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RH deve estar atento para a “ética flexível”

20/05/2014

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Garantir que os valores organizacionais permeiem a empresa como um todo é certamente um dos papéis mais importantes da área de Recursos Humanos.

Por Susana Falchi*

Há anos vem se discutindo o papel estratégico da área de Recursos Humanos nas organizações. Juntamente com essa discussão vieram vários modelos, como a Consultoria Interna – Business Partner e a separação das áreas de Administração de Pessoal e Desenvolvimento Organizacional. Mas a grande responsabilidade de RH, que ainda não está integralmente em seu escopo, é o comportamento organizacional, ou seja, o comportamento de seus funcionários e administradores dentro de toda a sua abrangência e complexidade.

Garantir que os valores organizacionais permeiem a empresa como um todo é um dos papéis mais importantes de RH; afinal, os valores definem o nosso “jeito de atuar e nos relacionarmos” com todos os stakeholders. Quando falamos em valores, é preciso chamar a atenção para a “ética”, um dos valores mais citados nas organizações brasileiras. O conceito de ética passa por princípios, virtudes e valores universais duradouros e afirmativos.

Os princípios éticos deveriam permear todas as organizações de trabalho e a prática organizacional com transparência, equidade, franqueza, responsabilidade social, solidariedade, integridade, valorização do trabalho, lealdade, sustentabilidade, perenidade empresarial etc. No entanto, a realidade é muito diferente, como demonstra a pesquisa Perfil Ético dos Profissionais nas Organizações Brasileiras, realizada pela consultoria de gestão de riscos ICTS, em 2013.

A pesquisa teve como foco mapear o perfil ético sob a ótica de fraude e compliance, entendendo-se “fraude” como obter vantagem sobre outro por meio de sugestões ou omissão da verdade e “compliance” como estar em conformidade e fazer cumprir regulamentos internos e externos. Foram 3.211 entrevistados, em 45 empresas brasileiras, e os dados apontados no levantamento mostraram-se preocupantes.

Com relação ao potencial de aderência à Ética Organizacional, a pesquisa mostrou que 11% dos entrevistados não estão aderentes, 69% têm flexibilidade e somente 20% são aderentes. Esse índice é alarmante, porque a flexibilidade está associada ao ganho que o indivíduo pode obter. Isso quer dizer que, dependendo do ganho pessoal, pode-se flexibilizar o padrão ético. Mas, quando se trata de comportamento ético, não se tem flexibilidade! Ou você é ético ou não é! Não existe o ético flexível!

Associado a esse indicador, ainda temos uma pesquisa conduzida pela HSD Consultoria mostrando que 20% dos executivos pesquisados, em uma amostra de 5.000 avaliados, apresentam desvio de caráter. Esse comportamento, associado à flexibilidade no padrão ético, nos remete a fraude, maquiagem de balanço, desvios de valores, de mercadorias, etc.

A responsabilidade da área de Recursos Humanos passa a ser enorme com relação a esses fatores. É preciso garantir que as pessoas tenham perfis comportamentais saudáveis, íntegros e éticos nas organizações, trazendo instrumentos que mapeiem esses comportamentos e mitiguem o risco empresarial.

Com a promulgação da Lei 12.846, de agosto de 2013, as empresas passarão a responder como pessoa jurídica por atos cometidos por seus funcionários contra a administração pública nacional ou estrangeira e esse tema ganha uma grande importância no cenário empresarial. Se antes falávamos em ética como virtude e princípios, agora teremos de responder sobre a instância jurídica que eleva significativamente a responsabilidade das empresas pela conduta ética de seus profissionais.

Neste cenário, as empresas precisam buscar meios para analisar não apenas a capacidade técnica e intelectual dos seus profissionais, mas também a capacidade de discernimento e a resistência a pressões situacionais quando diante de dilemas éticos que podem estar presentes na sua rotina empresarial. Com esse cenário, a área de RH passa a ter uma responsabilidade dentro de gerenciamento de riscos que talvez nem ela própria esteja enxergando. E esse pode ser um papel estratégico há muito tempo pleiteado nas estruturas organizacionais.

* Susana Falchi é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos e membro do Comitê de RH do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

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Este texto faz parte da série de artigos de especialistas promovida pelo Instituto Ethos com o objetivo de subsidiar e estimular as boas práticas de gestão.

Veja também:
– A promoção da igualdade racial pelas empresas, de Reinaldo Bulgarelli;
– Relacionamento com partes interessadas, de Regi Magalhães;
– Usar o poder dos negócios para resolver problemas socioambientais, de Ricardo Abramovay;
– As empresas e o combate à corrupção, de Henrique Lian;
– Incorporação dos princípios da responsabilidade social, de Vivian Smith;
– O princípio da transparência no contexto da governança corporativa, de Lélio Lauretti;
– Empresas e comunidades rumo ao futuro, de Cláudio Boechat;
– O capital natural, de Roberto Strumpf;
– Luzes da ribalta: a lenta evolução para a transparência financeira, de Ladislau Dowbor;
– Painel de stakeholders: uma abordagem de engajamento versátil e estruturada, de Antônio Carlos Carneiro de Albuquerque e Cyrille Bellier;
– Como nasce a ética?, de Leonardo Boff;
– As empresas e o desafio do combate ao trabalho escravo, de Juliana Gomes Ramalho Monteiro e Mariana de Castro Abreu;
– Equidade de gênero nas empresas: por uma economia mais inteligente e por direito, de Camila Morsch;
– PL n° 6.826/10 pode alterar cenário de combate à corrupção no Brasil, de Bruno Maeda e Carlos Ayres;
– Engajamento: o caminho para relações do trabalho sustentáveis, de Marcelo Lomelino;
– Sustentabilidade na cadeia de valor, de Cristina Fedato;
– Métodos para integrar a responsabilidade social na gestão, de Jorge Emanuel Reis Cajazeira e José Carlos Barbieri;
– Generosidade: o quarto elemento do triple bottom line, de Rogério Ruschel;
– O que mudou na sustentabilidade das empresas, de Dal Marcondes;
– Responsabilidade social empresarial e sustentabilidade para a gestão empresarial, de Fernanda Gabriela Borger;
– Os Dez Mandamentos da empresa responsável, de Rogério Ruschel;
– O RH como alavanca da estratégia sustentável, de Aileen Ionescu-Somers;
– 
Marcas globais avançam na gestão de resíduos sólidos, de Ricardo Abramovay;
– Inclusão e diversidade, de Reinaldo Bulgarelli;
– Da visão de risco para a de oportunidade, de Ricardo Voltolini;
– Medindo o bem-estar das pessoas, de Marina Grossi;
– A quantas andam os Objetivos do Milênio, de Regina Scharf;
– Igualdade de gênero: realidade ou miragem?, de Regina Madalozzo e Luis Cirihal;
– Interiorização do Desenvolvimento: IDH Municipal 2013, de Ladislau Dowbor;
– Racismo ambiental: derivação de um problema histórico, de Nelson Inocêncio;
– Procuram-se líderes da sustentabilidade, de Marina Grossi e Marcos Bicudo;
– Relato integrado: evolução da comunicação de resultados, de Álvaro Almeida;
– A persistência das desigualdades raciais no mundo empresarial, de Pedro Jaime;
– A agropecuária e as emissões de gases de efeito estufa, de Marina Piatto, Maurício Voivodic e Luís Fernando Guedes Pinto;
– Gestão de impactos sociais nos empreendimentos: riscos e oportunidades, de Fábio Risério, Sérgio Avelar e Viviane Freitas;
– Micro e pequenas empresas mais sustentáveis. É possível?, de Marcus Nakagawa;
– Executivos negros e movimento antirracista no Brasil, de Pedro Jaime;
– Lixo: marchas e contramarchas de um debate fundamental, de Maurício Waldman;
– Contribuições da certificação socioambiental para a sustentabilidade da citricultura brasileira, de Por Luís Fernando Guedes Pinto, Daniella Macedo, Alessandro Rodrigues e Eduardo Augusto Girardi;
– Entre o 2 e o 3, existe o 2,5, de Rafael Morais Chiaravalloti;
– Trabalho longe de casa, de Marina Loyola;
– Desigualdades raciais e de gênero e ações afirmativas no Brasil, de Pedro Jaime;
– A ilusão da igualdade, de Carol Nunes;
– Tributação de pequenas empresas e desenvolvimento, de Bernard Appy;
– Gestão dos recursos hídricos, um problema constante, de Martim Afonso Penna;
– A gestão que gera lucratividade sustentável, de Roberto Araújo;
– Crise de sentido versus o futuro das organizações, de Susana Falchi;
O agora já é muito tarde nas redes sociais, de Wilson Bueno;
Dois pelo preço de um, de Achim Steiner e Kuntoro Mangkusubroto; e
Fim da publicidade infantil: marco histórico para a infância brasileira, de Isabella Henriques.

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