Por: Tide Social – Assessoria de imprensa do Instituto Ethos
Além do sofrimento direto impostos às famílias, a violência urbana e a discriminação estrutural atuam como barreiras invisíveis que impedem milhões de brasileiros de trabalhar, estudar e progredir financeiramente. Um estudo inédito dos economistas Michael França e Daniel Duque, projeto realizado com o Instituto Ethos e com o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (NERI) apresentado no livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas”, publicado pela editora Jandaíra, traz dados alarmantes sobre como a criminalidade e o preconceito destroem o capital humano do país.
A pesquisa aponta que a escalada da violência urbana impacta diretamente o bolso da população: o aumento dos índices de criminalidade está associado a uma redução de 4% a 6% na renda do trabalho e chega a afastar até 7 pontos percentuais das mulheres do mercado de trabalho, seja pela falta de segurança nos deslocamentos, pelo medo ou pela sobrecarga do cuidado familiar em ambientes de alta vulnerabilidade. “A violência não tira apenas vidas; ela corrói o futuro de famílias inteiras e limita a autonomia financeira, especialmente das mulheres e dos jovens. Quando vitimamos desproporcionalmente homens jovens negros com baixa escolaridade, estamos destruindo precocemente a capacidade de desenvolvimento de toda a sociedade”, afirma Michael França, economista e coautor da publicação.
O custo individual e humano da desigualdade
A publicação quantifica em números econômicos a perda trágica causada pela violência e pela discriminação no dia a dia da população brasileira:
- A perda do futuro jovem: Cada jovem vitimado pelo homicídio representa um prejuízo direto de R$ 550 mil em capacidade produtiva e de geração de renda. Exclusão no trabalho por orientação e gênero: A discriminação contra a população LGBTQIAPN+ não apenas marginaliza talentos, mas gera uma perda de R$ 94,4 bilhões anuais para o país, além de cortar R$ 14,6 bilhões em arrecadação de impostos que poderiam retornar em serviços públicos.
- O abismo da extrema pobreza: Dados do IBGE analisados na obra mostram que, embora a pobreza (27,3% para 23,1%) e a extrema pobreza (4,4% para 3,5%) tenham caído entre 2023 e 2024, a realidade ainda é dramática. Pela régua do Banco Mundial, viver em extrema pobreza significa sobreviver com menos de R$ 225 por mês (US$ 2,15/dia). Nesse patamar, qualquer oscilação no preço do gás, transporte ou alimento compromete imediatamente a sobrevivência básica e o acesso ao trabalho.
O combate às desigualdades como direito e desenvolvimento
Para o Instituto Ethos, dar visibilidade ao impacto da violência e da discriminação sobre o trabalhador é fundamental para cobrar políticas públicas eficientes e pressionar o setor privado por contratações inclusivas e ambientes seguros. “Durante muito tempo, discutiu-se a segurança e a inclusão apenas sob o olhar da assistência. O estudo prova que garantir o direito de ir e vir, a segurança nas periferias e o respeito à diversidade é a única forma real de garantir acesso ao trabalho digno, renda e desenvolvimento social sustentável”, pontua Ana Lucia Melo, diretora-adjunta no Instituto Ethos.
Destaques Sociais e do Mercado de Trabalho
- -7 pontos percentuais na participação feminina: O impacto da violência urbana no afastamento das mulheres do mercado.
- -4% a -6% na renda: A perda de rendimento do trabalhador associada à insegurança.
- R$ 550 mil por jovem: O valor em produtividade e futuro interrompido a cada homicídio juvenil no país.
- R$ 225/mês: A régua da extrema pobreza que ainda limita a mobilidade e a qualificação de milhões de brasileiros.
Sobre o Estudo e o Livro
O livro “Os Custos das Desigualdades: uma carta às elites econômicas” é um projeto realizado entre os economistas Michael França , Daniel Duque , Instituto Ethos, Insper, publicado pela editora Jandaíra. A obra foi apresentada durante a 27ª Conferência Ethos, em São Paulo, e reúne evidências e análises econômicas sobre o impacto da discriminação, da violência e da baixa mobilidade social no desenvolvimento do país.












