Por: Tide Social – Assessoria de imprensa do Instituto Ethos
Tratar a diversidade, equidade e inclusão apenas como uma agenda institucional ou de filantropia se tornou um equívoco de gestão estratégica. De acordo com um estudo inédito dos economistas Michael França e Daniel Duque, realizado com o Instituto Ethos e com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), que dá origem ao livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas”, publicado pela editora Jandaíra, a discriminação e a exclusão no ambiente corporativo provocam gargalos diretos de produtividade e restringem os mercados consumidores no Brasil.
“Durante muito tempo, a desigualdade foi encarada pelo mercado apenas sob o prisma ético. As evidências reunidas no estudo provam que ela compromete diretamente a competitividade das organizações, reduz a eficiência operacional e restringe o crescimento das próprias empresas. Enfrentar esse cenário é uma decisão estratégica de negócios”, afirma Ana Lucia Melo, diretora-adjunta no Instituto Ethos.
O “Custo Invisível da Desconfiança” no Balanço Corporativo
A publicação traz uma provocação direta às lideranças empresariais ao abordar a falta de coesão social como um fator que encarece as operações no país. De acordo com Ricardo Young, empresário e cofundador do Instituto Ethos, essa barreira pode ser conceituada como o “custo invisível da desconfiança”.
“A confiança é uma infraestrutura invisível da economia. Quando existe, permite a cooperação, reduz a necessidade de supervisão, acelera decisões e favorece investimentos de longo prazo. Quando falta, cada transação comercial e relação trabalhista precisa carregar uma margem adicional de proteção. E essa margem tem um preço alto que corrói a margem das empresas”, explica Young.
Além da discriminação direta, a violência e a vulnerabilidade social impactam a retenção e a formação de capital humano:
- Apagão de talentos e produtividade: A violência contra jovens vítima desproporcionalmente homens negros de baixa escolaridade, representando uma perda individual de R$ 550 mil em produtividade futura que deixa de entrar na economia.
- Impacto na força de trabalho feminina: A criminalidade e a falta de infraestrutura social chegam a afastar até 7 pontos percentuais das mulheres do mercado de trabalho, reduzindo a diversidade e a renda familiar.
De Reação a Estratégia de Longo Prazo
Para os autores e o Instituto Ethos, o estudo deixa claro que as empresas que liderarem a agenda de inclusão e integridade socioambiental estarão mais preparadas para mitigar riscos regulatórios, atrair capital sustentável e expandir seu mercado endereçável.
“A violência e a exclusão corroem o capital humano do país. O setor privado precisa entender que promover ambientes inclusivos e combater a desigualdade não é concessão, mas sim construção de capacidade competitiva e de mercado”, pontua o economista e coautor Michael França.
Destaques para o Setor Privado & ESG
- R$ 14,6 bilhões/ano: Perda em arrecadação fiscal decorrente da discriminação corporativa.
- Custo da Desconfiança: Como a falta de coesão social aumenta custos de supervisão, contratos e proteção nos negócios.
- Capital Humano: A urgência de encarar DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) como pilar de eficiência e não apenas de reputação.
Sobre o Estudo e o Livro
O livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas” é um projeto realizado entre os economistas Michael França, Daniel Duque, Instituto Ethos, Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), com publicação da editora Jandaíra. A obra foi apresentada durante a 27ª Conferência Ethos, em São Paulo, e reúne evidências e análises econômicas sobre o impacto da discriminação, da violência e da baixa mobilidade social no desenvolvimento do país.












