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Barômetro da Confiança 2014 confirma crise de confiança nos líderes

26/02/2014

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Cada vez menos gente acredita que um líder de governo ou de empresa fale a verdade diante de problema difícil.

Essa falta de confiança em figuras tradicionais de liderança foi a tendência dominante no levantamento feito pela agência de comunicação internacional Edelman em 2013 e mantida em 2014, o Barômetro da Confiança.

Esse levantamento é realizado uma vez por ano, desde 2001, pela agência internacional de Relações Públicas e Comunicação Edelman. Ela conversa, via internet, por 20 minutos, com 33 mil pessoas de todas as idades e classes sociais de 27 países; depois, entrevista 6 mil formadores de opinião desses mesmos países – pessoas com curso superior, hábito de consumir notícias diversas vezes por semana e que acompanham temas sociais e políticos.

A agência avaliou o grau de confiança dessas pessoas nas instituições, nas empresas, nas ongs e nos veículos de comunicação (mídia).

Os resultados da pesquisa mundial

Em termos globais, o Barômetro da Confiança da Edelman 2014 revela a maior diferença da confiança do público entre empresas e governo desde a primeira edição do estudo, em 2001. Isso pode ser atribuído a uma sucessiva corrosão da confiança no poder público, que começou em 2011, e a um aumento contínuo da crença nas empresas desde seu ponto mais baixo, em 2008. Em quase metade das 27 nações pesquisadas, verificou-se uma diferença de mais de 20 pontos. Em algumas nações, o abismo chegou a 40 pontos. Esta é uma profunda discrepância em relação ao cenário da confiança de 2009, quando as empresas tiveram que recorrer ao governo para recuperar sua credibilidade. Hoje, percebe-se que elas têm a oportunidade de liderar os debates sobre mudança, embora a ocorrência de alguns problemas com empresas em alguns países tenha fortalecido a tendência de as pessoas quererem maior supervisão do Estado. Entre os problemas que chamaram a atenção do público entrevistado estão a multa recorde aplicada ao JP Morgan, de 13 bilhões de dólares, por passar informações erradas na venda de ativos imobiliários que foram o cerne da crise de 2008; a falência da EBX, a maior de que se tem notícia na América Latina; e a compra, por dois anos, pela KFC da China, de frangos com excesso de antibióticos.

Por esse motivo, é alta a porcentagem dos entrevistados, em todos os países – acima de 50% –  que pede mais intervenção do Estado na economia, principalmente em algumas áreas consideradas críticas, como alimentação e serviços financeiros.

A credibilidade dos CEOs, embora tenha subido de 31% para 43% entre 2013 e 2014, continua sendo só superior àquela dos representantes de governos, que era de 29% em 2013 e agora é de 36%.

Pela ordem, os entrevistados consideram porta-vozes confiáveis, principalmente em situações de crise: acadêmicos; especialistas técnicos; “uma pessoa como eu”; analista econômico; representante de ong; e funcionário comum da empresa.

No ranking das entidades pesquisadas, as ongs ocupam o primeiro lugar, os governos vêm em segundo, a mídia em terceiro e as empresas em quarto lugar.

Os dados brasileiros

No Brasil o Barômetro verificou que o público tem o dobro da confiança na iniciativa privada do que nos governos. Ela tem 70% da confiança do público; a mídia vem em segundo, com 63%; em terceiro vêm as ongs com 62%; e em quarto lugar, vêm os governos, com 34%.

O estudo mostra ainda que a maioria dos brasileiros – 55% – considera que a regulação do mercado pelo governo ainda é insuficiente. E, na contramão do ranking global de credibilidade, no Brasil, o porta-voz para momentos de crise que os brasileiros consideram mais confiável é a “pessoa como eu”. Elas contam com 84% da credibilidade do público. Os acadêmicos possuem 70% e os presidentes de empresas, 60%.

Possíveis conclusões

O Brasil é o que apresenta maior porcentagem de confiança no setor privado. A Edelman detectou aqui que as pessoas claramente veem nas empresas um papel de contribuição para resolver os problemas da sociedade, junto com o governo e a própria sociedade. Algo que vai além da “licença para operar” e que a Edelman chamou de “licença para engajar”, destacando a empresa como catalisadora dos anseios de mudança da sociedade.

Como forma de recuperar a credibilidade, a Edelman sugere que o CEO, em vez de fazer o jogo de interesses tradicional, de “lobby” com políticos para defender apenas interesses corporativos, que busque ampliar a discussão de questões importantes com públicos mais abrangentes, que levem ao progresso de temas críticos para a sociedade e não apenas a mudança de um produto ou processo. Por exemplo, se um banco vai, em determinado dia, fazer manutenção em seu sistema de segurança, vale mais a pena discutir os riscos com seus públicos do que ter de explicar possíveis vazamentos de dados, como já vimos ocorrer no Brasil.

Mas não há mudança sem inovação, de comportamento, inclusive.

A nova liderança, que saiba lidar com as variáveis da sustentabilidade, precisará se desenvolver, notadamente, em três aspectos:

– Participação: no sentido de saber mobilizar os públicos de interesse e saber considerar os seus pontos de vista, estabelecendo parcerias que ofereçam benefícios ao negócio e à sociedade;

– Avaliação: baseando o comportamento nas contribuições coletivas. Para isso, será preciso desenvolver indicadores mensuráveis e metas quantitativas e qualitativas de cada contribuição, acompanhar a evolução dos resultados regularmente. Quando as entregas não estiverem atingindo as expectativas dos públicos, é preciso adotar ações para reverter a tendência.

A confiança, cada vez mais, será um ativo conquistado por empresas e líderes que se dedicarem a resolver problemas reais por meio dos negócios.

Por Sérgio Mindlin, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos

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