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Candidatos a prefeito de São Paulo participam de evento sobre legado social da Copa

01/08/2012

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Ampliar a prática esportiva, promover ações de transparência e adotar a agenda do desenvolvimento sustentável integram os compromissos assumidos.

Em evento realizado em São Paulo nesta quarta-feira (1º./8), organizações da sociedade civil propuseram aos candidatos a prefeito da cidade que a Copa de 2014 deixe para o conjunto dos paulistanos muito mais do que a construção de um novo estádio de futebol e algumas obras viárias. Querem que o megaevento resulte em um legado social, que inclua a ampliação da prática esportiva, a promoção de ações de transparência dos gastos e investimentos públicos e a adoção da agenda do desenvolvimento sustentável.

Realizado no Sesc Consolação, o evento “Copa, Olimpíadas e Eleições: Qual É o Legado para a Sua Cidade?” foi promovido pelas organizações Atletas pela Cidadania, Instituto Ethos – por meio do projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios –, Rede Nossa São Paulo – pelo Programa Cidades Sustentáveis – e Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, em parceria com Fundação Avina e com o apoio da Cidade Escola Aprendiz, do Instituto Trata Brasil, do Unicef Brasil, da Comissão de Direito Desportivo da OAB-SP, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e do Movimento Voto Consciente.

Representando a organização Atletas Pela Cidadania, o ex-nadador e medalhista olímpico Gustavo Borges apresentou aos candidatos e ao público – cerca de 250 pessoas participaram da atividade – a Carta de Compromisso do Programa Cidades do Esporte. O documento defende a ampliação das atividades físicas e o estímulo ao esporte de qualidade nas escolas. “Queremos a inclusão do esporte no Plano de Metas do município e, para que isso se efetive, é preciso constar no orçamento”, exemplificou Borges.

Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, explicou alguns pontos do projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, liderado por sua organização. “O objetivo geral é promover maior transparência e integridade sobre os investimentos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016”, informou. Segundo ele, a ideia do evento “Copa, Olimpíadas e Eleições: qual o legado para a sua cidade?” é também “comprometer os candidatos e o futuro prefeito com os processos de transparência”.

Na apresentação do Pacto pela Transparência Municipal proposto pelo projeto Jogos Limpos, Abrahão citou os cinco compromissos que os candidatos iriam assumir ao assinarem o documento. Um deles prevê a implementação das propostas prioritárias da 1ª Conferência sobre Transparência e Controle Social (Consocial).

Oded Grajew, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, fez a apresentação do Programa Cidades Sustentáveis. “O programa tem como objetivo sensibilizar o poder público, os candidatos e a sociedade para criar uma agenda de desenvolvimento sustentável para as cidades”, registrou.

Em relação à carta compromisso com a plataforma, Grajew argumentou que, ao subscrever o documento, o futuro prefeito terá que fazer um diagnóstico do município, com base em 100 indicadores mínimos, e estabelecer metas. “No caso de São Paulo, esse compromisso tem força ainda maior, pois já existe uma obrigação legal para a apresentação das metas”, lembrou.

Após a apresentação dos termos de compromisso e dos objetivos do evento, os sete candidatos a prefeito que participaram do encontro assinaram os três documentos e – por ordem de sorteio – falaram sobre os temas abordados.

Leia a seguir algumas declarações dos candidatos:

Gabriel Chalita (PMDB)
Há clubes e escolas privadas em que as crianças têm tudo, enquanto, em diversas regiões da periferia, outras crianças não têm nada. E isso na mesma cidade. O desafio do próximo governante é administrar essa cidade com racionalidade. A tarefa do prefeito é cuidar de toda a cidade, mas é preciso ter um olhar especial para aqueles que até hoje são tratados como invisíveis.

Carlos Giannazi (PSOL)
Estas propostas são uma contribuição para a participação social, para que a população cobre o poder público. Temos de controlar socialmente esses gastos [com a Copa e com a Olimpíada]. Aqui em São Paulo a situação é muito grave e eu queria acrescentar um compromisso: centenas de escolas públicas da cidade não têm quadra para atividades esportivas.

Soninha Francine (PPS)
Quero falar sobre o que precisa ser feito na cidade para a abertura da Copa. Os nossos corredores de ônibus funcionam muito mal, os pontos de ônibus são terríveis. O sistema de saúde precisa estar mais bem preparado. Precisamos investir muito mais em informação, com postos fixos de atendimento no aeroporto, nas rodoviárias, nos shoppings. Devemos oferecer uma programação cultural especial para nossos visitantes, além de cuidados especiais com segurança e turismo sexual, que aumenta demais nesse tipo de evento.

Fernando Haddad (PT)
Queremos que a sociedade acompanhe a administração pública, independentemente do resultado da eleição. Pretendo criar no âmbito municipal a Controladoria-Geral do Município. Não nos parece razoável não haver um controle interno na administração municipal. Os conselhos foram muito esvaziados na cidade. Precisamos retomar essa questão e reforçar o papel das subprefeituras. Temos de trazer para São Paulo os programas federais. Há projetos federais para a construção e cobertura de quadras esportivas e implantação de creches. O município não se habilitou para receber esses projetos.

Miguel Manso (PPL)
Que o legado desta Copa e desta eleição seja a união do povo desta cidade, para que tenhamos uma nova era. Queremos discutir um novo conceito de transporte, um sistema de metrô sobre pneus. É preciso que os corredores adensem com veículos longos e que esse sistema seja controlado, como no metrô. Metade da população circula por ônibus. Todos somos a favor de desenvolver o metrô, mas precisamos resolver o problema do transporte por ônibus. Precisamos levar atividades culturais de qualidade para a periferia.

José Maria Eymael (PSDC)
Quando se fala em Copa, não podemos deixar de falar em turismo. São Paulo tem uma vocação para se transformar em um grande polo de turismo internacional de negócios.

Ana Luísa Figueiredo (PSTU)
É preciso mudar a lógica de administração da Prefeitura e administrar a cidade para os trabalhadores e trabalhadoras. Toda a estrutura do Estado brasileiro está sendo precarizada. É preciso 10% para a educação. Para nós, é preciso governar para os trabalhadores e parar de governar para os ricos.

O evento em São Paulo é parte de uma iniciativa que pretende colocar o tema no centro da discussão eleitoral deste ano. Por isso, as três entidades – Atletas pela Cidadania, Instituto Ethos e Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis – estão realizando encontros com candidatos à prefeitura de cada uma das 11 cidades-sede da Copa (Brasília também será cidade-sede, mas não tem eleição para prefeito).

Eventos semelhantes já foram realizados em Manaus, em Cuiabá, no Rio de Janeiro e agora em São Paulo. A ação passará ainda por Porto Alegre (RS), no dia 13/8, Recife (PE), no dia 16/8, Curitiba (PR), no dia 20/8, Natal (RN), no dia 29/8, e Belo Horizonte (MG), no dia 31/8. Em setembro, será a vez de Fortaleza (CE), no dia 3, e de Salvador (BA), no dia 5.

Por Airton Goes, para a Rede Nossa São Paulo

 Crédito da Foto: Syntia Alves/Rede Nossa São Paulo

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