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No Ethos, diretor do Dieese debate trabalho decente

26/05/2015

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Clemente Ganz, diretor-técnico do Dieese, foi o convidado especial da reunião do Grupo de Trabalho Empresas e Direitos Humanos, em 12/5.

Caio Magri iniciou a reunião do Grupo de Trabalho Empresas e Direitos Humanos, em 12 de maio, na sede do Instituto Ethos, provocando o debate sobre as possibilidades de promover o trabalho decente na atual conjuntura econômica e política do país. “Como é possível promover e manter o trabalho decente num cenário de possível crise econômica e identificar quais são os desafios para manter os compromissos assumidos pelas empresas?”, perguntou ele aos participantes do encontro, que contou com a presença de Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese e especialista no tema.

O Instituto Ethos acredita no poder e na importância que as empresas têm em expandir e consolidar ações afirmativas e políticas de promoção da diversidade, bem como em iniciativas para capacitar e treinar seus funcionários. Segundo o estudo Empresas e Direitos Humanos na Perspectiva do Trabalho Decente, publicado pelo Ethos em 2011, se o ritmo atual de inclusão for mantido, no que se refere ao quadro executivo das empresas, as mulheres levarão 42 anos para alcançar o percentual adequado ao que representam na sociedade brasileira (51%). Já os negros só alcançarão o percentual adequado (52%) em 149 anos. Esses dados indicam a urgência do comprometimento das empresas com políticas de promoção da diversidade e capacitação, fortalecendo a posição desses grupos em seus quadros.

Clemente Ganz iniciou sua fala tratando da promoção da agenda do trabalho decente nas empresas e relacionando-a com a ideia de democracia; em seguida, abordou os efeitos de curto e longo prazo da crise para as empresas e para o mercado de trabalho.

O diretor-técnico do Dieese chamou a atenção para a construção de um cenário preocupante: um ajuste prejudicial à economia que diminuiria os valores dos salários e a demanda pelo consumo. Para ele, uma economia que não tenha uma base industrial forte para trazer incremento à produtividade, produzindo e distribuindo riqueza, não tem chances de promover o trabalho decente. Nesse sentido, diante da perspectiva da redução de direitos, haveria um cenário de cortes perversos dos postos de trabalho ocupados pelas minorias sociais.

Para Clemente, ainda se pensa pouco a respeito do trabalho decente e do diálogo social em termos efetivos, ou seja, como uma agenda com instrumentos específicos que permite criar na empresa espaços de diálogo e de negociação voltados para essas questões. Isso significa organizar os trabalhadores da empresa de modo a se estabelecer um processo de pactuação acerca da agenda do trabalho decente, considerando cada empresa em suas especificidades.

Um contexto econômico de recessão pode desencadear o aumento de desemprego impedindo o Estado de manter políticas públicas adequadas. Se esse cenário se concretizar, grupos sociais mais vulneráveis no mercado de trabalho, como mulheres, negros e deficientes, serão os primeiros afetados, pois ocupam os postos mais frágeis. A condição socioeconômica na qual tais grupos se encontram os condiciona a essa situação, alertou o diretor.

De acordo com Clemente, as políticas de igualdade carecem da eficácia quantitativa impulsionada pelo desenvolvimento, apesar de sua importância no sentido político da afirmação. Consequentemente, o diagnóstico não é favorável: os postos ocupados por esses grupos são menos relevantes e, portanto, contribuem menos para incrementar a produção, o que leva a empresa a desfazer-se dos funcionários menos qualificados, entre os quais aqueles anteriormente empregados por meio de políticas afirmativas. A recessão econômica age como um processo seletivo que ameaça os avanços alcançados com a agenda afirmativa, incapaz de salvaguardar do desemprego os mais frágeis no mercado de trabalho, afirmou ele.

Como grupo de ação coletiva, o GT de Empresas e Direitos Humanos do Instituto Ethos atua estimulando, aprimorando e disseminando boas práticas empresariais e influenciando políticas públicas que contribuam para garantir o respeito aos direitos humanos nas empresas, com destaque para a valorização da diversidade, combate ao trabalho escravo e promoção do trabalho decente.

Por Ana Letícia Salla, do Instituto Ethos

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