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Nossa São Paulo e Fecomercio-SP lançam 6ª edição da pesquisa Irbem

28/01/2015

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Realizada pelo Ibope, a pesquisa revela o nível de satisfação dos moradores de São Paulo em relação à qualidade de vida e ao bem-estar na cidade.

A Rede Nossa São Paulo e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) apresentaram, na quinta-feira passada (22/1), a 6ª edição dos Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), pesquisa que revela o nível de satisfação dos paulistanos em relação à qualidade de vida e ao bem-estar em São Paulo.

Realizada pelo Ibope, a pesquisa aborda 25 temas, tanto os relacionados às condições objetivas de vida na cidade – nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, habitação e trabalho – quanto os ligados a questões subjetivas, como sexualidade, espiritualidade, consumo e lazer.

O levantamento traz ainda o nível de confiança da população nas instituições (Prefeitura, Câmara Municipal, Polícia Militar, Tribunal de Contas, Poder Judiciário etc.) e a avaliação dos serviços públicos. Tempo de espera por consultas médicas (nos sistemas público e privado) e tempo de espera nos pontos de ônibus são algumas das perguntas que compõem o levantamento.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2014, com 1.512 pessoas de 16 anos de idade ou mais, moradoras de São Paulo. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Lançamento

Realizado no Teatro Raul Cortez, o evento de lançamento da pesquisa foi aberto por Jorge Duarte, presidente do Conselho de Desenvolvimento Local da Fecomercio-SP. “Esperamos que os dados da pesquisa, além de orientar a atuação do poder público e da sociedade civil, possam também contribuir para o desenvolvimento de planos de bairros”, afirmou Duarte.

Oded Grajew, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, destacou que a pesquisa é um instrumento poderoso de planejamento e ação: “O resultado do levantamento diz ao poder público e à sociedade o que fazer para melhorar a qualidade de vida em São Paulo”.

Ele alertou que o atual modelo de desenvolvimento, se não for mudado, irá provocar um grande desastre. “Precisamos encontrar um novo caminho para nos relacionarmos com o meio ambiente, em especial com a água.”

Ao comentar os resultados da pesquisa, Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), apontou que a maior insatisfação demonstrada pelos paulistanos é em relação à política. “Se temos notas tão ruins nessa área [transparência e participação política], isso parece influenciar o restante”, avaliou. A nota média atribuída pelos pesquisados para itens relacionados ao tema ficou em 3,1.

“Tudo aquilo que diz respeito à vida mais limitada [família, religião, relações humanas] é a esfera em que nos damos melhor. A esfera do diferente, das diferenças e do convívio político é onde vamos pior”, comparou.

Ribeiro também abordou a crise da água em sua análise. Segundo ele, o Estado de São Paulo tem tido uma postura muito tímida na questão. “A situação é crítica e preocupante”, registrou.

Presente ao evento, o prefeito Fernando Haddad relatou que as três prioridades da primeira metade de sua gestão foram a renegociação da dívida do município com a União, a ampliação dos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados à capital paulista, por meio de convênios com o governo federal, e a aprovação do Plano Diretor Estratégico da cidade.

Segundo Haddad, esse “tripé” de iniciativas é a base para que a cidade possa ser planejada. “Em São Paulo, se não planejar o longo prazo, você estará rifando o futuro das novas gerações.”

Com as três prioridades cumpridas, ele prevê que, a partir de junho deste ano, a cidade deverá passar por grandes mudanças. “Hoje, temos R$ 9 bilhões em convênios do PAC para obras, parte já contratada e parte em licitação e licenciamento”, relatou.

Para o prefeito, um dos desafios revelados pela pesquisa é a participação da sociedade. “Essa participação tem que encontrar canais para acontecer”, apontou ele, relembrando algumas ações de sua gestão nessa área, como a criação do Conselho Participativo e de outros conselhos, além das inúmeras audiências públicas realizadas.

Algumas das conclusões do estudo:

– Voltou ao patamar de 2012 (50%) o total dos que afirmaram utilizar algum tipo de serviço de educação pública;

– Em 2013, 66% dos entrevistados afirmaram ter transporte escolar público perto de casa. Em 2014, esse número passou para 76%.

– Na área da segurança, 67% disseram ter ronda policial e 70% têm delegacia ou posto policial próximo à residência.

– Em Meio Ambiente, caiu de 78% para 63% os que afirmam ter serviço de coleta seletiva;

– Dos entrevistados, 68% afirmaram utilizar ônibus como meio de transporte diário na cidade. E o tempo de espera nos pontos caiu de 25 para 20 minutos, na comparação com a pesquisa anterior;

– A qualidade de vida em São Paulo ficou estável para 50% dos entrevistados. E melhorou (“um pouco” ou “muito”) para 37%;

– Do total de respondentes, 57% disseram que mudariam de cidade, se pudessem, enquanto 40% afirmaram que não sairiam;

– Passaram de 6% para 10% os que consideram São Paulo um lugar “muito seguro” ou “seguro” para morar. E caiu de 93% para 89% o índice dos que avaliam a cidade como um lugar “pouco” ou “nada seguro”;

– O tempo de espera para consultas no sistema público de saúde passou de 60 dias, em 2013, para 56 em 2014. Para exames, de 79 para 78 dias. E para procedimentos mais complexos, de 170 para 169. Já no sistema privado houve um aumento no tempo de espera: de 7 para 13 dias para consultas; de 7 para 19 dias, no caso de realização de exames; e de 19 para 42 dias para realização de procedimentos mais complexos;

– Passaram de 11% para 15% os que consideram “ótima” e “boa” a gestão municipal atual. Diminuíram de 49% para 45% os que avaliam como “regular” e aumentaram de 39% para 40% os que consideram “ruim” e “péssima”;

– A Câmara Municipal foi avaliada como “ótima” e “boa” por 10% dos entrevistados, ante 6% na pesquisa anterior. E 55% deles a avaliaram como “ruim/péssima”;

– Bombeiros, Correios e Metrô, nessa ordem, lideram o ranking das instituições com maior confiança da população. Mas houve uma queda geral na confiança nas instituições. Apenas 62% dos entrevistados, por exemplo, afirmaram confiar na Sabesp. Na edição anterior da pesquisa esse número era 82%;

– Crise da água: 61% avaliam que a Sabesp é a principal responsável pelo abastecimento de água, mas 42% creditam a crise à falta de planejamento do governo estadual, 29% à falta de chuvas e somente 3% ao desmatamento da Amazônia; 66% se dizem bem informados quanto à crise hídrica, enquanto 82% acreditam que o risco de a água acabar é grande. E 68% afirmaram que tiveram (ou alguém da sua família teve) problemas no abastecimento de água nos últimos 30 dias.

Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município:

– Dos 169 itens avaliados (com notas que poderiam variar de 1 a 10), 139 (82%) ficaram abaixo da média (que é de 5,5), 28 (17%) ficaram acima e 2 (1%) estão na média;

– A rodada de 2014 da pesquisa é a segunda a considerar a mudança do critério do principal indicador do estudo, o Índice de Bem Estar da Cidade de São Paulo. Esse índice é calculado a partir da importância e da satisfação das 25 áreas de avaliação e teve como resultado 5,1, ante os 4,8 de 2013. Na distribuição por subprefeituras, as melhores médias ficaram em Pinheiros (6,1), Penha (6,1), Itaim Paulista + Cidade Tiradentes + Guaianazes (6,1) e Vila Prudente (5,6). Já as piores notas foram dadas em Freguesia do Ó + Brasilândia (4,1) e Perus (4,3);

– Desde a primeira medição do estudo, em 2008, as áreas nas quais os respondentes manifestam maior grau de satisfação dizem respeito à vida privada, à religião e ao consumo – aspectos que não são diretamente permeados pelas esferas de governo;

– O trabalho, apesar de ser uma fortaleza e estar entre os aspectos com melhor avaliação, apresenta oscilação negativa em todos os seus atributos específicos;

– O respeito aos direitos humanos foi o atributo que apresentou maior crescimento no último ano. Também houve alta satisfação com a cultura da paz e recusa à violência entre as pessoas na cidade;

– As áreas de maior insatisfação estão diretamente relacionadas com as instituições governamentais, tais como: infância e adolescência; transporte e trânsito; acessibilidade para pessoas com deficiência; segurança; desigualdade social; e transparência e participação política. Alguns desses aspectos de maior insatisfação, porém, apresentaram melhora na satisfação no último ano, principalmente no que tange ao transporte/trânsito e desigualdade social. No caso do transporte/trânsito, foram percebidas melhoras no tempo de espera pelos ônibus nos pontos e também na redução do tempo de deslocamento, além da quantidade de ciclovias.

– As áreas da Saúde e da Educação mantêm um grau de satisfação que não corresponde à importância atribuída a elas para a qualidade de vida do cidadão paulistano. A Saúde permanece em patamar baixo e em queda (4,7), enquanto a Educação permanece estável (4,5). Nesse último ano, caiu a satisfação das pessoas com a forma com que cuidaram de sua própria saúde e alimentação.

Clique aqui e confira a pesquisa.

Confira também as tabelas do levantamento

Fonte: Rede Nossa São Paulo

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