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Trabalho longe de casa

05/02/2014

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Profissionais que vivem em alojamentos, como os que atuam em construção civil ou mineração, necessitam de maior atenção por parte das empresas.

Por Marina Loyola*

A relação do trabalho com o bem-estar físico e emocional tem sido muito estudada e difundida nos meios de comunicação. Dezenas de novas pesquisas mostram a importância de os gestores se preocuparem com ações de responsabilidade que promovam um ambiente saudável e, logicamente, mais produtivo. Se isso já é alvo de tantos estudos, imagine quando se trata de pessoas que trabalham por meses ou anos longe de casa?

Profissionais que vivem em alojamentos, como os que atuam nos setores de mineração, construção civil, infraestrutura, petróleo e agronegócios, necessitam de ainda mais atenção por parte das empresas. Eles passam longos períodos num ambiente provisório, diferente do habitual. E não é difícil encontrar abusos e descaso por parte das corporações. São frequentes as notícias de operações e autuações pelas autoridades competentes.

Recentemente, uma ação de fiscalização do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego flagrou 16 trabalhadores da construção civil sem registro em carteira e alojados num estábulo na cidade de São João da Boa Vista, em São Paulo. No local foram improvisadas paredes de compensado de madeira. Os jornais noticiaram que havia superlotação, falta de condições sanitárias, risco de incêndio, falta de armários e de roupa de cama, e os beliches tinham estrutura precária. Havia queixas sobre a presença de ratos e outros animais, o que aumentava o risco de doenças. O local foi interditado e as devidas medidas judiciais foram tomadas.

Todavia, mesmo as empresas que mantêm tudo na legalidade ainda precisam dedicar maior atenção a esse tipo de profissional. A distância da família, do lar, dos amigos e da cidade natal é um fator de grande influência no comportamento e na saúde dessas pessoas.

É preciso levar em consideração diversos aspectos que levam à qualidade de vida. Segundo o renomado psicólogo americano Abraham H. Maslow, o ser humano precisa satisfazer diversas necessidades para se sentir pleno. Entre elas estão as fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de autorrealização. Por isso, é muito importante avaliar todos os aspectos sociais, psicológicos, ergonômicos e ambientais que a empresa proporciona a esses funcionários.

Os custos da má gestão desses parâmetros envolvem perdas muitas vezes irreversíveis. Em locais assim, observa-se o aumento de gastos com segurança, conflitos com sindicatos e a rápida depreciação de equipamentos e das instalações. Outras perdas são associadas a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, o que compromete a produtividade e o capital reputacional da empresa.

Para solucionar os desafios inerentes à sustentabilidade de assentamentos humanos, em diferentes setores da economia, existe uma metodologia denominada Livability, desenvolvida na Erasmus University, de Roterdã, na Holanda. O método, que acaba de chegar ao Brasil, inclui visitas a alojamentos e entrevistas qualitativas com trabalhadores e com membros influentes da comunidade e do governo local. São realizados também grupos focais para estimular o diálogo e facilitar soluções horizontais para questões mais emergentes. Nesse passo, busca-se entender os impactos gerados no indivíduo, no nível social e organizacional. São levantados indicadores psicológicos, de saúde, socioeconômicos e de ambiente.

A partir desse diagnóstico, é obtido um mapa da relação da empresa com o seu empregado e a comunidade na qual se localiza o alojamento, incluindo-se uma análise de riscos e planos de ação integrados. Com isso, é possível obter recomendações relacionadas às problemáticas da habitabilidade de alojamento. Por ser uma pesquisa ativa, o trabalho também aproxima a empresa de seus trabalhadores e fomenta o diálogo com sindicatos, facilitando a gestão e possibilitando a ampliação da rede de relacionamento e de associações ativas.

Esta abordagem gera uma infinidade de benefícios, como a redução dos custos no longo prazo e o aumento da produtividade, além da manutenção de uma boa reputação diante do trabalhador, da sociedade e dos investidores.

* Diretora da AB Consultores Associados, Marina Loyola é bacharel em relações internacionais e mestranda em comunicação corporativa na Erasmus University, na Holanda.

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Este texto faz parte da série de artigos de especialistas promovida pelo Instituto Ethos com o objetivo de subsidiar e estimular as boas práticas de gestão.

Veja também:
– A promoção da igualdade racial pelas empresas, de Reinaldo Bulgarelli;
– Relacionamento com partes interessadas, de Regi Magalhães;
– Usar o poder dos negócios para resolver problemas socioambientais, de Ricardo Abramovay;
– As empresas e o combate à corrupção, de Henrique Lian;
– Incorporação dos princípios da responsabilidade social, de Vivian Smith;
– O princípio da transparência no contexto da governança corporativa, de Lélio Lauretti;
– Empresas e comunidades rumo ao futuro, de Cláudio Boechat;
– O capital natural, de Roberto Strumpf;
– Luzes da ribalta: a lenta evolução para a transparência financeira, de Ladislau Dowbor;
– Painel de stakeholders: uma abordagem de engajamento versátil e estruturada, de Antônio Carlos Carneiro de Albuquerque e Cyrille Bellier;
– Como nasce a ética?, de Leonardo Boff;
– As empresas e o desafio do combate ao trabalho escravo, de Juliana Gomes Ramalho Monteiro e Mariana de Castro Abreu;
– Equidade de gênero nas empresas: por uma economia mais inteligente e por direito, de Camila Morsch;
– PL n° 6.826/10 pode alterar cenário de combate à corrupção no Brasil, de Bruno Maeda e Carlos Ayres;
– Engajamento: o caminho para relações do trabalho sustentáveis, de Marcelo Lomelino;
– Sustentabilidade na cadeia de valor, de Cristina Fedato;
– Métodos para integrar a responsabilidade social na gestão, de Jorge Emanuel Reis Cajazeira e José Carlos Barbieri;
– Generosidade: o quarto elemento do triple bottom line, de Rogério Ruschel;
– O que mudou na sustentabilidade das empresas, de Dal Marcondes;
– Responsabilidade social empresarial e sustentabilidade para a gestão empresarial, de Fernanda Gabriela Borger;
– Os Dez Mandamentos da empresa responsável, de Rogério Ruschel;
– O RH como alavanca da estratégia sustentável, de Aileen Ionescu-Somers;
– Marcas globais avançam na gestão de resíduos sólidos, de Ricardo Abramovay;
– Inclusão e diversidade, de Reinaldo Bulgarelli;
– Da visão de risco para a de oportunidade, de Ricardo Voltolini;
– Medindo o bem-estar das pessoas, de Marina Grossi;
– A quantas andam os Objetivos do Milênio, de Regina Scharf;
– Igualdade de gênero: realidade ou miragem?, de Regina Madalozzo e Luis Cirihal;
– Interiorização do Desenvolvimento: IDH Municipal 2013, de Ladislau Dowbor;
– Racismo ambiental: derivação de um problema histórico, de Nelson Inocêncio;
Procuram-se líderes da sustentabilidade, de Marina Grossi e Marcos Bicudo;
Relato integrado: evolução da comunicação de resultados, de Álvaro Almeida;
A persistência das desigualdades raciais no mundo empresarial, de Pedro Jaime;
A agropecuária e as emissões de gases de efeito estufa, de Marina Piatto, Maurício Voivodic e Luís Fernando Guedes Pinto;
Gestão de impactos sociais nos empreendimentos: riscos e oportunidades, de Fábio Risério, Sérgio Avelar e Viviane Freitas;
Micro e pequenas empresas mais sustentáveis. É possível?, de Marcus Nakagawa;
Executivos negros e movimento antirracista no Brasil, de Pedro Jaime;
Lixo: marchas e contramarchas de um debate fundamental, de Maurício Waldman;
Contribuições da certificação socioambiental para a sustentabilidade da citricultura brasileira, de Por Luís Fernando Guedes Pinto, Daniella Macedo, Alessandro Rodrigues e Eduardo Augusto Girardi; e
Entre o 2 e o 3, existe o 2,5, de Rafael Morais Chiaravalloti.

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