate público ao oferecer informações sobre o funcionamento das instituições e estimular o voto consciente.
Com isso, a organização reúne 10 recomendações práticas para as empresas estabelecerem uma atuação responsável durante o período eleitoral:
1. Estimular o voto, sem indicar em quem votar.
Empresas podem promover ações educativas e apartidárias sobre cidadania, eleições e voto consciente. O que não cabe à organização é orientar funcionários a votar em determinado candidato, partido ou grupo político.
2. Alta liderança deve estimular a cidadania, sem direcionar escolhas políticas
Executivos e gestores têm direito ao voto e à manifestação de suas opiniões políticas como cidadãos. No entanto, pela posição que ocupam, devem ter atenção redobrada para não transformar uma opinião pessoal em orientação da empresa.
3. Manter a marca institucional distante das campanhas
A empresa pode defender políticas públicas e pautas relacionadas ao seu setor de atuação, mas não deve declarar apoio institucional a candidaturas ou associar sua marca, logotipo, produtos ou nome comercial a campanhas eleitorais.
4. Não disponibilizar recursos corporativos para campanhas
Auditórios, veículos, equipamentos, serviços e canais de comunicação da empresa não devem ser cedidos gratuitamente para atividades ou propaganda eleitoral. A mesma atenção vale para recursos digitais, listas de contatos, e-mails e dados internos, que não podem ser utilizados para favorecer ou prejudicar candidatos ou grupos políticos.
5. Não realizar doações eleitorais
Empresas não podem fazer doações a candidatos ou campanhas. A vedação também exige atenção à cessão de bens ou prestação de serviços gratuitamente ou abaixo do valor de mercado, que pode ser caracterizada como doação.
6. Garantir isonomia em eventos com candidatos
É possível promover encontros, para discutir propostas de interesse do setor empresarial, desde que seja assegurado tratamento isonômico aos concorrentes relevantes e que a participação dos funcionários seja totalmente facultativa.
7. Combater o assédio eleitoral
As empresas não podem realizar ameaças de demissão, cortes de benefícios ou fechamento de unidades em razão do resultado eleitoral, assim como promessas de bônus ou promoções, em troca de voto. Também é importante que as empresas orientem seus funcionários sobre os limites da manifestação política no ambiente de trabalho, além de informar gestores e equipes sobre o que caracteriza assédio eleitoral e disponibilizar canais para receber e tratar situações de pressão, constrangimento ou conflito de interesses.
8. Separar decisões profissionais de preferências políticas
Contratações, promoções e avaliações de desempenho devem considerar critérios profissionais e de mérito, sem influência de posicionamentos políticos. A empresa também deve respeitar o direito de colaboradores de se candidatarem a cargos públicos e estabelecer mecanismos para identificar possíveis conflitos de interesse.
8. Garantir o direito de voto
Empresas devem organizar as escalas de trabalho para assegurar que funcionários que trabalham no dia da eleição tenham tempo hábil para votar. O estímulo à participação cidadã pode ser feito de maneira apartidária, sem transformar o exercício do voto em uma obrigação relacionada à preferência por determinado candidato.
9. Separar a manifestação pessoal da posição da empresa
Funcionários e executivos têm direito à manifestação política fora do ambiente de trabalho. Para preservar essa liberdade sem comprometer a imagem institucional, é importante não utilizar uniformes, crachás, veículos, equipamentos ou canais corporativos em atos político-partidários e deixar clara a diferença entre uma opinião pessoal e a posição da organização.
10. Promover diálogo respeitoso e acesso a diferentes propostas
As empresas podem incentivar colaboradores a conhecer diferentes candidaturas, planos de governo e propostas, inclusive aquelas relacionadas a inclusão, igualdade de oportunidades e fortalecimento da cidadania. O diálogo deve ser pautado no respeito à diversidade de opiniões, evitando que divergências políticas se transformem em conflitos ou hostilidade.
“Nesse sentido, o desafio das empresas nas eleições de 2026 não é eliminar a política dos ambientes corporativos, mas garantir que ela não seja utilizada como instrumento de poder sobre trabalhadores. Respeitar a liberdade política, combater o assédio eleitoral, preservar a diversidade de opiniões e estimular a participação cidadã são práticas que contribuem para uma cultura empresarial democrática e íntegra”, conclui Caio Magri.












