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A agropecuária e as emissões de gases de efeito estufa

27/11/2013

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Cálculos indicam que as emissões dos diversos GEE liberados pela agropecuária brasileira aumentaram praticamente 45% desde 1990.             

Por Marina Piatto, Maurício Voivodic e Luís Fernando Guedes Pinto*

Além de ser um pilar da economia nacional e a atividade produtiva que ocupa a maior área do território nacional, a produção agropecuária passou a estar entre os principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa do Brasil, respondendo por cerca de 30% do total.

A contabilidade das emissões oficiais brasileiras é realizada a cada cinco anos pelo Inventário Brasileiro, de responsabilidade do governo federal. Todavia, dada a crescente importância das mudanças climáticas, a sociedade civil brasileira decidiu assumir o protagonismo e estimar anualmente as emissões nacionais, com o fim de identificar tendências e antecipar propostas de políticas e ações para reduzi-las.

Isso foi realizado pela primeira vez este ano, com base numa adaptação do método do Inventário Brasileiro, para as emissões de 2012, mas também para toda a série histórica entre 1990 e 2012. A iniciativa é do Observatório do Clima, uma rede de entidades da sociedade civil que tem como objetivo discutir as mudanças climáticas no contexto nacional e influenciar políticas no Brasil e fora dele.

Entre seus membros, o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) foi o responsável por liderar o cálculo das estimativas da atividade agropecuária.

Os cálculos indicam que as emissões dos diversos gases de efeito estufa liberados pela atividade aumentaram praticamente 45% desde 1990, atingindo 440 milhões de toneladas de carbono equivalente em 2012. Somando-se esse volume às emissões de energia, mudança no uso da terra e resíduos, também associadas à agropecuária, o setor do agronegócio passa a responder por cerca de 61% do total das emissões brasileiras.

As emissões acompanham o crescimento do setor, que aumentou em área e produtividade no mesmo período, mas é necessária uma análise entre o aumento da produção e o aumento relativo das emissões.

Quanto temos sido eficientes (ou não) no aumento da nossa produção em relação às emissões? Esta é uma pergunta que deve passar a ocupar papel central na pesquisa e desenvolvimento da produção e formulação das políticas agrícolas.

Uma análise inicial das emissões também aponta dois elementos centrais a serem enfrentados pelo setor. O primeiro é que a pecuária de corte é a principal responsável pelas emissões, acumulando 65% do total do setor. Tudo indica que este é o setor em que é possível ocorrer as maiores reduções de emissões, com custo relativamente baixo, a partir do aumento da governança, da adoção de boas práticas e da intensificação da produção. Além disso, as reduções das emissões podem vir acompanhadas de outros benefícios ambientais e econômicos, sendo, portanto, a prioridade para o futuro.

O segundo destaque fica para o significativo aumento das emissões decorrentes do uso de fertilizantes químicos, principalmente os de nitrogênio. Entre 1990 e 2012, elas saltaram de 6,5 milhões para 29,3 milhões de toneladas de carbono equivalente.

Se, na pecuária, a intensificação pode combinar aumento de produtividade com diminuição de emissões, no caso do nitrogênio cabe uma análise aprofundada da equação intensificação-produtividade-emissões.

A novidade das estimativas do Observatório do Clima e do Imaflora é que houve uma ligeira diminuição das emissões da agropecuária em 2012, em relação ao ano anterior. Mas não há muito que comemorar, pois tudo indica que decorre de uma diminuição circunstancial da área produtiva de algumas culturas.

De todo modo, esta pequena redução das emissões da agropecuária parece estar mais correlacionada a aspectos econômicos (como expansão ou retração da área cultivada, preço e intensidade de uso de insumos) ou fatores externos do que a um planejamento para a eficiência do setor ou a busca por menores emissões.

Todavia, devemos destacar que já há uma política pública relevante para conduzir a transição da agropecuária brasileira para uma produção de baixo carbono. O Plano ABC começou lentamente, mas tem o papel e a responsabilidade de financiar esta transição. E já tem um observatório monitorando a sua execução e impacto, o que esperamos que colabore para que caminhe rumo ao seu objetivo original.

Estamos no início do entendimento da questão sobre produção agropecuária e gases de efeito estufa. A iniciativa do Observatório do Clima é um farol que se soma ao fundamental mecanismo oficial do Inventário Brasileiro e nos ajuda a entender as grandes tendências e a formular perguntas para serem aprofundadas em 2014.

Devemos ressaltar que a agropecuária, diferentemente da maioria dos outros setores, também é um grande capturador potencial de gases de efeito estufa e a estimativa citada somente trata das emissões, e não do balanço do setor.

* Os autores deste artigo atuam no Imaflora. Marina Piatto (foto) é responsável pela Iniciativa Clima e Agricultura; Maurício de Almeida Voivodic é secretário executivo ; e Luís Fernando Guedes Pinto é gerente de certificação agrícola.

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