Por: Tide Social – Assessoria de imprensa do Instituto Ethos
A desigualdade no Brasil deixou de ser apenas uma tragédia social para se consolidar como um dos maiores gargalos econômicos e de produtividade do país. Fruto de um estudo inédito conduzido pelos economistas Michael França e Daniel Duque, realizado com o Instituto Ethos e com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI), que dá origem ao livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas”, publicado pela editora Jandaíra. A pesquisa demonstra que a discriminação e a violência consomem centenas de bilhões de reais todos os anos, comprometendo a arrecadação pública, a atração de investimentos e o crescimento de longo prazo.
Apenas a exclusão da população LGBTI+ do mercado de trabalho provoca uma perda estimada em R$ 94,4 bilhões por ano (0,8% do PIB), além de privar os cofres públicos de R$ 14,6 bilhões em arrecadação tributária anual. Já a violência consome 4,38% do PIB (cerca de R$ 285 bilhões por ano) entre gastos com segurança pública e privada, sistema prisional, saúde e perdas diretas de capacidade produtiva.
“A violência e a discriminação corroem o capital humano do país. Quando vitimamos desproporcionalmente homens jovens negros de baixa escolaridade ou afastamos talentos por preconceito, estamos impondo um dano profundo, duradouro e mensurável ao potencial de desenvolvimento da nossa economia”, afirma o coautor da obra Michael França, economista, pesquisador do Insper e conselheiro do Instituto Ethos.
O “Custo Brasil” da violência e da falta de confiança
O levantamento detalha a conta microeconômica da vulnerabilidade e da criminalidade no ambiente de negócios brasileiro:
• Perda individual de produtividade: Cada jovem vítima de homicídio representa um prejuízo estimado de R$ 550 mil em capacidade produtiva desperdiçada ao longo da vida.
• Impacto no trabalho feminino: A escalada da violência está associada à redução de 4% a 6% na renda do trabalho e reduz em até 7 pontos percentuais a participação das mulheres no mercado de trabalho.
• Gargalo no crescimento: Projeções do Banco Mundial citadas no estudo indicam que conter as taxas de homicídio em 10% poderia elevar o crescimento do PIB em aproximadamente 1 ponto percentual ao ano em países de alta criminalidade.
De acordo com Ricardo Young, empresário, professor e cofundador do Instituto Ethos, essa fragilidade estrutural pode ser conceituada como o “custo invisível da desconfiança”. “A confiança é a infraestrutura invisível da economia. Quando existe, reduz a necessidade de supervisão, acelera decisões e favorece investimentos de longo prazo. Quando falta, cada transação comercial precisa carregar uma margem adicional de proteção. E essa margem tem um preço altíssimo para o país”, destaca Young.
De pauta social à decisão estratégica para executivos
Embora dados do IBGE apresentados na publicação indiquem recuo na pobreza (de 27,3% para 23,1%) e na extrema pobreza (de 4,4% para 3,5%) entre 2023 e 2024, milhões de brasileiros seguem sobrevivendo com menos de R$ 225 por mês (US$ 2,15/dia na régua do Banco Mundial). Essa vulnerabilidade extrema limita o mercado consumidor e reduz a qualificação da mão de obra disponível para o setor privado.
Para o Instituto Ethos, os dados confirmam que a agenda de diversidade, equidade e inclusão deixou de ser apenas um pilar moral ou de filantropia para se tornar uma decisão estratégica de negócios e competitividade.
“Durante muito tempo, a desigualdade foi tratada sob o prisma ético ou social. As evidências do estudo provam que ela compromete diretamente a produtividade, restringe mercados e limita o crescimento sustentável do país. Enfrentar esse cenário é uma decisão estratégica indispensável para lideranças e organizações que pensam no longo prazo” destaca Ana Lucia Melo, Diretora-adjunta no Instituto Ethos.
Principais Números e Evidências do Estudo
• R$ 94,4 bilhões/ano (0,8% do PIB): Perda econômica provocada pela exclusão LGBTQIAPN+ no mercado de trabalho.
• R$ 14,6 bilhões/ano: Impostos não arrecadados em função da discriminação no trabalho.
• R$ 285 bilhões/ano (4,38% do PIB): Custo total da violência no Brasil (segurança, saúde, Justiça e perdas produtivas).
• R$ 550 mil: Prejuízo direto em produtividade futura a cada jovem vitimado pela violência.
• +1% no PIB: Projeção de impacto no crescimento econômico anual caso o país reduzisse a taxa de homicídios em 10%.
Sobre o Estudo e o Livro
O livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas” é um projeto realizado entre os economistas Michael França , Daniel Duque , Instituto Ethos, Insper, publicado pela editora Jandaíra. A obra foi apresentada durante a 27ª Conferência Ethos, em São Paulo, e reúne evidências e análises econômicas sobre o impacto da discriminação, da violência e da baixa mobilidade social no desenvolvimento do país.












