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Crise de sentido versus o futuro das organizações

16/04/2014

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É preciso desenvolver nas organizações um estilo de liderança que valorize o autoconhecimento e a autorrealização individual e coletiva.                

Por Susana Falchi*

Pensar sobre a crise de sentido e a fragmentação do conhecimento que caracterizam o mundo do trabalho atualmente nos leva a questionar se trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar. Há a necessidade urgente de ampliar a percepção do trabalho para uma consciência econômica, social, ambiental e ética que seja capaz de repensar o mundo do trabalho para levar significado às ações empreendedoras.

Vivemos nos dias de hoje, principalmente no Brasil, uma crise social, ambiental e principalmente moral. Uma crise caracterizada pela fragmentação do conhecimento, pela fragilidade das relações e pela desconfiança dos stakeholders sobre o ambiente empresarial e político. Tal realidade é combinada com uma necessidade de se adaptar a novos contextos empresariais com criatividade, resiliência, flexibilidade e agilidade cada vez maiores para atender às demandas dos clientes.

Esse estilo de vida contemporâneo, desarmônico, com alta pressão para consumir cada vez mais e ganhar cada vez mais, além do aumento acentuado do estresse, não facilita e até desfavorece a possibilidade de termos momentos de reflexão sobre nossa carreira para darmos sentido aos cargos que ocupamos. Viramos seres autômatos, em vez de sermos seres autônomos.

Os jovens vêm com uma perspectiva diferente para o trabalho, no qual a busca pelo sentido é prioritária. O trabalho deixou de ser uma fonte de sobrevivência e passou a ser uma possibilidade de realização pessoal. Esse é o cerne da chamada Geração Y. As organizações, porém, em sua grande maioria, ainda seguem o modelo e os valores das organizações da era industrial, com hierarquias organizadas para comando e controle, considerando as pessoas como recursos para atingir os objetivos empresariais, ou seja, o lucro.

É necessário desenvolver nas organizações um estilo de liderança transformador, que valorize o autoconhecimento e a autorrealização individual e coletiva, estimulando o pleno desenvolvimento do potencial humano, favorecendo a criação da sintonia e da sinergia necessárias, orientadas por uma ética da diversidade e por uma ética da sustentabilidade. As organizações devem promover ambientes nos quais a busca pela excelência, a criatividade e o trabalho em equipe satisfaçam a necessidade empresarial de rápidas inovações e adaptações associadas às aceleradas transformações organizacionais orientadas por uma busca não só da sobrevivência, mas de sentido, de propósito, que justifique uma participação maior de todos os envolvidos no mundo empresarial.

São tempos de mudança, o que fica evidente nas grandes organizações pelo emprego de variadas ferramentas de gestão. Na BM&F Bovespa, por exemplo, temos o Índice de Sustentabilidade Empresarial e, já há algum tempo, os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial fazem parte de algumas culturas organizacionais.

Mas a busca de significado depende dos indivíduos e das instituições, pois todos devemos estar preocupados em entender por que fazemos o trabalho que fazemos. Num passado recente, fazíamos porque precisávamos sobreviver; agora está ficando cada vez mais claro para muitas pessoas e instituições que dinheiro é algo simbólico. Nós geramos muito mais riqueza do que realmente precisamos para viver. O dinheiro não deveria ser a única medida de sucesso.

O sucesso e a felicidade não deveriam ser procurados, pois são consequências que só acontecem como parte da nossa dedicação a uma causa maior.

* Susana Falchi é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos e membro do Comitê de RH do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

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Este texto faz parte da série de artigos de especialistas promovida pelo Instituto Ethos com o objetivo de subsidiar e estimular as boas práticas de gestão.

Veja também:
– A promoção da igualdade racial pelas empresas, de Reinaldo Bulgarelli;
– Relacionamento com partes interessadas, de Regi Magalhães;
– Usar o poder dos negócios para resolver problemas socioambientais, de Ricardo Abramovay;
– As empresas e o combate à corrupção, de Henrique Lian;
– Incorporação dos princípios da responsabilidade social, de Vivian Smith;
– O princípio da transparência no contexto da governança corporativa, de Lélio Lauretti;
– Empresas e comunidades rumo ao futuro, de Cláudio Boechat;
– O capital natural, de Roberto Strumpf;
– Luzes da ribalta: a lenta evolução para a transparência financeira, de Ladislau Dowbor;
– Painel de stakeholders: uma abordagem de engajamento versátil e estruturada, de Antônio Carlos Carneiro de Albuquerque e Cyrille Bellier;
– Como nasce a ética?, de Leonardo Boff;
– As empresas e o desafio do combate ao trabalho escravo, de Juliana Gomes Ramalho Monteiro e Mariana de Castro Abreu;
– Equidade de gênero nas empresas: por uma economia mais inteligente e por direito, de Camila Morsch;
– PL n° 6.826/10 pode alterar cenário de combate à corrupção no Brasil, de Bruno Maeda e Carlos Ayres;
– Engajamento: o caminho para relações do trabalho sustentáveis, de Marcelo Lomelino;
– Sustentabilidade na cadeia de valor, de Cristina Fedato;
– Métodos para integrar a responsabilidade social na gestão, de Jorge Emanuel Reis Cajazeira e José Carlos Barbieri;
– Generosidade: o quarto elemento do triple bottom line, de Rogério Ruschel;
– O que mudou na sustentabilidade das empresas, de Dal Marcondes;
– Responsabilidade social empresarial e sustentabilidade para a gestão empresarial, de Fernanda Gabriela Borger;
– Os Dez Mandamentos da empresa responsável, de Rogério Ruschel;
– O RH como alavanca da estratégia sustentável, de Aileen Ionescu-Somers;
– 
Marcas globais avançam na gestão de resíduos sólidos, de Ricardo Abramovay;
– Inclusão e diversidade, de Reinaldo Bulgarelli;
– Da visão de risco para a de oportunidade, de Ricardo Voltolini;
– Medindo o bem-estar das pessoas, de Marina Grossi;
– A quantas andam os Objetivos do Milênio, de Regina Scharf;
– Igualdade de gênero: realidade ou miragem?, de Regina Madalozzo e Luis Cirihal;
– Interiorização do Desenvolvimento: IDH Municipal 2013, de Ladislau Dowbor;
– Racismo ambiental: derivação de um problema histórico, de Nelson Inocêncio;
– Procuram-se líderes da sustentabilidade, de Marina Grossi e Marcos Bicudo;
– Relato integrado: evolução da comunicação de resultados, de Álvaro Almeida;
– A persistência das desigualdades raciais no mundo empresarial, de Pedro Jaime;
– A agropecuária e as emissões de gases de efeito estufa, de Marina Piatto, Maurício Voivodic e Luís Fernando Guedes Pinto;
– Gestão de impactos sociais nos empreendimentos: riscos e oportunidades, de Fábio Risério, Sérgio Avelar e Viviane Freitas;
– Micro e pequenas empresas mais sustentáveis. É possível?, de Marcus Nakagawa;
– Executivos negros e movimento antirracista no Brasil, de Pedro Jaime;
– Lixo: marchas e contramarchas de um debate fundamental, de Maurício Waldman;
– Contribuições da certificação socioambiental para a sustentabilidade da citricultura brasileira, de Por Luís Fernando Guedes Pinto, Daniella Macedo, Alessandro Rodrigues e Eduardo Augusto Girardi;
– Entre o 2 e o 3, existe o 2,5, de Rafael Morais Chiaravalloti;
– Trabalho longe de casa, de Marina Loyola;
– Desigualdades raciais e de gênero e ações afirmativas no Brasil, de Pedro Jaime;
– A ilusão da igualdade, de Carol Nunes;
Tributação de pequenas empresas e desenvolvimento, de Bernard Appy;
Gestão dos recursos hídricos, um problema constante, de Martim Afonso Penna; e
A gestão que gera lucratividade sustentável, de Roberto Araújo.

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