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Conferência debate a atuação das empresas diante das mudanças climáticas

19/05/2015

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“Como Proteger e Criar Valor em Tempos de Mudanças Climáticas” foi o tema central da primeira Conferência Abrasca e CDP, em São Paulo.

No último dia 7 de maio, a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) e o CDP realizaram, em São Paulo, a 1ª. Conferência Abrasca e CDP, com o tema central “Como Proteger e Criar Valor em Tempos de Mudanças Climáticas”.

A Abrasca participa sempre das principais iniciativas de autorregulação para o desenvolvimento do mercado. As questões de natureza tributária, aquelas passíveis de regulação e todas as atividades que possam vir a representar avanços para o mercado de capitais são assuntos recorrentes na agenda da associação.

Já o CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que fornece o mais completo sistema global de divulgação ambiental. Parceiro do Instituto Ethos em iniciativas como o Fórum Clima e os Indicadores Ethos, possui o maior banco de dados corporativos sobre mudanças climáticas, água e florestas e atua com as forças de mercado para motivar empresas e cidades a medir e divulgar seus impactos sobre o meio ambiente e sobre os recursos naturais, a fim de encontrar formas de reduzi-los.

No encontro, Antônio Castro, presidente da Abrasca e do Conselho do CDP, alertou as empresas a estarem atentas para não gerar incertezas sobre suas políticas de emissão de carbono e gerenciamento de água. “A remoção das incertezas, que evitaria o impacto na precificação das ações pelos investidores, é um trabalho que deve contar com a integração das áreas de sustentabilidade e de relações com investidores”, disse Castro. “Sem olhar para a água e para o carbono, a governança das empresas não consegue ser sustentável.”

Juliana Lopes, diretora do CDP Latin America, destacou, por sua vez, que a entidade é um instrumento eficaz na gestão de riscos e que os temas apontados por Castro não podem ser negligenciados: “Esses cuidados são hoje imperativos para fazer negócios”.

Flávia Resende representou o Instituto Ethos e o Fórum Clima na conferência, tendo participado como palestrante do terceiro painel do dia: “O Papel dos Negócios nas Discussões Internacionais de Clima”. Mediada por Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a mesa contou ainda com a participação de Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) do Observatório do Clima, e Rodolfo Sirol, diretor de Sustentabilidade da CPFL Energia.

Nesse painel, os palestrantes abordaram questões pertinentes ao papel do Brasil e das empresas nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas. Um dos debates foi sobre quais são as vantagens e como as empresas devem começar a trabalhar com cenários de precificação de carbono, tema muito em voga atualmente e de grande relevância para o setor empresarial brasileiro.

Cerca de 40 países e mais de 20 jurisdições subnacionais estão determinando um preço para a tonelada de carbono. Sistemas de precificação de carbono já se encontram em operação nos dois maiores emissores de gases de efeito estufa: os Estados Unidos (na Califórnia) e a China (em pelo menos sete regiões do país).

Os preços propostos para a tonelada de CO2 variam muito, indo de US$ 1, no México, até US$ 168, na Suécia. Por esse motivo, existe uma grande necessidade de rever todos os valores existentes e pensar num preço único a ser praticado globalmente.

Para os líderes industriais, as disparidades entre as iniciativas de precificação afetam a competitividade dos países e dificultam a criação de novos mercados de carbono. Com essa urgência em mente, o Instituto Ethos, o CEBDS, o CDP e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) organizaram, em 2014, um jantar durante a COP 20, em Lima, no Peru, reunindo Thomas Kerr, representante do Banco Mundial, e as empresas participantes de iniciativas pelo clima para conversar mais profundamente sobre precificação.

O tema é tão importante que, durante a próxima Conferência Ethos 360°, que se realizará em setembro de 2015, pelo menos duas atividades irão abordá-lo.

Outro ponto bastante relevante no debate desse painel foi a existência de iniciativas que já estão assumindo metas de redução de gases de efeito estufa. É o caso do B Team, um grupo de líderes globais que advoga a criação e implementação de um Plano B, o qual consiste numa alternativa ao Plano A, que é o business as usual.

Em fevereiro de 2015, o B Team publicou sua declaração Business Leaders Call for Net-Zero Greenhouse-Gas Emissions by 2050. O documento convoca os maiores líderes mundiais a se comprometerem com a meta global de redução das emissões líquidas até 2050 e alerta os principais líderes de negócios a assumirem metas ambiciosas e de longo prazo. Os líderes do B Team acreditam que, ao assumir o compromisso de zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050, os governos dos países de todo o mundo irão demonstrar que estarão contribuindo para uma trajetória global de baixo carbono.

Na conferência, Flávia Resende mencionou que o B Team tem sido exemplo de como outras iniciativas empresariais podem influenciar e participar do processo de definição da contribuição nacionalmente designada (INDC, na sigla em inglês) do Brasil. Entre os itens que devem constar dessa contribuição está a definição da meta brasileira de redução pós-2020. É preciso que essa meta seja ambiciosa e justificada perante os outros países da Convenção do Clima.

A representante do Instituto Ethos e do Fórum Clima informou que, em 2015, as empresas do Fórum Clima estão trabalhando junto com o B Team para pensar numa forma de participar do processo de construção da contribuição brasileira para a COP 21, a ser realizada em Paris no final do ano. “O momento de atuação do setor empresarial nas negociações internacionais de clima é agora!”, disse ela.

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